114 presos em festa de milícia são soltos; 23 devem deixar prisão hoje

0
324

Até as 21h40 de quinta-feira (27), 114 presos em uma operação policial contra a milícia em um sítio em Santa Cruz, já tinham deixado o Complexo Penitenciário de Gericinó. Outros 23 devem ser liberados ao longo desta sexta-feira (27).

Entre os 159 detidos na operação, que aconteceu no dia 7 de abril, 137 tiveram a prisão preventiva revogada pelo juiz Eduardo Marques Hablitschek, da 2ª Vara Criminal de Santa Cruz.

Alexandre beija sobrinha após deixar Bangu (Foto: Henrique Coelho/G1)

Alexandre beija sobrinha após deixar Bangu (Foto: Henrique Coelho/G1)

Alex Sandro Silva de Paula foi o primeiro a sair do presidio de Gericinó na quinta-feira. “Alívio, muito alívio! Foram quase 20 dias de sufoco. A gente ficou mais preocupado com nossos familiares aqui fora”, disse. Nove presos já tinham deixado a prisão antes das 14h15. Os agentes do presídio disseram que só receberam, até o momento, nove alvarás e que todos foram cumpridos.

Alexandre Mourão, que também estava na lista dos primeiros a sair do presídio, disse que os detidos na operação foram maltratados pela Polícia Civil.

“Foi uma festa em que as pessoas entraram e pagaram o ingresso. A polícia foi muito cruel, tanto no sítio quanto na Cidade da Polícia. Fomos agredidos a socos, pontapés, há relatos de agressões até mais sérias”, disse Mourão. “O estado está nos deixando sequelas que jamais serão apagadas”, acrescentou.

A Polícia Civil não comentou as acusações de agressões. Outro dos presos soltos, Anderson dos Santos, disse que “entre os 21 ainda tem inocentes”, referindo-se aos 21 que vão permanecer em prisão preventiva.

Durante a saída dos presos, os familiares aplaudiam e comemoravam muito. O local de espera foi preenchido pelos gritos de “Justiça, Justiça”. Muitos parentes chegaram cedo ao presídio para aguardar o alvará de soltura dos presos.

Família de Emílio Neto, um dos presos que ganhou liberdade, chegou cedo ao Complexo Penitenciário de Bangu (Foto: Fernanda Rouvenat/G1)

Família de Emílio Neto, um dos presos que ganhou liberdade, chegou cedo ao Complexo Penitenciário de Bangu (Foto: Fernanda Rouvenat/G1)

Além dos dias de angústia, parentes dos presos disseram ter passado por humilhação nos últimos dias. No caso de Elza Peres Silva do Vale, mãe de Thiago do Vale, ela precisou ir até a escola onde a neta – filha de Thiago – estuda explicar que a menina não iria às aulas para não ser alvo de comentários. Nas ruas do bairro onde mora, Elza também disse que foi chamada de ”mãe de bandido”. Agora, com a revogação da prisão do filho, ela comemora, mas diz que será difícil esquecer tudo o que passou.

”Foi um filme de terror. Não desejo pra ninguém o passamos naquele dia e o que eles inocentes passaram. Vivemos esses dias lutando, em comer e sem dormir. Agora sim a gente vai dar um grito de vitória. Poucos deram crédito pra gente. É duro pra uma mãe”, relatou Elza.

Parentes comemoraram notícia de que 137 presos ganhariam liberdade (Foto: Matheus Rodrigues/G1)Parentes comemoraram notícia de que 137 presos ganhariam liberdade (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Parentes comemoraram notícia de que 137 presos ganhariam liberdade (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Laudo de preso aponta ‘retardo leve’

Um dos presos é Renato da Silva Moraes Júnior. Familiares contestaram a prisão e disseram que ele tinha deficiência mental. Um laudo da avaliação psicológica, feita pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), apontou “retardo mental leve a moderado”.

Artista circense preso como miliciano

O artista circense Pablo Dias Bessa Martins deixou o presídio de Bangu no sábado (21). Ele foi o primeiro do grupo a ser solto. Na decisão, o juiz Eduardo Marques Hablitschek escreveu que Pablo é “réu primário, não possui antecedentes criminais, tem residência fixa e é profissional circense”.

criação de site