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Pais temem fechamento de Cmeis em Divinópolis

escolaaa_02é que não haja estrutura para receber crianças em escolas.
Mais de 150 crianças devem ser transferidas, segundo a Prefeitura.

Quase 150 crianças podem ser remanejadas de dois Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) em Divinópolis. A decisão foi tomada na semana passada, após reuniões entre as unidades e a Secretaria de Educação, que deve adotar a medida a fim de fazer ajustes financeiros.

A proposta da Secretaria de Educação é que em Divinópolis não haja Centros de Educação Infantil com menos de 100 alunos, por isso a medida poderá ser adotada. O secretário adjunto de Educação, João Renato de Souza, se reuniu nesta terça-feira (7) com os pais e profissionais do Cemei Rafael Nunes, e se comprometeu em levar as reivindicações dos pais até a Secretaria de Educação. Uma reunião entre representantes da Prefeitura e representantes do Cemei Maria Lúcia Gregório, está marcada para esta quarta-feira (8), segundo a direção da unidade.

Mas a possibilidade de fechamento provocou insatisfação entre os pais. Eles alegam que as novas unidades, as quais os alunos devem ser transferidos, não têm estrutura adequada.

Os Cmeis que poderão ter as atividades encerradas ficam nos bairros Terra Azul e Santa Lúcia. Além do objetivo de cortar gastos, a outra justificativa da secretária de Educação, Rosemary Lasmar, é que as unidades serão desativados pela baixa quantidade de alunos.

“O Cmei Maria Lúcia Gregório tem 66 alunos e o Cmei Rafael Nunes 80. Essas adequações se fazem necessárias para a economia no orçamento da educação. Fizemos um estudo para que as crianças não sofram perda da qualidade”, ressaltou.

O impressor André Santos Guimarães é pai de uma criança de cinco anos que estuda no Cmei Rafael Nunes e, segundo ele, o maior receio é a transferência da filha para uma escola onde estudam adolescentes.

“Eu não vou permitir que minha filha estude com adolescentes. Além disso, o remanejamento deve ser feito para um local mais longe e eu não tenho condições de levá-la até a nova escola”, reclamou.

A secretária de Educação disse ainda que os alunos serão encaminhados para escolas perto do local onde funcionam as unidades escolares. As crianças do Cmei Maria Lúcia Gregório, do Bairro Terra Azul serão transferidas para a Escola Municipal Antonieta Fonseca. Já quem estuda no Cmei Rafael Nunes será encaminhado para as escolas Antônio Severino de Azevedo e Evelina Greco.

A representante do Conselho dos pais do Cemei Rafael Nunes, Flávia de Oliveira, que também é mãe de uma aluna da unidade, alega que a transferência pode provocar prejuízos pedagógicos. “Essas crianças irão sair da rotina, de suas comunidades e irão para locais onde não conhecem, onde devem dividir espaço com adolescentes e a gente sabe que isso não é adequado. Criança precisa estudar com criança”, ressaltou.

O Cemei Maria Lúcia Gregório, do Bairro Terra Azul atende hoje 78 crianças, de dois a quatro anos de idade, e todo o espaço é adaptado, segundo a direção da unidade.

“As mesas, cadeiras, banheiros refeitórios, salas de aula, tudo está da maneira que tem que ser para atender crianças com essas idades. Se houver o remanejamento, as crianças vão para um lugar que não tem estrutura, onde estudam adolescentes. Não será um espaço ideal para recebê-las. Outro questionamento que faço é o que vão fazer com esse lugar? Se deixarem essa unidade vazia ela poderá virar ponto de tráfico”, disse a costureira Daiane de Sousa, que é mãe de uma aluna de quatro anos.

Ainda segundo a equipe do Conselho Escolar do Cmei, a justificativa da secretária de Educação quanto ao número insuficiente de alunos não é válida, pois as cinco turmas estão completas na unidade que funciona no bairro há 11 anos.

A exposição à vulnerabilidade das crianças do Cmei é a principal preocupação de Daniela Rocha, que também é mãe de uma aluna. “A gente sabe que existe uma vulnerabilidade que o espaço não é adequado e tudo isso preocupa a nós que somos mães. Minha filha tem quatro anos e estudar com adolescentes não vai ser adequado. Se houver mesmo o remanejamento minha filha não irá estudar na escola. Minha opção é procurar uma vaga em outro Cemei, mesmo que seja mais longe”, contou.

Novos locais
Segundo Helaine Ferreira Gonçalves, que é diretora da Escola Municipal Antonieta Fonseca, para onde os alunos do Cmei Maria Lúcia Gregório serão transferidos, a unidade já atende uma turma de educação infantil e, portanto, está apta a receber as 78 crianças remanejadas.

A reportagem do G1 esteve na escola para conhecer a estrutura do local e conversou com a direção.

No local há uma sala pronta para receber os alunos e outras duas serão adaptadas, além de adaptação também de dois banheiros. “Os pais não precisam ter receio quanto à estrutura da escola. Tudo será devidamente readequado para todas as idades e, além do mais, nenhuma criança será desassistida por falta de espaço físico”, disse.

Quanto ao receio dos pais sobre unir as crianças com adolescentes e pré-adolescentes, a diretora disse que isso não será um problema. “Primeiramente o recreio ocorrerá em horários diferentes. Em segundo lugar, temos cerca de dez profissionais para dar total apoio a essas crianças, além dos professores. Outro ponto positivo é que se tratando de uma comunidade onde todos são conhecidos, a maioria dos alunos que já estudam na escola são parentes e até irmãos das crianças que devem ser remanejadas”, completou.

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