Dilma aposta em Lula como ministro para reverter impeachment

0
63

A falta de convicção na capacidade de Dilma Rousseff para conduzir a operação destinada a evitar o impeachment e o cerco da Lava-Jato ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproximaram o líder petista da Esplanada dos Ministérios. A oposição já prepara ações para contestar uma nomeação.0306_luladi

No final da tarde desta segunda-feira, que teve o escudeiro lulista Gilberto Carvalho no Planalto, parlamentares ensaiavam comemorar a indicação de Lula. Conselheiros de Dilma e lideranças petistas concordam que somente com o ex-presidente como ministro será possível evitar a queda precoce do quarto governo do PT.

Lula é aguardado em Brasília para conversar com Dilma, que aceita ver o antecessor tomar as rédeas da reação petista – ele exigiria mudanças na política econômica para assumir. A Secretaria-Geral de Governo e a Casa Civil são as pastas especuladas. Mesmo que a manobra provoque críticas de que Lula foge do juiz federal Sergio Moro, pois recuperaria o foro privilegiado com as investigações do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia indo para o Supremo Tribunal Federal (STF), o PT acredita que vale a pena arriscar.

– Lula vai reforçar o governo, sinalizar para o mercado e para o setor industrial uma política desenvolvimentista. Ainda vai reforçar os laços com nossa base social – argumenta o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS).

Das reuniões de Dilma com seus conselheiros e o grupo de articulação política, que inclui aliados de outras legendas, saiu a conclusão de que o prazo para o governo reagir se aproxima do final, sendo que medidas econômicas não terão o efeito célere que a situação exige. Com o STF prestes a julgar os embargos do rito do impeachment e a promessa de instalação da comissão especial de deputados para quinta ou sexta-feira, Planalto e oposição projetam um desfecho do impasse entre 30 e 45 dias.

A delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS), as fases da Lava-Jato que atingiram o marqueteiro João Santana e Lula e as manifestações do domingo deterioraram o apoio de Dilma no Congresso. O desembarque iminente do PMDB e o anúncio de que o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), condenado no mensalão e investigado no esquema da Petrobras, firmou delação aumentam o temor de mais desgaste.
criação de site