Zika pode afetar a visão de bebês

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Enquanto mais cedo for feito diagnóstico das alterações provocadas pelo vírus, maiores as chances de que o acompanhamento médico tenha resultados positivos e auxilie em maior qualidade de vida da criança

Crianças cujas mães foram contaminadas pelo vírus da Zika durante a gravidez podem desenvolver lesões graves nos olhos, ainda que não apresentem outras sequelas da doença, como microcefalia. A conclusão é de uma pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), publicada, na última semana, pelo Jornal da Associação Médica dos Estados Unidos.
De acordo com a pesquisa, a maioria das lesões nesses casos ocorre no nervo ótico ou na retina dos bebês. Especialistas alertam que, ainda que não haja um tratamento específico para as alterações provocadas pelo Zika, o acompanhamento médico precoce pode evitar implicações, como a perda total da visão.
A falta de avaliação oftalmológica logo após o parto não é uma necessidade apenas nos casos em que a mãe teve o Zika durante a gestação. Estatísticas da Fiocruz apontam que, dos cerca de 77 mil casos de crianças que estão cegas ou sofrem de grave doença ocular no Brasil, 70% poderiam ter sido evitados se diagnosticados precocemente – e esses dados refletem, principalmente, o período anterior à epidemia da doença, iniciada em 2015.
Doenças, como a catarata infantil e o glaucoma congênito, por exemplo, são responsáveis, cada uma, por até 19% dos casos de cegueira em crianças, e requerem tratamento imediato ou comprometerão permanentemente a visão. Já em recém-nascidos prematuros, chega a 21% a ocorrência da retinopatia da prematuridade, que também requer acompanhamento médico desde o parto.


Prematuros

Segundo a médica oftalmologista, Tatiana Brito, em determinadas situações, o Teste do Olhinho, disponibilizado na rede pública de saúde de alguns municípios, é suficiente para detecção dos casos. Mas em outros, como no da retinopatia da prematuridade, é preciso que os pais fiquem atentos: sem um teste mais específico e elaborado que o do Olhinho, são maiores os riscos de cegueira para os bebês que nascem com esse comprometimento da vascularização da retina, explica Tatiana.

A oftalmologista, que é especialista em retina no Hospital de Olhos de Goiânia (GO), esclarece que “é muito importante que pais, mães e poder público estejam atentos e empreendam todos os esforços para garantir o diagnóstico e tratamento dessas patologias oculares que, se negligenciadas, podem impor a barreira da escuridão a quem ainda tem um futuro inteiro pela frente”, conclui Tatiana.