Michel Temer aproxima do PSDB após críticas do partido

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O presidente em exercício Michel Temer convidou o senador Aécio Neves (MG) e a cúpula tucana no Congresso para um jantar nesta quarta-feira (17) no Palácio do Jaburu. O encontro é uma tentativa de diminuir os desgastes com o PSDB. A escalada de críticas dos tucanos à equipe econômica, liderada pelo ministro Henrique Meirelles (Fazenda), e ao fato de o governo ceder em negociações que envolvem o ajuste fiscal, tem causado desconforto ao Palácio do Planalto.

Moreira Franco, secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e um dos mais próximos conselheiros de Temer, rebateu críticas dos tucanos a Meirelles. Segundo ele, “a experiência mostra não ser recomendável transformar o ministro da economia em vítima de manipulação eleitoral”.

O presidente interino quer aproveitar a conversa com lideranças do PSDB para pedir apoio dos deputados e senadores ao Ministro da Fazenda. Para o Planalto, as críticas têm atrapalhado a aprovação das “importantes medidas” em tramitação no Congresso e consideradas “fundamentais” para a retomada do crescimento e da economia.

O governo quer evitar que a antecipação do debate sobre a eleição presidencial de 2018 contamine todo este processo. Michel Temer tem reiterado que não será candidato na próxima eleição, a fim de amenizar as desconfianças no principal partido aliado do governo interino.

O fato de Meirelles ser também um potencial candidato à Presidência em 2018 foi identificado pelo Planalto como o principal incômodo do PSDB com o titular da Fazenda. Contudo, o governo considera que uma eleição vitoriosa para qualquer aliado só se tornará viável se o combate à inflação tiver sucesso, levando à retomada do crescimento e dos empregos. Portanto, é preciso aprovar as medidas de ajuste no Congresso.

Temer quer aproveitar a conversa com lideranças do PSDB para pedir apoio dos deputados e senadores a Meirelles
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo – 20.6.16

Temer quer aproveitar a conversa com lideranças do PSDB para pedir apoio dos deputados e senadores a Meirelles

Durante a discussão das medidas de renegociação da dívida dos Estados e até a aprovação de aumento salarial para várias categorias, Meirelles já havia sido alvo de críticas dos tucanos. De acordo com alguns líderes do PSDB, o governo e o ministro da Fazenda estavam cedendo demais aos partidos da base aliada em pontos que consideravam fundamentais para o ajuste.

Michel Temer pretende dizer aos tucanos que é importante para todos que queiram disputar a eleição de 2018 concentrar suas forças na busca pelo entendimento em torno do governo que se formou a partir do processo de impeachment.

“Erro”

Temer vai repetir que foi “um erro” a antecipação do debate das eleições de 2018 trazido por Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara. Os tucanos têm ao menos três nomes como presidenciáveis: o presidente do partido, Aécio Neves; o ministro das Relações Exteriores, José Serra e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Por causa de votações no Congresso, o jantar previsto para esta quarta-feira já foi desmarcado duas vezes. A ideia do Planalto é que o encontro ocorra depois da aprovação da Desvinculação das Receitas da União (DRU).

* Com informações do Estadão Conteúdo