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Canadá e EUA anunciam acordo comercial para substituir o Nafta

A incerteza chegou ao fim no domingo à noite (30), a poucas horas do fim do prazo limite, quando negociadores canadenses e americanos alcançaram um acordo para substituir o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), resgatando uma zona de livre comércio entre três países de 1,2 trilhão de dólares que estava prestes a entrar em colapso após quase 25 anos.

O novo tratado receberá o nome Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês), de acordo com uma declaração conjunta.

A nova versão do Nafta, em vigor desde 1994 entre Estados Unidos, Canadá e México, começou a ser renegociada em 2017 por exigência do presidente americano, Donald Trump, que considerava o acordo um “desastre” para seu país.

Um acordo preliminar já tinha sido fechado entre Estados Unidos e México em agosto, mas ainda faltava a inclusão do Canadá.

O comunicado, assinado pelo representante do Comércio dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, e pela ministra das Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, destaca que o novo acordo entre os países da América do Norte vai gerar um “crescimento econômico sólido”.

Depois de mais de um ano de negociações, os governos conseguiram superar as divergências e ceder em alguns aspectos. No comunicado, celebram o acordo com um como algo positivo para os cidadãos da região, onde vivem quase 500 milhões de pessoas e que movimenta um trilhão de dólares por ano em comércio, destaca a agência France Presse.

O principal objetivo de Trump ao retrabalhar o Nafta era reduzir os déficits comerciais dos EUA, meta que ele também busca com a China, impondo centenas de bilhões de dólares em tarifas sobre produtos importados do gigante asiático.

Embora o novo acordo evite tarifas, ele dificultará que montadoras globais construam carros a preço reduzido no México e tem o objetivo de criar mais empregos nos Estados Unidos, afirma a agência Reuters.

Pelo Twitter, Trump classificou o novo acordo de “maravilhoso” e de “grande negócio” para os 3 países.

O novo pacto comercial entre Canadá e México é “um grande acordo” para os três países, afirmou o presidente americano Donald Trump, depois que os países chegaram a um acordo no domingo à noite para substituir o Nafta.

“O USMCA é uma negociação histórica”, completou o presidente americano.

O novo acordo foi visto como uma grande vitória de Trump, que obrigou o Canadá e o México a aceitarem um comércio mais restritivo com seu principal parceiro de exportação.

Donald J. Trump

@realDonaldTrump

Late last night, our deadline, we reached a wonderful new Trade Deal with Canada, to be added into the deal already reached with Mexico. The new name will be The United States Mexico Canada Agreement, or USMCA. It is a great deal for all three countries, solves the many……

Negociações

O anúncio veio após um final de semana inteiro de trabalho por videoconferência dos negociadores para alcançar o acordo de última hora.

Para concluir o acordo, o Canadá cedeu no sistema de cotas para o leite, o que abrirá seu mercado aos produtores americanos. Ottawa, porém, conseguiu preservar o sistema do Nafta de solução de conflitos entre os sócios que Washington desejava modificar.

O novo pacto também incluirá um capítulo ambiental e, como parte do acordo, o Canadá poderá conservar a proteção do setor cultural.

“O USMCA proporcionará a nossos trabalhadores, agricultores, fazendeiros e empresas um acordo comercial de alta qualidade que dará como resultado mercados mais livres, comércio mais justo”, afirmaram os governos americano e canadense no comunicado conjunto, publicado 90 minutos antes do fim do prazo limite fixado pelos Estados Unidos.

Primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau — Foto: Justin Tang/The Canadian Press via AP

Primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau — Foto: Justin Tang/The Canadian Press via AP

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, saiu às pressas de uma reunião em caráter de urgência com seus ministros no domingo e declarou apenas que “é um bom dia para o Canadá”. Para o Canadá a pressão era grande, pois Estados Unidos e México já haviam concluído um acordo.

O principal negociador do presidente eleito do México para o tratado, Jesús Seade, celebrou a notícia.

“Celebramos o acordo trilateral. Fecha a porta para fragmentação comercial da região. TLCAN 2 (sigla do Nafta no México) dará certeza a estabilidade ao comércio do México com os sócios na América do Norte”, escreveu no Twitter Seade, que representou o presidente eleito Andrés Manuel López Obrador durante as negociações.

O tempo era o principal obstáculo, já que o atual presidente do México, Enrique Peña Nieto, deixará o cargo no dia 1 de dezembro, o que aprofundou a necessidade de um acordo, pois segundo a lei americana Casa Branca precisa enviar o texto de um acordo comercial 60 dias antes de sua eventual assinatura.

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante reunião na Casa Branca, na quarta-feira (5) — Foto: Reuters/Leah Millis

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante reunião na Casa Branca, na quarta-feira (5) — Foto: Reuters/Leah Millis

Aço e alumínio?

O calendário eleitoral complicava as coisas para os negociadores canadenses. As concessões no setor de laticínios podem ser mal recebidas em Quebec, que vota nesta segunda-feira para definir o próximo governador da província francófona.

Os principais partidos de Quebec e as organizações de agricultores defendem o sistema de “administração da oferta”, que controlava a produção e o preço do leite e das aves de curral, além de garantir um faturamento estável para os agricultores canadenses.

As pesadas tarifas impostas por Trump ao aço e alumínio canadense, entre outras, permanecem em vigor no momento, em um contexto no qual o governo dos Estados Unidos realiza uma campanha protecionista que afeta vários países.

O texto final inclui uma cláusula que permite revisar o acordo a cada seis anos, de acordo com uma fonte americana, informa a agência France Presse.

Os mercados globais reagiram bem ao anúncio. “Notícias sobre um acordo entre EUA e Canadá para salvar o acordo comercial do NAFTA devem dar um impulso ao apetite global por risco no início do quarto trimestre”, escreveu o estrategista da Peel Hunt, Ian Williams, acrescentando que o acordo “pode ​​oferecer incentivo a que outras disputas comerciais globais possam ser resolvidas satisfatoriamente “.

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