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PF indicia filho de reitor morto e mais 22 por desvios na UFSC

A Polícia Federal indiciou Mikhail Vieira de Lorenzi Cancellier, o filho de reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) morto, e mais 22 pessoas após as investigações da Operação Ouvidos Moucos, deflagrada para desarticular uma suposta organização criminosa que desviou verbas de cursos de Educação a Distância (EaD) oferecidos pelo programa Universidade Aberta do Brasil (UAB) na UFSC, como mostrou o Bom Dia Santa Catarina.

Entre os crimes apontados pelo inquérito estão concussão, peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, violação de sigilo funcional, falsidade ideológica, além de outras tipificações. Os 23 são indiciados por crimes diferentes. No documento, a Polícia Federal explica que deve mandar para Justiça os nomes e a lista de crimes. Além disso, informou que mais adiante enviará o relatório completo com as razões do indiciamento.

A investigação, que completou sete meses, apontou que verba destinada ao EaD foi desviada, inclusive para pessoas sem vínculo com a universidade, como parentes de professores e até um motorista.

Entre os apontados na lista está Mikhail Vieira de Lorenzi Cancellier, filho do reitor morto da UFSC, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que durante as operações, foi preso por suspeita de tentar barrar a investigação interna que estavam em curso, segundo a PF.

De acordo o relatório parcial do inquérito, o filho do reitor foi indiciado porque “não soube explicar a origem de R$ 7.102 transferidos para sua conta por Gilberto Moritz, recursos que foram oriundos do projeto Especialização Gestão Organizacional e Administração em RH, que era coordenado por Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que também ordenou a despesa do projeto”.

Morte do reitor

Luiz Carlos Cancellier de Olivo negou que tenha tomado alguma medida para obstruir quaisquer denúncias em relação à universidade. Ele chegou a declarar que o afastamento do cargo após operação da PF era “um exílio” e que a prisão “foi traumática”. Cancellier foi preso em 14 de setembro, dia em que a operação foi deflagrada, e liberado no dia seguinte.

O reitor foi encontrado morto em um shopping de Florianópolis na segunda-feira (2). Uma perícia da Polícia Civil constatou que ele cometeu suicídio, tendo se jogado do vão central.

Indiciados

Gilberto de Oliveira Moritz
Gabriela Gonçalves Silveira Fiates
André Luis da Silva Leite
Mikhail Vieira de Lorenzi Cancellier
Rogério da Silva Nunes
Roberto Moritz da Nova
Denise Aparecida Bunn
Leandro Silva Coelho
Alexandre Marino Costa
Maurício Fernandes Pereira
Marcos Baptista Lopez Dalmau
Eduardo Lobo
Marilda Todescat
Márcio Santos
Sônia Maria Silva Correa de Souza Cruz
Murilo da Costa Silva
Lúcia Beatriz Fernandes
Aurélio Justino Cordeiro
Luciano Acácio Bento
Maria Bernardete dos Santos Miguez
Erves Ducati
Eleonora Milano Falcão
Roseli Zen Cerny

O que dizem os indiciados

A advogada de Gabriela Gonçalves Silveira Fiates disse que não vai se manifestar por enquanto. A advogada de Mikhail Vieira de Lorenzi Cancellier, filho do ex-reitor Luiz Carlos Cancellier, disse que foi uma surpresa o indiciamento dele, mas que precisa de mais documentos para análise.

O advogado de Rogério da Silva Nunes, ex-coordenador do núcleo UAB na UFSC afirmou que o indiciamento está incompleto e que será complicado provar as tipificações, segundo o advogado.

O atual secretário de Educação de Florianópolis, Maurício Fernandes Pereira, ex-professor da UFSC, disse que ainda não havia tido acesso aos autos, mas que está convicto de que não cometeu nenhuma ilegalidade e que vai provar isso.

O advogado de Marcos Baptista Lopez Dalmau, ex-secretário da educação à distância, disse estar ciente dos indiciamentos, mas preferiu não comentar. A defesa de Eduardo Lobo, que era chefe do departamento de Ciências da Administração, não foi localizada.

O advogado de Márcio Santos, ex-coordenador do núcleo UAB da UFSC também não foi localizado. A defesa de Sônia Maria Silva Correa de Souza Cruz afirmou que só vai se manifestar nos autos do processo.

Os advogados de Murilo da Costa Silva, dono de uma das empresas de transporte, também não foram localizados pela reportagem.

O advogado de Erves Ducati, ex-subchefe do departamento de Ciências Contábeis da UFSC afirmou que vai provar a inocência do cliente dentro dos autos processuais.

O advogado de Maria Bernardete dos Santos Miguez e de Gilberto Moritz, que é ex-coordenador do Lab Gestão, também não foram localizados.

A defesa de Roberto Moritz da Nova, funcionário celetista de uma fundação de apoio à UFSC, também não foi localizada.

A defesa de Alexandre Marino Costa, pró-reitor de graduação da UFSC, não foi localizada também.

A reportagem não teve sucesso ao procurar a defesa dos seguintes indiciados: André Luis da Silva Leite, Denise Aparecida Bunn, Leandro Silva Coelho e Marilda Todescat.

As defesas de Lúcia Beatriz Fernandes, Aurélio Justino Cordeiro, Luciano Acácio Bento, Eleonora Milano Falcão e Roseli Zen Cerny também não foram localizadas.

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