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Longe das metas, Doria deixa cargo 1.000 dias antes do fim do mandato

Após 15 meses no cargo e seguidas promessas de que permaneceria até 31 de dezembro de 2020, o prefeito João Doria (PSDB), 60, deixará a Prefeitura de São Paulo nesta sexta (6) com mil dias de mandato em aberto e distante de suas principais promessas.

Em reunião fechada com seus secretários, Doria entregará as chaves de seu gabinete, no 5º andar do edifício Matarazzo, no centro, para seu vice, Bruno Covas (PSDB), 37.

© Nacho Doce / Reuters

Eleito no primeiro turno com 53,29% dos votos válidos, o tucano sai agora da prefeitura para disputar a eleição ao governo do estado.

Os 460 dias de gestão Doria foram intensos, mas nem todos eles dedicados à cidade. Foram dias de agendas lotadas, reuniões, visitas a bairros do centro e da periferia, mas também de viagens pelo país para engatar um projeto presidencial que acabou frustrado e ajudou a derrubar sua popularidade nas pesquisas.

Já as principais promessas ficarão agora nas mãos de Bruno Covas, como a de emplacar uma série de concessões e privatizações de equipamentos públicos.

Até agora, nenhuma delas se efetivou. As vendas do autódromo de Interlagos e do complexo do Anhembi seguem travadas pelos vereadores, e a concessão dos cemitérios aguarda há seis meses liberação do TCM (Tribunal de Contas do Município).

Já os editais de parques e mercados, por exemplo, estão em fases mais adiantadas.

Na área da educação, por exemplo, Doria não alcançou sua principal meta, a de zerar a fila para creches em um ano.

Essa promessa depois foi ajustada para 65 mil vagas até março, mas só 27,5 mil foram criadas. Nessa área, no entanto, Doria conseguiu alguns avanços, como a criação do currículo municipal, o fim da fila da pré-escola e a revisão do programa Leve Leite.

ZELADORIA

O prefeito culpa a herança de problemas financeiros dos cofres municipais e algumas questões burocráticas para promessas não cumpridas em sua gestão (leia texto ao lado).

Uma das principais críticas que o tucano fazia à gestão anterior, de Fernando Haddad (PT), era em relação à zeladoria. Ele chegou a chamar a cidade de “lixo vivo”. Ao assumir o cargo, vestiu-se de gari e apostou suas fichas na aparência da capital. Mas o plano não decolou, com ruas esburacadas, semáforos apagados e praças descuidadas.

O prefeito então trocou parte da equipe e mirou no recapeamento de vias, que ganhou espaço em propagandas pagas da prefeitura. O orçamento do programa Asfalto Novo, de R$ 550 milhões, é mais do que a expectativa de investimentos nas áreas de saúde ou educação neste ano.

Nesses 15 meses, Doria teve êxito com o fim da fila para parte dos exames médicos por meio do programa Corujão. O Carnaval de rua cresceu e ficou mais bem organizado.

A cidade passou também a ter mais agilidade na abertura de empresas virtualmente (em até 5 dias, contra um prazo médio anterior de 126 dias) e na digitalização de procedimentos municipais, reduzindo custos com papel (hoje 75% dos processos são autuados virtualmente e a expectativa é de 100% até setembro).

IMPULSO

A impulsividade foi uma marca de Doria nesses 15 meses. O episódio da farinata foi o mais notório. Sem consultar secretários, anunciou a ideia de distribuir o granulado alimentar a famílias pobres.

Diante da repercussão negativa, convocou uma entrevista para consertar o anúncio anterior, mas se complicou ainda mais ao sugerir a farinha na merenda das escolas e para distribuí-la à população carente. Teve de recuar de novo e abandonar a proposta.

Doria em diferentes momentos foi acusado de agir em benefício próprio, como no uso do símbolo do programa Cidade Linda (o que motivou ação judicial da Promotoria) e quando decretou que seria beneficiado com segurança pessoal paga pela prefeitura mesmo após deixar o cargo (medida da qual recuou após repercussão negativa).

Um dos pontos mais sensíveis foi a cracolândia. Em maio do ano passado, foi surpreendido por ação policial do governo Geraldo Alckmin (PSDB) que prendeu traficantes e desobstruiu vias no centro que estavam sob domínio de uma facção criminosa.

Com isso, o plano municipal para a área teve de ser antecipado às pressas, o que provocou uma dispersão de usuários. O fluxo de viciados concentrados num único lugar da região central caiu, mas o problema segue em diferentes pontos da cidade.

Por meio de doações de empresários, Doria abriu novos espaços para abrigar moradores de rua. Em sua maioria, são imóveis adaptados por meio de obras custeadas por empresas para receber quartos coletivos, banheiros, cozinha, lavanderia e espaços de convivência. Alguns foram inaugurados incompletos e às pressas nos últimos meses.

Outro programa voltado à população de rua, o Trabalho Novo, se apoiou na parceria com a iniciativa privada para criar vagas de emprego para sem-teto. Até dezembro, 1.600 vagas haviam sido criadas -a meta inicial era de 20 mil vagas no primeiro ano de gestão.

A tentativa de viabilizar melhorias públicas por meio de empresas foi valorizada pela gestão. Doria passou a pedir doações a empresários de diferentes setores, de banheiro químico para ruas a motos para a fiscalização do trânsito.

Mas nem tudo vingou ou foi feito de forma transparente. Algumas doações prometidas não se concretizaram, e outras só foram registradas após anúncios do prefeito. Com informações da Folhapress.

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