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Com dólar em alta, BC mantém juros em 6,5% ao ano e encerra série de cortes

Em decisão que surpreendeu o mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, nesta quarta-feira (16), a manutenção da taxa básica de juros da economia em 6,5% ao ano.

Com a medida, o Copom colocou fim a um ciclo de 12 cortes consecutivos na Selic, que se iniciou em outubro de 2016. Em nota, o BC relacionou a decisão à recente volatilidade que tem levado à disparada do dólar (leia mais abaixo).

Na ata da última reunião, em março, o Copom havia sinalizado um corte “moderado” nos juros na reunião desta quarta, caso o cenário econômico evoluísse conforme o esperado. Por isso, grande parte dos analistas financeiros apostava em um corte de 0,25 ponto percentual.

Taxa Selic
em % ao ano, considerando as datas de reunião do Copom
em %taxa de jurosout/12jan/13abr/13jul/13out/13jan/14abr/14jul/14out/14jan/15abr/15jul/15out/15jan/16abr/16jul/16out/16jan/17abr/17jul/17out/17fev/18maio/186810121416
Fonte: BC

Volatilidade e alta do dólar

A mudança de posicionamento do comitê se deve à volatilidade do cenário externo, que tem causado uma forte desvalorização do real frente ao dólar nos últimos dias. Nesta quarta, a moeda norte-americana fechou em alta pelo quarto dia seguido, cotada em R$ 3,679.

O aumento do dólar pode encarecer produtos e serviços importados consumidos no Brasil e pressionar a inflação. O Banco Central eleva ou reduz a Selic justamente para controlar a alta dos preços (veja mais abaixo).

Em comunicado, o Copom informou que, entre os fatores de risco para a inflação, está a justamente a “continuidade da reversão do cenário externo para economias emergentes”.

“Esse risco se intensificou desde o último Copom”, diz o texto. Ainda de acordo com o comitê, “o cenário externo tornou-se mais desafiador e apresentou volatilidade”.

A turbulência é resultado das expectativas do mercado quanto ao desempenho da economia americana e a um possível aumento dos juros pelo Banco Central daquele país, o Fed. Como reflexo, os investidores estrangeiros preferem minimizar seus riscos adiando ou deixando de investir em países emergentes, como o Brasil.

“A evolução dos riscos, em grande parte associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas, produziu ajustes nos mercados financeiros internacionais. Como resultado, houve redução do apetite ao risco em relação a economias emergentes”, diz a nota do BC.

Copom surpreende mercado e encerra ciclo de redução da Selic em meio à disparada do dólar. (Foto: Reuters/Dado Ruvic)

Copom surpreende mercado e encerra ciclo de redução da Selic em meio à disparada do dólar. (Foto: Reuters/Dado Ruvic)

Copom indica manutenção dos juros

No documento, o comitê informou que, nas próximas reuniões, a taxa deve ser mantida no mesmo patamar de 6,5%.

“Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e, principalmente, do balanço de riscos tornou desnecessária uma flexibilização monetária adicional [redução da taxa de juros] para mitigar o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas”, diz a nota.

“Para as próximas reuniões, o comitê vê como adequada a manutenção da taxa de juros no patamar corrente. O Copom ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”.

Inflação e taxa de juros

A definição da taxa de juros pelo Banco Central (BC) tem como foco o cumprimento da meta de inflação, fixada todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para 2018, a meta central de inflação é de 4,5%, mas o sistema permite uma margem de tolerância e a meta não será, formalmente, considerada descumprida caso fique entre 2,5% e 6,5%.

O mercado financeiro projeta uma inflação de 3,45% ao final do ano. No comunicado desta quarta, o Copom informou que projeta uma inflação de 3,6% para 2018, portanto, abaixo do centro da meta.

Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas pelo CMN, o BC reduz os juros.

Por outro lado, quando a inflação está alta ou as estimativas indicam que ela vai subir, o BC eleva a Selic. O objetivo é que os juros cobrados pelos bancos também subam, ou seja, que o crédito fique mais caro e, com isso, freie o consumo, fazendo a inflação cair. Essa medida, porém, afeta a economia e gera desemprego

Como a desvalorização do real frente ao dólar verificada nos últimos dias também pressiona os preços, o Copom avalia que é preciso agir para impedir isso.

Efeitos da Selic na economia

A taxa básica influencia os juros praticados pelos bancos. No entanto, apesar da trajetória constante de queda e da mínima histórica da Selic, as taxas cobradas dos clientes seguem em patamar muito elevado. Em março (dado mais recente), a taxa média do cheque especial era de 324,7% ao ano, e do cartão de crédito rotativo, de 334,5% ao ano.

A Selic também é utilizada para definir o rendimento da poupança. Quando a taxa está abaixo de 8,5% ao ano, a correção anual das cadernetas equivale a 70% desse patamar, mais Taxa Referencial. Essa fórmula foi definida pelo governo para impedir que a poupança se tornasse um investimento mais atrativo do que outros utilizados por grandes investidores.

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