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MP designa equipe para acompanhar investigação de tiroteio entre policiais de MG e SP

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) designou uma equipe para acompanhar o procedimento investigatório sobre o tiroteio entre policiais civis mineiros e paulistas em Juiz de Fora na última sexta-feira (19). O policial civil de Juiz de Fora Rodrigo Francisco morreu, seis pessoas foram presas e um segue internado em estado grave sob escolta.

Na operação foram apreendidos mais de R$ 14 milhões – a maioria em nota falsas – em um dos carros relacionados ao grupo que estava no estacionamento do hospital onde ocorreu o crime. Os depoimentos até agora apontam que, além dos policiais, a negociação envolveu empresários de empresa de segurança e doleiros que estavam no local.

O ato assinado pelo procurador-geral de Justiça, Darcy de Souza Filho, foi publicado no Diário Oficial Eletrônico do MPMG desta terça-feira (23). De acordo com o texto, a equipe será formada pelos promotores de Juiz de Fora Juvenal Martins Folly e Cleverson Raymundo Sbarzi Guedes e por três integrantes do Grupo Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a procuradora Cássia Virgínia Serra Teixeira Gontijo, coordenadora e os promotores Rodrigo Gonçalves Fonte Boa e Luiz Felipe de Miranda Cheib.

G1 entrou em contato para saber por que o MPMG optou em acompanhar o caso com uma comissão específica, quais são os primeiros procedimentos, entre outros questionamentos e aguarda resposta.

Segundo Policia Civil, os cerca de R$ 15 milhões, a maioria em notas falsas, pertence a um estelionatário, que é um dos feridos internado em Juiz de Fora — Foto: Augusto Medeiros/G1

Segundo Policia Civil, os cerca de R$ 15 milhões, a maioria em notas falsas, pertence a um estelionatário, que é um dos feridos internado em Juiz de Fora — Foto: Augusto Medeiros/G1

Investigação

Quatro policiais de São Paulo foram presos por lavagem de dinheiro; um homem de 42 anos foi preso por homicídio e um idoso de 66 por estelionato tentado. Além das malas com dinheiro, foram apreendidos armas, cartuchos, carros e distintivos.

Em depoimento de quase quatro horas à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, na tarde de segunda-feira (22), o empresário Flávio de Souza Guimarães negou que tenha levado dólares para trocar por R$ 15 milhões no estacionamento de um hospital particular. Ele disse que o objetivo era negociar um empréstimo para a empresa dele. Como garantia, ofereceria imóveis em São Paulo.

O empresário acrescentou que fugiu antes da confusão e que só soube em São Paulo do tiroteio que vitimou Rodrigo Francisco.

O caso segue em apuração na Delegacia de Homicídios de Juiz de Fora. De acordo com a assessoria da Polícia Civil de Minas Gerais, não serão repassadas informações até a conclusão do inquérito.

Também está em andamento a apuração das atuações dos policiais na Corregedoria da Polícia Civil mineira.

Já a Secretaria da Segurança Pública (SSP) disse que aguarda a apuração do caso e que, se comprovados os desvios de conduta, os policiais envolvidos responderão administrativa e criminalmente, de acordo com os atos praticados por cada um.

Nesta terça-feira, a Ouvidoria da Polícia de São Paulo pediu à Polícia Federal (PF) para investigar o confronto entre policiais paulistas e mineiros.

“Considerando que a apuração trabalha com indícios de vários crimes” e “esta ocorrência envolvem policiais de dois estados da federação”, “venho (…) solicitar (…) que a Polícia Federal acompanhe as investigações no estado de São Paulo e no estado de Minas Gerais”, escreveu o ouvidor Benedito Domingos Mariano em ofício encaminhado ao superintendente da PF em SP, Disney Rossetti. Procurada, a PF informou que o superintendente não vai se pronunciar porque ainda não está a par do assunto.

Enquanto a investigação segue em curso, os dois delegados e os dois investigadores de São Paulo presos por lavagem de dinheiro estão no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

E Antônio Vilela, apontado como doleiro e responsável pelos mais de R$ 14 milhões, foi preso pelo crime de estelionato tentado e está no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) de Juiz de Fora.

Com relação ao ferido no tiroteio, o dono de uma empresa de segurança, Jerônimo da Siva Leal Júnior, segue internado e teve a prisão por homicídio confirmada na audiência de custódia. Ele está em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Monte Sinai com acompanhamento da Central de Escolta de Juiz de Fora (Ciesp).

Histórico do caso

G1 e o MGTV tiveram acesso à ata de audiência de custódia, onde constam infromações sobre a investigação dos fatos que levaram ao tiroteio no estacionamento.

De acordo com o apurado na investigação e a denúncia encaminhada pelo Ministério Público, Flávio de Souza Guimarães saiu de São Paulo para Juiz de Fora na sexta-feira com 12 pessoas – entre elas nove policiais civis e Jerônimo da Silva Leal Júnior, que é dono de uma empresa de segurança com sede na capital.

Os outros dois acompanhantes foram um homem apontado como dono de empresas no exterior e um homem que ainda não foi identificado. Parte do grupo chegou à cidade de jato fretado. Já os policiais foram em dois veículos.

Segundo os relatos que constam no processo, se tratava de uma “escolta VIP” com o objetivo de trocar dólares por reais com o empresário mineiro Antônio Vilela, que também estaria sendo escoltado, mas por policiais civis mineiros.

As negociações começaram no lobby do hotel próximo ao hospital e terminou no estacionamento.

Segundo a investigação, os tiros começaram por causa de um “desacerto”, quando foi detectado que a maior parte do dinheiro, equivalente a R$ 14 milhões, era falso. E ainda conforme a análise do juiz, relatos das testemunhas colocam em xeque a versão apresentada pelos policiais mineiros.

A Justiça também apontou que as malas com o dinheiro estavam em um veículo com placas de Belo Horizonte no estacionamento, “cujo proprietário nao constou do boletim de ocorrência”.

A suspeita inicial é a de que Jerônimo, que estava com a mala de dinheiro falso, atirou no policial, que revidou. A Justiça diz, porém, que só a perícia em todas as armas poderá esclarecer quem atirou, porque os depoimentos das testemunhas apontaram que foram feitos muitos disparos.

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