Espetáculo de dança ENDLESS, criação do coreógrafo brasileiro radicado em Portugal, Henrique Amoedo estreia em Goiânia

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Após seis meses de trabalho, com escolas e instituições goianas voltadas para pessoas com deficiência, estreia em Goiânia a remontagem do espetáculo português ENDLESS, reunindo um elenco de aproximadamente 60 dançarinos goianos (com e sem deficiência) e 5 bailarinos do grupo português Dançando com a Diferença (Madeira/Portugal). As apresentações ocorrem dias 19 e 20 de junho, no Teatro do ITEGO Basileu França (Av. Universitária, 1750, St. Universitário). A entrada é gratuita.

O coreógrafo brasileiro, radicado em Portugal, Henrique Amoedo esteve em Goiânia no mês de janeiro, para iniciar esse processo de criação e remontagem. Ele veio ao Brasil para, junto à coordenadora brasileira do projeto, Marlini Dorneles, formar os núcleos de ensaio, que a partir daí seriam acompanhados por ela, pessoalmente, e por Henrique, à distância. Agora em junho o criador volta ao Brasil para acompanhar esta, que a estreia da primeira remontagem brasileira desse trabalho de dança inclusiva.

O coreógrafo Henrique Amoedo, que também é criador dos grupos de dança contemporânea Roda Viva Cia de Dança, do Rio Grande do Norte, e Grupo Dançando com a Diferença, de Madeira/Portugal, trabalha com dança inclusiva há mais de 20 anos e protagoniza esse projeto de formação e criação artística, com foco na participação de pessoas com deficiência. O Projeto “Dançando com a Diferença: arte, inclusão e comunidade” conta com recursos do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás e está vinculado à Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Goiás.

O trabalho de encontros, workshops, estudos e remontagem da obra, com mão de obra goiana, têm acontecido em Goiânia desde o mês de janeiro, e reuniu instituições como: Centro Brasileiro de Reabilitação e Apoio ao Deficiente Visual (CEBRAV); Associação dos Surdos de Goiânia – Centro Especial Elysio Campos; APAE Goiânia; Curso de Dança da Universidade Federal de Goiás – UFG; Associação PESTALOZZI de Goiânia.

Familiares que se unem pela arte

Segundo a coordenadora local do projeto, Marlini Dorneles, o processo de remontagem do ENDLESS aqui em Goiânia, que começou no início deste ano, está sendo muito intenso, com muita aprendizagem e com muito apoio das famílias e das instituições que trabalham com pessoas com deficiência. No total, a equipe é formada por cerca de 60 pessoas, incluindo músicos e artistas de Goiânia e os 5 bailarinos portugueses, que vêm ao Brasil, especialmente para este projeto. Neste processo, Marlini destaca a participação e pais e familiares dos dançarinos com deficiência, sobre isso ela comenta: “Se antes as mães e pais destas pessoas ficavam na plateia apenas assistindo o desenvolvimento de seus filhos e filhas, agora eles e elas também são protagonistas, e estão no palco, como parceiros que são na vida.”.

ENDLESS – Sem fim

Ainda segundo Marlini, o espetáculo ENDLESS veio para reforçar a possibilidade de se fazer uma dança inclusiva, sem perder de vista a proposta estética e poética da criação. A tradução de ENDLESS é “Sem fim”, e o nome remete às lutas diárias das pessoas com deficiência ou aquelas consideradas diferentes em nossa sociedade. A criação volta à Segunda Guerra Mundial, quando milhares de pessoas “diferentes” foram exterminadas. Então o trabalho fala da busca pela igualdade de direitos, fala de representatividade, de liberdade e de autonomia. E o espetáculo faz isso não só como representação, mas como prática.

Sobre o processo de criação com pessoas supostamente diferentes, Marlini comenta: “Eu ouso dizer que em nenhum outro projeto de Goiânia nós conseguimos contemplar tanta diversidade no palco, com um objetivo artístico. Porque este é um projeto que perpassa o educacional, o terapêutico, mas seu fim é artístico. Então o que a gente vai mostrar no palco são 60 pessoas com uma diversidade muito grande. Mostrando que dá certo. Que tem ali um trabalho criativo importante e representativo. E saber que essa é a primeira remontagem desse trabalho, que já circulou por toda a Europa, é algo de muita responsabilidade. O que nos deixa extremamente orgulhosos.”

Acessibilidade também para a plateia

Além do espetáculo ENDLESS ter em seu corpo de baile os dançarinos com deficiências, é importante ressaltar que as formas de acessibilidade para o público também estão previstas. Existe um núcleo de acessibilidade do projeto, formado por pesquisadores goianos, cujo trabalho está sendo justamente o de criar formas de dar ao público o mais amplo e irrestrito acesso, independente de sua condição física. Portanto, o público também irá contar com elementos de tradução para sua visibilidade, audição e entendimento.

Serviço:

Estreia do espetáculo ENDLESS (Grupo Dançando com a Diferença e elenco goiano de 50 pessoas)

Datas:

– 19 de junho – 20h

– 20 de junho – 15h e 20h

Local: Teatro Basileu França (Av. Universitária, 1750, St. Universitário)

Entrada gratuita

– Realização: Projeto Dançando com a diferença + Grupo Dançando com a diferença

– Apoio: ITEGO em artes Basileu França e Centro Cultural da UFG

– Parceria: Procena Mecanismos de Acessibilidade

– Apresentação: Fundo de Arte e Cultura de Goiás – Seduce – Governo de Goiás