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Hungria tem eleições legislativas neste domingo com premiê Viktor Orban favorito para reeleição

A Hungria vai às urnas neste domingo (8) para renovar seu Parlamento de 199 assentos. As pesquisas apontam uma vantagem de 20 a 30 pontos para o partido conservador Fidesz, do primeiro-ministro nacional-conservador Viktor Orban, de acordo com a agência France Presse. Orban é considerado um dos governantes mais polêmicos da Europa.

O Fidesz deve vencer os partidos Jobbik, nacionalista de direita, e o Socialista, além dos pequenos partidos verdes e de esquerda.

Com a vitória do Fidesz, Viktor Orban deve obter seu terceiro mandato de 4 anos consecutivo e, assim, consolidar na Hungria um poder “iliberal” que transformou profundamente o país. Orban diz que quer tornar “irreversíveis” as mudanças aprovadas desde que voltou ao governo, em 2010.

Orban, de 54 anos, assumiu o conceito de “iliberalismo”, uma forma de governar que restringe certas liberdades em nome do interesse nacional. Seu discurso de defesa de uma “Europa cristã” ameaçada pela “invasão migratória” o transformou em ídolo da direita radical europeia, da AfD na Alemanha até a Frente Nacional de Marine Le Pen na França.

Por outro lado, Orban é detestado pelos que o acusam de uma guinada autoritária. Seus 8 anos de governo foram marcados por iniciativas percebidas como provocadoras pelos defensores dos direitos humanos e seus parceiros europeus .

Oposição tenta espaço

A oposição sonha em capitalizar o cansaço de parte dos eleitores ante as críticas de Orban contra o bilionário Georges Soros e a “ameaça” migratória, duas obsessões de sua campanha.

O entorno de Orban foi alvo de acusações de corrupção, o que permitiu ao partido de extrema-direita Jobbik – superado pela retórica cada vez mais nacionalista do governo – apresentar-se como o partido com as “mãos limpas”.

Em fevereiro, o partido de Orban foi derrotado em uma eleição parcial municipal, quando a oposição se uniu ao redor de um candidato único. Mas nacionalmente esta aliança é considerada inconcebível, o que mantém as portas abertas a Orban.

Na Hungria, os eleitores devem depositar dois votos, um para os candidatos de seu distrito e outro para uma lista partidária. O Jobbik está incentivando que seus apoiadores votem taticamente no candidato da oposição de cada distrito que tem a chance maior de evitar a vitória do Fidesz.

“As pessoas não devem votar em seus partidos ou candidatos preferidos, mas no que tem as maiores chances”, disse o líder do Jobbik, Gabor Vona.

Com um crescimento de 4% em 2017 e um desemprego em queda constante (3,8% em dezembro), a Hungria desfruta hoje de um inegável dinamismo econômico. É um dos principais beneficiados pelos recursos europeus, que ajudaram o país a recuperar o dinamismo econômico.

Veja 4 polêmicas do governo de Viktor Orban:

1. Reforma de leis

Logo após voltar ao poder em 2010, Orban embarcou em uma vasta revisão constitucional, promulgando centenas de leis e enfatizando valores do “cristianismo” e da “família tradicional” em todos os setores- imprensa, justiça, economia, cultura.

Suas reformas aumentaram o controle do governo sobre a justiça e cimentaram o poder do partido Fidesz de Orban em todas as instituições. Uma autoridade para o controle da mídia foi criada. Ela pode sancionar órgãos de imprensa por transmitir informações “não substanciadas”.

Seus defensores alegam que ele criou um novo marco jurídico e apagou os vestígios do comunismo. Os opositores, no entanto, consideram que as reformas atentam contra o Estado de direito e significam um retrocesso dos valores democráticos.

Washington expressou preocupação com a “situação da democracia na Hungria”, enquanto a Comissão Europeia iniciou processos contra Budapeste por leis que ameaçam uma universidade húngara financiada pelo bilionário Georges Soros e que reforçam o controle sobre as organizações da sociedade civil.

2. Controle do Banco Central

Autoproclamado defensor de uma economia “não-liberal”, Viktor Orban também assegurou o controle de fato do Banco Central (MNB). Os ataques contra a independência da instituição levaram, no final de 2011, a uma suspensão das negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O governo adotou então uma série de leis aumentando a tributação sobre os grandes bancos, todos estrangeiros. Após o aumento do franco suíço em 2015, impôs uma taxa de câmbio favorável aos muitos indivíduos húngaros que haviam feito empréstimos nessa moeda.

3. Cortina de ferro e xenofobia

Cerca de arame farpado contorna a fronteira da Hungria com a Croácia perto da cidade húngara de Sarok (Foto: Bernadett Szabo/Reuter)

Cerca de arame farpado contorna a fronteira da Hungria com a Croácia perto da cidade húngara de Sarok (Foto: Bernadett Szabo/Reuter)

Ele se opõe ao plano de distribuição de refugiados da UE adotado pelos 28 países membros e organizou um referendo sobre essa questão em outubro de 2016. O “não” à recepção dos migrantes venceu, mas a consulta não atingiu a participação necessária para ser validada.

Toda a campanha de Viktor Orban para as eleições legislativas concentrou-se na “ameaça vital” representada pela “invasão migratória”.

Viktor Orban também ajudou a reativar a aliança regional do grupo de Visegrad, cujos membros – Hungria, Polônia, República Tcheca, Eslováquia – estão unidos por sua hostilidade à imigração e desempenham regularmente o papel de encrenqueiros da UE.

4. A obsessão Georges Soros

Viktor Orban atacou o bilionário americano de origem húngara Georges Soros, elevado nos últimos meses ao status de inimigo número um. De acordo com o Orban, Georges Soros quer inundar a Hungria e a Europa com imigrantes muçulmanos e africanos, e as organizações que ele financia – incluindo a prestigiosa Universidade da Europa Central em Budapeste – são apenas uma maneira de conseguir isso.

No verão de 2017, o rosto do financista ladeado por advertências à população estampou toda a Hungria e “questionários” contra Soros foram enviados para todas as casas. Um novo projeto de lei intitulado “Stop Soros” quer tornar a vida ainda mais difícil para as ONGs.

Esta campanha foi particularmente criticada por seus traços de antissemitismo, com Orban apresentando George Soros, de origem judaica, como uma figura da “elite global” e dos especuladores “sem pátria”.

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