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Marconi Perillo depõe nesta quarta-feira na PF que investiga pagamento de propina da Odebrecht, em Goiânia

O ex-governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), vai prestar depoimento à Polícia Federal na quarta-feira (10) na sede da corporação em Goiânia. Ele será ouvido sobre a Operação Cash Delivery, que investigou o pagamento de propina para suas campanhas eleitorais. Cinco pessoas foram presas durante as investigações.

Segundo o advogado de Marconi, Antônio Carlos Almeida, conhecido como Kakay, o depoimento está marcado para o período da tarde e não há possibilidade de prisão. O defensor explicou ainda que já conseguiu duas liminares relativas à operação concedendo a liberdade para os investigados que tinham sido presos.

A data do depoimento foi marcada após a defesa de Marconi pedir à Polícia Federal que o político fosse ouvido após as eleições. Perillo disputava o cargo de senador, mas recebeu apenas 416.613 votos e não foi eleito.

A operação foi feita no dia 28 de setembro e cumpriu mandados em endereços ligados a Marconi Perillo. Foram presos Jayme Rincón, o filho dele, Rodrigo Godoi Rincón, Márcio Garcia de Moura – policial militar e motorista de Rincón –, o empresário Carlos Alberto Pacheco Júnior e o advogado Pablo Rogério de Oliveira.

Até a manhã de sábado (6), apenas Márcio Garcia seguia preso.

Jayme Rincón, que é ex-presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) e foi coordenador financeiro de campanha eleitoral em 2010. Em depoimento, ele confirmou que “recursos” para campanhas eleitorais de candidatos aliados foram entregues pela Odebrecht a seus motoristas no apartamento que o investigado tem em São Paulo.

Na ocasião ele também disse que esses valores eram “destinados, em sua maioria, para campanhas de candidatos aliados” e que “parte dos valores era oficializado com ajuda de empresas parceiras” – o que pode configurar lavagem de dinheiro, de acordo com a PF. O preso disse ainda que “todo o montante destino à campanha de Marconi Perillo foi legalizado”.

Escutas da Polícia Federal presentes no inquérito que culminou na Operação Cash Delivery, também obtidos pela TV anhanguera, mostram um diálogo que, segundo a corporação, revela a entrega de R$ 1,2 milhão em propina da Odebrecht para campanhas de Perillo em 2010 e 2014.

Outro documento, obtido pela TV Anhanguera, mostra que o empresário Carlos Alberto Pacheco Júnior, também preso na mesma operação, confirmou à Polícia Federal que prestou serviços a uma empresa onde, segundo as investigações, foram entregues R$ 1,8 bilhão da Odebrecht. Na ocasião, ele também disse nunca ter recebido nenhuma quantia ilícita da empreiteira.

Jayme Rincón sorri ao ser solto, na sede da Polícia Federal, em Goiânia — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Jayme Rincón sorri ao ser solto, na sede da Polícia Federal, em Goiânia — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Investigações

No inquérito consta que Marconi, ao solicitar os valores para suas campanhas, se mostrava favorável às demandas da Odebrecht em Goiás, como, por exemplo, na construção do VLT, que não saiu do papel, além de obras de esgoto no Entorno do Distrito Federal.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Perillo, quando ainda era senador e depois como governador, pediu e recebeu propina para favorecer a Odebrecht em contratos e obras. Os valores, segundo as investigações, foram de R$ 2 milhões em 2010 e R$ 10 milhões em 2014.

Na denúncia, Marconi Perillo é citado como líder do esquema. Jayme Rincón é apontado como braço-direito do ex-governador, responsável pela entrega do dinheiro solicitado pelo político. O filho de Jayme, Rodrigo Rincón, teria colaborado diretamente com o recebimento do dinheiro, tendo sido beneficiário de parte dos pagamentos.

Além disso, os policiais militares Sergio Rodrigues de Souza (falecido) e Márcio Garcia de Moura teriam transportado o dinheiro conforme pedidos de Marconi, assim como Pablo Rogério de Oliveira e Carlos Alberto Pacheco Junior.

Ao todo, foram cumpridos 14 de busca e apreensão. A ação ocorreu em cinco cidades – Goiânia (GO), Pirenópolis (GO), Aruanã (GO), Campinas (SP) e São Paulo (SP). Foram apreendidos R$ 80 mil na casa de Jayme Rincón. Outros R$ 940.260, na casa do motorista dele.

De acordo com as investigações, a propina era entregue em dinheiro em espécie e transportada em malas e mochilas. O MPF apontou que houve ao menos 21 entregas do dinheiro irregular em 2014 feitas a mando da Odebrecht para favorecer Perillo.

Dinheiro apreendido com motorista de Jayme Rincon na operação Cash Delivery — Foto: Reprodução

Dinheiro apreendido com motorista de Jayme Rincon na operação Cash Delivery — Foto: Reprodução

Veja o que dizem os citados

  • Odebrecht

A empresa informou, por meio de nota, que “continua colaborando com a Justiça e reafirma o seu compromisso de atuar com ética, integridade e transparência”.

  • Marconi Perillo

“A Defesa do Governador Marconi vem reafirmar que ele está e sempre esteve à disposição para esclarecer tudo relacionado à investigação e, a pedido da defesa, a delegada responsável marcou depoimento para logo após a eleição. O Governador não irá depor antes das eleições pois entendemos que a deflagração da operação na reta final da campanha eleitoral teve claro sentido eleitoreiro e o objetivo de provocar ataques e injusta perseguição política a Marconi. Ressalta a Defesa que os fatos objetos da delação da Odebrecht – delação já conhecida há mais de 1 ano – dizem respeito a pretensas doações para as campanhas de 2010 e 2014, ou seja, fatos antigos e em nada relacionados à campanha de 2018. Além disso, não existe qualquer hipótese de propina ou corrupção na investigação, apenas doações para campanhas. E a defesa está muito segura a respeito e fará o necessário enfrentamento técnico do caso. A questão deve ser tratada e resolvida juridicamente na Justiça Eleitoral. O uso de fatos alegadamente ocorridos há 8 anos e 4 anos em plena campanha eleitoral revela o verdadeiro intuito da Operação, que provocou uma ilegal e indevida perseguição política ao Governador que, como não poderia deixar de ser, está à disposição das autoridades e, como cidadão, é o maior interessado em esclarecer os fatos. A defesa alerta, há muito tempo, para os riscos de uma espetacularização do processo penal e da criminalização da política, que ataca e ofende pessoas de bem e comprometidas com o país. A democracia exige serenidade e responsabilidade. Ninguém está acima da lei, mas todo cidadão, político ou não, tem o direito de ver respeitada a Constituição da República, que garante a qualquer um o devido processo legal, a presunção de inocência, a ampla defesa e um julgamento justo.” Kakay

  • Jayme Rincón

A Defesa do Jayme Rincón, constituída especialmente para o HC, desde o início da deflagração da Operação Cash Delivery, sustenta que a operação tem cunho eleitoreiro. A prova disto é que uma delação já há muito conhecida, a da Odebrecht, que aponta pagamentos de caixa dois nas campanhas de 2010 e 2014, foi o fundamento das prisões. É evidente a falta de contemporaneidade que possa justificar uma medida tão grave como a supressão da Liberdade. Ninguém está acima da lei e a Defesa não tem nenhuma preocupação com a investigação. Mas o uso abusivo da prisão em um momento pré-eleitoral é extremamente grave e tende a desestabilizar o necessário equilíbrio nas eleições. A decisão do TRF começa a resgatar a verdade e a devolver ao eleitor de Goiás a autonomia para decidir o seu destino. Desde o início a Defesa afirmou que a prisão era injusta, extemporânea e ilegal. A espetacularização do processo penal não serve para o estado democrático de direito. Kakay

  • Márcio Garcia de Moura

Nem o policial militar Márcio Garcia de Moura nem o advogado dele quiseram comentar o assunto durante a audiência de custódia.

Em nota, a assessoria de comunicação social da Polícia Militar informou que “todas as providências legais serão adotadas em decorrência da operação desencadeada pela Polícia Federal no tocante ao possível envolvimento e prisão de um integrante da Polícia Militar”.

  • Pablo Rogério de Oliveira

A defesa do ex-policial militar e advogado Pablo Rogério de Oliveira disse que também não tem conhecimento dos autos, mas pedirá a liberdade provisória do investigado. “Ele tem todos os requisitos para responder em liberdade, não causa prejuízo ao processo. Tem também a questão da lei eleitoral, que protege eleitores e candidatos”, afirmou o advogado José Coelho de Oliveira.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Goiás disse que foi informada da prisão.

“A Ordem tem por regra acompanhar toda ocorrência envolvendo seus inscritos por meio de sua Comissão de Direitos e Prerrogativas. Antes de tudo, para assegurar o respeito às suas prerrogativas profissionais. Depois, para certificar-se de que será punido em caso de comprovação de culpa, observando sempre o devido processo legal, contraditório e amplo direito de defesa, garantias que assistem a todo cidadão, não apenas aos advogados”.

  • Carlos Alberto Pacheco Júnior

O empresário negou, durante audiência de custódia, envolvimento com o esquema.

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