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“Dr. Bumbum” pode ser enquadrado em vários crimes

A morte da bancária Lilian Quezia Calixto de Lima Jamberci na madrugada de domingo, 15, após procedimento estético realizado na cobertura de um prédio na Barra da Tijuca, no Rio, fez reabrir antiga polêmica sobre o exercício ilegal da profissão. Segundo especialistas, o médico Denis Cesar Barros Furtado, o “Dr. Bumbum”, que realizou a aplicação de silicone nas nádegas da paciente, pode ser enquadrado em vários crimes. O “Dr. Bumbum” já está preso no Rio, com sua mãe, Maria de Fátima, também sob suspeita. Segundo Denis Furtado, após o procedimento, Lilian estava lúcida e andando. Também sustentou que o seu ambiente de trabalho, a cobertura onde morava e foi feito o procedimento, tinha condições adequadas para cirurgia, chamada de bioplastia. Ao fim da entrevista que concedeu após a prisão, declarou: “A justiça será feita”.

Dr. Bumbum e mãe vão prestar novos depoimentos à polícia nesta sexta-feira

polícia vai ouvir novamente, nesta sexta-feira (20), o médico Denis Furtado, o Dr. Bumbum, e da mãe dele, Maria de Fátima Furtado. Ambos foram presos na tarde de quinta-feira (19) no escritório do advogado, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, depois de uma denúncia anônima.

O Disque Denúncia tinha oferecido R$ 1 mil por informações que levassem à prisão da dupla. Os investigadores disseram que precisam confrontar as informações deles com as das testemunhas. O médico e a mãe estavam foragidos há quatro dias. Eles foram indiciados por homicídio qualificado.

Denis Furtado, o Dr. Bumbum, e a mãe, Maria de Fátima, foram presos pela PM nesta quinta-feira (Foto: Reprodução/PMERJ)

Denis Furtado, o Dr. Bumbum, e a mãe, Maria de Fátima, foram presos pela PM nesta quinta-feira (Foto: Reprodução/PMERJ)

Os dois vão responder pela morte da bancária Lilian Calixto depois de um procedimento estético. Eles foram presos por volta das 15h e prestaram depoimento até o fim da noite. Eles passaram a noite em salas separadas da delegacia. A tia de Denis esteve na delegacia durante a madrugada, mas não deu entrevista.

O procedimento estético na bancária Lilian Calixto foi feito no sábado (14), na cobertura do médico, na Barra. Ela morava em Cuiabá e veio ao Rio só pra fazer um preenchimento nos glúteos.

Depois de passar mal, foi levada para o hospital – pelo médico, pela mãe dele, pela namorada, Renata Fernandes Cirne, e pela técnica de enfermagem Rosilane Pereira da Silva.

Horas antes de ser preso, Denis Furtado gravou um depoimento. “Uma fatalidade que acontece com qualquer médico. Uma paciente minha, no meu consultório, após um procedimento de bioplastia de glúteos, que eu já realizei 9 mil, ela saiu do consultório muito bem e umas seis horas após que eu a levei para o hospital e ela chegou ao óbito algumas horas após, com parada cardíaca.

Só que numa entrevista aos jornalistas, ele deu uma versão diferente: disse que Lilian não chegou a ir embora.

“Realizamos por volta de 18h, 19h, no turno da noite. Ela se levantou bem, saiu bem da maca, mais ou menos 23h ela estava indo embora, estava indo embora pro hotel dela, já com o taxista dela esperando na porta, e me relatou um leve enjoo uma queda de pressão. Já aferi a pressão dela, na mesma hora. Umas 23h30 falei o seguinte: ‘Olha, a senhora está com uma queda de pressão, mesmo que leve. Vamos ao hospital e lá a gente avalia’”, disse ele na delegacia.

O taxista contratado por Lilian aqui no Rio disse, em depoimento à polícia, que a bancária voltaria para Cuiabá na mesma tarde.

Ele declarou que deixou Lilian na casa do médico por volta de 12h45 e que três horas depois ela avisou que o procedimento estava atrasado. O taxista disse que esperou a bancária até 23h30, mas que ela não saiu.

Contou também que Denis pagou R$ 300 pela corrida e pelo tempo de espera. Denis falou que não se lembrava de ter conversado com o taxista. “Eu nem me recordo de ter falado isso com o paciente, com o taxista, porque eu nem conversei com ele”, alegou o médico.

Lilian Calixto gostava muito de viajar com o marido, o empresário Osmar Jamberci, com quem estava há 19 anos (Foto: ARQUIVO PESSOAL/FACEBOOK)

Lilian Calixto gostava muito de viajar com o marido, o empresário Osmar Jamberci, com quem estava há 19 anos (Foto: ARQUIVO PESSOAL/FACEBOOK)

Fiz um procedimento com ele há uns dois anos, conheci por indicação de uma amiga, uma semana depois, entrei em contato para saber como funcionava. Falei com a Renata, a secretária, namorada dele, e ela pediu foto do meu bumbum para fazer uma avaliação, por WhatsApp mesmo, e passar o valor. Mandei a foto às 18 horas e na manhã seguinte, às 8 horas, ela me respondeu.

Eu não sabia como funcionava ou sobre esse tipo de silicone para o bumbum. Foi uma loucura da minha cabeça. Meu marido não sabia, ficou sabendo só depois. Perguntei para ele (Denis) como iria fazer, onde ficava a clínica, essas coisas. Ele me disse que atendia em vários lugares, que atendia em São Paulo, no Espírito Santo, em qualquer lugar. Perguntei se ele fazia em casa, e ele me disse que poderia ir, se eu pagasse por isso.

Denis Furtado é conhecido como 'Doutor Bumbum'
Denis Furtado é conhecido como ‘Doutor Bumbum’

Foto: Reprodução/Facebook / Estadão Conteúdo

Fiz o procedimento na minha casa, ele cobrou até mais caro por isso. Gastei na faixa de R$ 24 mil. Foi ele, a Renata e uma outra moça, que eu não sei quem é. Não levaram equipamento nenhum, e eu achei estranho. Eles chegaram com uma bolsa grande e uns negócios dentro de um saco. Eu deitei na minha cama, e foi tudo feito na minha cama mesmo. Ele me mandou comprar uma cinta, disse para eu ficar 24 horas sem banho, sem poder sentar… Foi isso que ele me orientou a fazer.

Ele não me deu recibo, nada. Eu paguei para ele e ele não me deu nenhum comprovante. Quando eu o procurei para reclamar – porque teve uma época que ficou muito sensível e eu não podia encostar em nada -, ele me ameaçou. Aí eu fiquei com medo, meu ex-marido ficou com medo, e a gente resolveu deixar para lá.

Fui prejudicada. Acabou meu casamento, perdi várias coisas por causa disso. Não vou à praia, não vou à piscina do meu condomínio, nada do que eu coloco fica bonito, a roupa fica horrível.

Já fui a vários médicos para poder tirar e ninguém quer colocar a mão. Fui numa médica, ela pediu ressonância, um monte de coisa, mas ninguém quer colocar a mão. Está horrível, como se estivesse apodrecendo. Sinto uma dor insuportável, parece que está descendo para as pernas. É horrível, horrível…

Nunca tive coragem de falar nada, porque eu menti para a minha família na época. Para as minhas amigas, eu falava que tinha colocado silicone e dado rejeição, porque eu tinha vergonha de falar a verdade.

Ele falou que tinha usado o PMMA, mas a última médica que fui falou que deve ter usado silicone industrial, pelo jeito que está. Ela disse que, mesmo se ele tivesse usado o PMMA, não teria ficado assim.

Não estou fazendo nenhum tratamento, não tenho mais dinheiro. Eu me separei, fui embora com a minha filha. Isso estragou a minha vida. Voltei agora a trabalhar e estou tentando refazer a minha vida.

Estou vendo agora com outro médico, se ele consegue me ajudar. Eu quero tirar isso. Estou com problema de respiração, porque fico muito cansada. Tomara que a justiça seja feita. O que aconteceu com aquela menina (Lilian Calixto) não pode ficar assim.” / DEPOIMENTO A MARCIO DOLZAN

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