Coronavírus: Brasil tem curva de mortes mais acelerada entre países com mais óbitos por covid-19

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Em meio ao que especialistas consideram o pior momento da pandemia do novo coronavírus no país, o Brasil tem a curva de mortes mais acelerada entre as nações com mais óbitos por covid-19 no mundo.

Segundo dados da plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford (Reino Unido), a média móvel de mortes de sete dias do Brasil vem acelerando desde 21 de fevereiro, quando atingiu 4,88 óbitos por 1 milhão de pessoas. Nesta terça-feira (2/3), a taxa foi de 5,94 óbitos por 1 milhão de pessoas, alta de 21,6%.

O país segue, assim, na contramão dos países com mais mortos por covid-19, como Estados Unidos, México, Índia e Reino Unido. Todos apresentam curva de mortos descendente no mesmo período — e também nos últimos dias. Veja o gráfico.

Curva de mortes do Brasil vem acelerando na comparação com a de outros países com mais óbitos (linha cinza escura)

Atualmente, o Brasil é o segundo país com mais óbitos por coronavírus (257,4 mil), atrás dos Estados Unidos (516,7 mil). México (187,2 mil), Índia (157,4 mil) e Reino Unido (123,5 mil) completam a lista, segundo dados da Universidade Johns Hopkins (EUA).

O país atingiu a marca de 250 mil mortes na semana passada. Nesta terça-feira (2/3), quebrou mais dois recordes: registrou o maior número de óbitos por dia de toda a pandemia e a maior média móvel de mortes, segundo o consórcio de veículos de imprensa, com base nos dados fornecidos pelas secretarias estaduais de saúde.

Foram 1.726 mortes nas últimas 24 horas, acima, portanto, do recorde anterior de 1.582 óbitos em um dia, na última quinta-feira (25/2). Esse número é superior ao que outros 112 países registraram em toda a pandemia.

E pelo quarto dia consecutivo, o Brasil registrou a maior média móvel de mortes desde o início da pandemia: 1.274.

Em vários municípios brasileiros, leitos de enfermaria e UTI estão lotados de pacientes com covid-19. Não há mais vagas e os doentes não param de chegar.

De acordo com dados das secretarias estaduais de saúde, 17 Estados têm ocupação em hospitais acima de 80%, um nível considerado crítico.

Outros oitos Estados têm taxas que superam os 90% — no Rio Grande do Sul, por exemplo, o número chegou a 100%.

Gráfico mostra aumento da média móvel em 7 dias de mortes por covid-19 no Brasil
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Gráfico mostra trajetória do cumulado de mortes por covid-19 no Brasil

‘Estratégia genocida’

Especialistas consideram que o Brasil vive atualmente o pior momento da pandemia e que ela deve se agravar nas próximas semanas.

Em entrevista recente à BBC News Brasil, o biólogo e divulgador científico Atila Iamarino afirmou que o país adotou uma “estratégia genocida” ao apostar na chamada imunidade de rebanho para combater a covid-19, o que possibilitou o surgimento de uma nova variante mais perigosa e que vem causando mais mortes.

Iamarino defendeu a adoção de um confinamento mais rígido e a aceleração da vacinação.

Ele criticou ainda o governo federal, que acusa de ter “sabotado” Estados e municípios.

E vaticinou que uma catástrofe pode estar prestes a acontecer se o que vimos em Manaus se repetir no restante do Brasil.

“Sabemos que há um componente sazonal no novo coronavírus, com mais casos no inverno do que no verão. Portanto, o Brasil está muito adiantado no aumento de casos — isso só deveria estar acontecendo daqui a alguns meses. Mas por que os casos estão subindo tão cedo e tão rápido?”, disse.

“A resposta se deve a uma combinação de fatores. De um lado, houve um movimento de abertura no fim do ano passado, com mais pessoas circulando sem restrições. De outro — e que considero o principal fator — temos a variante P.1, inicialmente observada em Manaus.”

“Nesse sentido, a nossa variante é fruto direto da estratégia genocida do Brasil de contar com as pessoas circulando livremente e construindo imunidade. Não é por acaso que surgiu aqui uma das variantes mais perigosas, demonstradamente perigosa”, acrescentou.

Para a pneumologista Margareth Dalcolmo, professora e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), no Rio de Janeiro, “estamos num momento muito grave da pandemia no Brasil, com um recrudescimento já materializado daquilo que consideramos uma segunda onda”.

“Isso não nos surpreende, uma vez que as medidas de controle sanitário não foram só controversas, mas também ineficientes por um longo tempo. Nós sabemos também que a única solução possível para controlar a pandemia será a vacinação, e a campanha está apenas no início, numa velocidade muito aquém do desejável”, disse ela à BBC News Brasil.

“Para completar, não temos observado um comportamento de solidariedade, não só de todos os cidadãos, mas também de nossas autoridades políticas. Não vemos aumentar uma consciência cívica do que é preciso fazer neste momento, apesar do cansaço de um ano de pandemia”.

“Seria necessário todos nós mantermos comportamentos individuais e coletivos de muito cuidado, com uso de máscara e distanciamento social. Já manifestei de que precisamos de medidas mais drásticas, com o fechamento de muitos serviços, para diminuir a circulação de pessoas e reduzir a transmissão viral”, acrescentou.

Fonte: BBC

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