PF apreende planilhas da Odebrecht com valores destinados a políticos

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A Polícia Federal encontrou planilhas que mostram doações feitas pela Odebrecht a mais de 200 políticos de 24 partidos.

Os documentos foram apreendidos na residência do presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva Junior, que foi preso temporariamente na 23ª fase da Operação Lava Jato e liberado posteriormente pela Justiça.

Políticos cujos nomes aparecem nas planilhas negam ter cometido irregularidades.

Planilha apreendida com presidente da Odebrecht Infraestrutura mostra doações a partidos políticos (Foto: Reprodução)
Planilha apreendida com presidente da Odebrecht Infraestrutura mostra doações a partidos políticos (Foto: Reprodução)

Nesta quarta-feira (23), depois de as planilhas terem sido divulgadas na imprensa, o juiz federalSérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato em primeira instância, determinou o sigilo sobre os documentos (leia mais ao final desta reportagem).

De acordo com as tabelas, os repasses foram feitos pela empreiteira para as campanhas municipais de 2012 e para as eleições de 2010 e de 2014. As planilhas foram apreendidas pela PF durante a 23ª fase da Operação Lava Jato, que teve como alvo principal o marqueteiro João Santana, que trabalhou em diversas campanhas do PT.

Não é possível, porém, afirmar que se tratam de doações legais de campanha ou feitas por meio de caixa 2, já que os documentos não detalham se os valores, de fato, foram repassados e se foram pagos em forma de doação oficial.

Nas tabelas que relacionam o nome de políticos, os valores repassados ultrapassariam os R$ 55 milhões.

Planilha apreendida com presidente da Odebrecht Infraestrutura mostra doações a partidos políticos nas eleições de 2012 (Foto: Reprodução)
Planilha apreendida com presidente da Odebrecht Infraestrutura mostra doações a partidos políticos nas eleições de 2012 (Foto: Reprodução)

Em depoimento à Polícia Federal no último dia 24 de fevereiro, o presidente da Odebrecht Infraestrutura explicou que as doações da empreiteira nunca eram destinadas a políticos, mas sempre para os partidos “de modo a evitar pressões e constrangimentos de candidatos”. No depoimento, Benedicto Barbosa nega ter repassado vantagens ilícitas a políticos.

Na lista, estão políticos de diversos partidos, tanto da base aliada ao governo federal quanto de oposição. Entre os políticos citados estão o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves(MG), o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), morto durante a campanha presidencial de 2014, e o os ministros Aloizio Mercadante (Educação) e Jaques Wagner (Chefia de Gabinete da Presidência).

Também são citados como destinatários de doações da empreiteira o senador José Serra (PSDB-SP), o ministro da Defesa, Aldo Rebelo, os governadores tucanos Beto Richa (Paraná) eGeraldo Alckmin (São Paulo) e o ex-governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz (PT).

Planilha apreendida com presidente da Odebrecht Infraestrutura mostra doações a políticos nas eleições de 2010 (Foto: Reprodução)
Planilha apreendida com presidente da Odebrecht Infraestrutura mostra doações a políticos nas eleições de 2010 (Foto: Reprodução)

Apelidos
Ao lado de alguns nomes, a Odebrecht utiliza apelidos para se referir a políticos. É o caso do ex-presidente da República José Sarney (PMDB), apelidado de “Escritor”. Outros peemedebistas, como os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e do Senado, Renan Calheiros (AL), também têm apelidos. Cunha é tratado como “Caranguejo” e, Renan, como “Atleta”.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), é apelidado de “Nervosinho”, de acordo com a tabela de repasses da Odebrecht. O deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE) é tratado como “Bruto”.

Outras figuras conhecidas e que recebem apelidos são os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), o “Lindinho”; o líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), o “Drácula”; e a deputada estadual Manuela d’Ávila (PCdoB-RS), apelidada de “Avião”.

Planilha apreendida com presidente da Odebrecht Infraestrutura mostra doações a políticos e apelidos usados para se referir a eles (Foto: Reprodução)

Planilha apreendida com presidente da Odebrecht Infraestrutura mostra doações a políticos e apelidos usados para se referir a eles (Foto: Reprodução)

 

‘Setor de Operações Estruturadas’
Segundo o juiz Sérgio Moro, as tabelas apreendidas pela PF que citam políticos não têm, em princípio, relação com o que a força-tarefa da Lava Jato chama de “estrutura profissional” de pagamento de propina em dinheiro no Brasil.

A empresa, ainda conforme a investigação, tinha funcionários dedicados a uma espécie de contabilidade paralela que visava pagamentos ilícitos. A área era chamada de “Setor de Operações Estruturadas”.

O Ministério Público Federal (MPF) afirma que os pagamentos feitos pela Odebrecht estão atrelados a diversas obras e serviços federais e também a governos estaduais e municipais.

Dentre elas está a construção da Arena Corinthians, segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.

A estimativa é de, ao menos, R$ 66 milhões em propina distribuída entre 25 a 30 pessoas. Esse valor, segundo a Polícia Federal (PF), estava disponível em apenas uma das contas identificada como pertecente à contabilidade paralela da empresa.

Além do estádio, a operação também investiga irregularidades no Canal do Sertão, na Supervias, no Aeroporto de Goiânia e na Trensurb, do Rio Grande do Sul.

De acordo com a força-tarefa, o setor da Odebrecht responsável pelas vantagens indevidas tinha um sistema informatizado próprio utilizado para armazenar os dados referentes ao processamento de pagamentos ilícitos e para permitir a comunicação reservada entre os executivos e funcionários envolvidos nas tarefas ilícitas.

Outro sistema, no qual os envolvidos usavam codinomes, permitia a comunicação secreta entre executivos, funcionários da Odebrecht e os doleiros responsáveis por movimentar os recursos irregulares.

Goianos aparecem na superplanilha de doações da Odebrecht

Foram divulgados documentos apreendidos pela Polícia Federal que listam possíveis repasses da Odebrecht para mais de 200 políticos de 18 partidos políticos. Os arquivos, compartilhados no Blog do Fernando Rodrigues, é o mais completo acervo do que seria a contabilidade paralela descoberta e revelada pela Operação Lava Jato.

Nas planilhas, aparecem os nomes de Marconi Perillo, Demóstenes Torres e Paulo Garcia. A tabela aponta que o governador do Estado teria recebido R$ 200 mil da empreiteira no dia 1 de setembro de 2010. Já Demóstenes, que se encontra listado na mesma planilha que Marconi, teria recebido R$ 1,2 milhão no dia 9 de setembro de 2010 (confira abaixo). O prefeito de goiânia Paulo Garcia também aparece nos documentos e teria recebido repasses de R$ 300 mil no total.

Por meio de nota, Garcia afirma que na campanha eleitoral de 2012 declarou todos os gastos e todas as arrecadações ao TRE conforme manda a legislação. O político confirma que no site do TSE é possível ver a lista de todos os doadores da campanha. Paulo Garcia afirma que nem na campanha eleitoral de 2012, e em nenhuma outra campanha que participei, recebeu qualquer doação da empresa Odebrecht ou de suas subsidiárias.

Também por nota, o Diretório Estadual do PSDB de Goiás informou que todas as doações para as campanhas de candidatos do partido nas eleições de 2010 e 2014 foram devidamente declaradas à Justiça eleitoral, efetuadas via transferência bancária e atestadas por recibos.

Já o ex-senador Demóstenes Torres esclareceu que em setembro de 2010, a campanha eleitoral dele recebeu duas doações, que totalizaram o valor de R$ 1,2 mi, uma da empresa Leyroz (R$ 960mil) e outra da empresa Praiamar (R$ 240 mil); ambas compõem o Grupo Petrópolis. As doações foram feitas via transferências bancárias e aplicadas conforme a lei na campanha eleitoral de 2010, tanto que a prestação de contas foi aprovada pela Justiça Eleitoral com parecer favorável do Ministério Público Eleitoral.

Ainda segundo o Blog do Fernando Rodrigues, as planilhas estavam com o presidente da Odebrecht Infraestrutura e foram apreendidas na 23ª fase da Operação Lava Jato, a “Acarajé”, realizada no dia 22 de fevereiro deste ano.

 

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INFORMAÇÕES DO G1.