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Dupla ataca escola em Suzano, mata 10 pessoas e se suicida

Jorge Antônio de Moraes, que seria tio de um dos assassinos, faleceu agora há pouco. Ele foi atingido por tiros quando os dois autores do massacre entraram na loja de veículos dele

Até o momento, foram identificadas sete, entre as dez vítimas do massacre na escola Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP). Além de cinco alunos do Ensino Médio, foram mortas duas funcionárias: Marilena ferreira Umezo e Eliana Regina de Oliveira Xavier. Os estudantes são Pablo Henrique Rodrigues, Cleiton Antônio Ribeiro, Caio Oliveira, Samuel Melquíades Silva de Oliveira e Douglas Murilo Celestino, que chegou a ser socorrido mas morreu a caminho do hospital. A informações são da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

Entre as vítimas, estão alunos do ensino médio e funcionários. Ao menos 23 pessoas foram levadas a hospitais.

Um adolescente e um homem encapuzados mataram oito pessoas na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), por volta das 9h30 desta quarta-feira (13), e cometeram suicídio em seguida.

Quatro dos mortos são alunos do ensino médio. Outros dois adolescentes chegaram socorridos, mas morreram no hospital. Entre as vítimas, há ainda dois funcionários do colégio, um deles a coordenadoras.

Resumo

  • Ataque a escola em Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, deixou oito pessoas mortas; os dois assassinos se mataram.
  • As vítimas ainda não foram identificadas.
  • Os autores do crime são Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Henrique de Castro, de 25 anos.
  • 23 pessoas foram levadas a hospitais. Entre elas, há feridos e outras que passaram mal após o ataque.
  • Ainda não se sabe o motivo do ataque e o vínculo dos autores com a escola.
  • Uma testemunha disse que viu um deles com arma de fogo e outro, com uma faca.
  • A PM encontrou no local um revólver 38, uma besta (um artefato com arco e flecha), objetos que parecem ser coquetéis molotov e uma mala com fios.
  • Antes de os autores do ataque entrarem na escola, os assassinos balearam um homem em uma loja de automóveis nas proximidades.
  • Os assassinos chegaram ao colégio alvo do ataque em um carro alugado.
  • Segundo o Censo Escolar de 2017, a instituição tem 358 alunos da segunda etapa do fundamental (6º ao 9º ano) e 693 estudantes do ensino médio. No local, também funciona um centro de idiomas.
Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, um dos autores do massacre de Suzano — Foto: Arquivo pessoal

Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, um dos autores do massacre de Suzano — Foto: Arquivo pessoal

Um vídeo feito por câmera de segurança mostra o momento em que os dois criminosos chegam à Escola Estadual Raul Brasil na manhã desta quarta.

Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Henrique de Castro, de 25, estavam em um carro branco alugado, estacionaram em frente ao portão do colégio e entraram pela porta da frente, que estava aberta.

Veja momento que criminosos chegam à escola em Suzano

 “Eles ingressaram na escola, atiraram na coordenadora pedagógica, atiraram numa outra funcionária. Estava na hora do lanche, eles se dirigiram ao pátio, atiraram em mais quatro alunos do ensino médio”, disse o coronel Marcelo Salles, comandante-geral da PM.

“Nesse horário, só havia alunos do ensino médio, e [os autores do ataque] dirigiram-se ao centro de línguas. Os alunos do centro de línguas se fecharam na sala com a professora e eles [criminosos] se suicidaram no corredor.”

Outro vídeo, feito dentro da escola, mostra a correria de alunos e funcionários (assista abaixo).

O coronel Salles afirmou que, antes de entrar na escola, os criminosos balearam um homem em uma loja de automóveis próximo à escola. Ele passa por cirurgia na Santa Casa de Suzano e está em estado gravíssimo.

Mais cedo, a capitão Cibele, da comunicação da PM, um carro da polícia estava a caminho desse comércio, quando passou perto da escola e ouviu gritos dos alunos. “Policiais estavam indo para esse primeiro chamado e ouviram gritos das crianças. Foram então até a escola, onde os dois criminosos acabaram se matando”, disse ela.

Arsenal

Dentro da escola, a polícia encontrou um revólver 38, quatro jet luders, que são plástico para recarregamento de arma, uma besta (um tipo de arco e flecha que dispara na horizontal), um arco e flecha tradicional e garrafas que aparentam ser coquetéis molotov. Um dos autores do ataque tinha uma espécie de machado na cintura.

Há ainda uma mala com fios. O esquadrão antibombas fi chamado, mas a polícia ainda não informou se havia material explosivo no local.

Foto mostra corpo de um dos autores do massacre na escola Raul Brasil, de Suzano — Foto: Arquivo pessoal

Foto mostra corpo de um dos autores do massacre na escola Raul Brasil, de Suzano — Foto: Arquivo pessoal

Mala deixada dentro da escola onde o massacre ocorreu, em Suzano; polícia investiga se assassinos deixaram explosivos — Foto: Arquivo pessoal

Mala deixada dentro da escola onde o massacre ocorreu, em Suzano; polícia investiga se assassinos deixaram explosivos — Foto: Arquivo pessoal

Arco e flecha encontrado na escola em que o massacre ocorreu — Foto: Arquivo pessoal

Arco e flecha encontrado na escola em que o massacre ocorreu — Foto: Arquivo pessoal

Garrafas que aparentam ser coquetéis molotov deixadas dentro da escola em que o massacre ocorreu — Foto: Arquivo pessoal

Garrafas que aparentam ser coquetéis molotov deixadas dentro da escola em que o massacre ocorreu — Foto: Arquivo pessoal

Boletim: armas medievais foram usadas no massacre de Suzano

Boletim: armas medievais foram usadas no massacre de Suzano

O coronel Fábio Pelegrini, da Comunicação Social da Polícia Militar, informou que a polícia ainda divulgou se os autores do massacre têm registro de crimes anteriores.

A polícia não tem informações sobre a motivação do crime. “Provavelmente um ato que foi premeditado. Eles entraram na escola equipados, com máscara. A gente não tem ainda essa motivação, não tem a correlação do motivo e do ato feito.”

Movimentação em frente à escola Raul Brasil, onde assassinos mataram alunos e funcionárias — Foto: Reprodução/TV Globo

Movimentação em frente à escola Raul Brasil, onde assassinos mataram alunos e funcionárias — Foto: Reprodução/TV Globo

Relatos de testemunhas

Rosni Marcelo Grotliwed, de 15 anos, estudante de 15 anos, disse que o ataque ocorreu durante o intervalo e que um dos criminosos tinha uma arma e outro, uma faca.

“A gente estava na merenda e comendo normal e escutamos ‘três pipocos’ nisso tentamos correr para pular o muro do CEL. Os caras vieram atrás de nós e começou a matar muita gente. Mas o pente dele descarregou e foi na hora que a gente correu.”

Segundo ele, um dos garotos passou com faca ao seu lado, mas ele conseguiu desviar. “Fui para a diretoria e tinha muita gente morta no chão. Eles gritavam, mas eu não entendi o que era.”

“Meu amigo levou facada no ombro e outro levou um tiro. Fugi com um amigo para minha casa e voltei para buscar um amigo.”

Merendeira da Escola Raul Brasil, em Suzano, abrigou alunos na cozinha — Foto: Natan Lira/G1

Merendeira da Escola Raul Brasil, em Suzano, abrigou alunos na cozinha — Foto: Natan Lira/G1

A merendeira Silmara Cristina Silva de Moraes, de 54 anos, contou que ajudou a esconder 50 estudantes na cozinha.

“Nós estávamos servindo merenda e aí começou os ‘pipoco’ e as crianças entraram em pânico. Abrimos a cozinha em começamos a colocar o maior número de crianças dentro e fechamos tudo e pedimos para eles deitarem no chão”, conta chorando. “Foi muito desesperador, porque foi muito tiro, muito tiro mesmo e era muito pânico”.

Estudante conta como foi ataque em escola estadual em Suzano, na Grande São Paulo

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Autoridades

O governador de São Paulo, João Doria, cancelou a agenda do dia e chegou à escola em um helicóptero, acompanhado do secretário Estadual de Educação, Rossieli Soares da Silva, do secretário de Segurança, general João Camilo Pires de Campos, e do comandante da PM, o coronel Salles. Doria disse que estava “muito impactado”.

“Foi a cena mais triste que já assisti em toda a minha vida. Fico muito triste que um fato como este ocorra em São Paulo, ocorra no Brasil. Estou consternado, chocado”, afirmou o governador.

“A cena mais triste que eu já assisti em toda a minha vida”, diz João Dória

Atendimento a vítimas e famílias

O Corpo de Bombeiros e equipes do Samu estão no local. Bombeiros de Mogi das Cruzes também foram chamados, às 9h50, para apoiar o atendimento. O helicóptero Águia, da PM, sobrevoou a escola. Toda a polícia de Suzano está mobilizada no caso.

A prioridade agora é identificar as vítimas e avisar as famílias, segundo as autoridades.

A Prefeitura de Suzano informou que as equipes da Defesa Civil, do Trânsito, da Segurança Cidadã, da Assistência Social e do Fundo Social de Solidariedade estão dando suporte no local para as famílias.

A Associação Cultural Suzanense, o Bunkyo, localizado na avenida Armando Salles de Oliveira, Centro, será ponto de acolhida para familiares, enquanto aguardam informações, e também para receber a imprensa.

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