80 anos da Discoteca Oneyda Alvarenga e homenagem aos 70 anos da morte de Mário de Andrade

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Em 2015, comemoramos os 80 anos de criação da Discoteca Oneyda Alvarenga e também lembramos os 70 anos da morte de Mário de Andrade, idealizador e realizador da Discoteca, durante sua gestão no Departamento de Cultura. No dia do seu aniversário8 de agosto, será lançado o portal da Discoteca Oneyda Alvarenga, entre outras atividades que celebram um projeto de cultura, educação e memória que levou Mário de Andrade e Oneyda Alvarenga – junto com inúmeros outros parceiros – a criarem nossa Discoteca e também outras propostas.

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Todas essas ideias, concretizadas ou imaginadas, vêm para defender a memória, expandir o conceito de cultura e o acesso às manifestações culturais, pensar a educação em relação íntima com a arte. Sempre à frente de seu tempo, além do tempo. O CCSP convida você a compartilhar esse projeto de cultura iniciado há quase um século, mas que continua surpreendendo, reverberando e, claro, procurando atualizar-se e repensar-se o tempo todo.

 

Concebida em 1935, por Mário de Andrade, recebeu  o nome de Discoteca Pública MunicipalA partir de 1987, passou a receber o nome da musicista e folclorista Oneyda Alvarenga, sua primeira diretora, que exerceu o cargo até 1969. Em 1982, depois de passar por várias sedes, a Discoteca foi transferida para o Centro Cultural São Paulo (CCSP).

 

A Discoteca dispõe do maior acervo de discos das gravadoras brasileiras (1950 e 1960) Sinter, Elite Special, Star, Mocambo, Todamérica e Sertanejo (primeiro selo especializado em música regional). Há também as primeiras gravações, feitas na década de 1950, de Roberto Carlos e João Gilberto (cantando como crooner do Grupo Garotos da Lua), quando eles ainda eram desconhecidos do público.

disco mais antigo presente na Discoteca foi gravado entre 1902 e 1904, pelo cantor Baiano. Saiu pelo primeiro selo brasileiro, Zon-O-Phone, número X-594, para a casa Edison.Uma das peças mais raras do acervo é a suíte sinfônica André de Leão e o Demônio encarnado (1941), de Heckel Tavares, com dedicatória do autor no libreto ao prefeito Prestes Maia.

Hoje, a Discoteca Oneyda Alvarenga está organizada em três setores: Acervo Impresso, Acervo Sonoro e Acervo Histórico. Em seu acervo sonoro, constam discos de música erudita, popular, nacional e estrangeira, que possui aproximadamente 45.000 discos de 78 rpm, 26.000 discos de 33 rpm e 1.700 CDs.

Já no acervo impresso, o leitor tem acesso a cerca de 62.000 partituras de música erudita, popular, nacional e estrangeira; 10.000 livros de música e hemeroteca musical com 1500 assuntos. Os serviços oferecidos pela Discoteca são os seguintes: empréstimo de livros, atendimento a pesquisadores, audição de discos, CDs, vinil por meio das paradas sonoras.

acervo histórico guarda documentos objetos, discos, mobiliário, filmes e fotografias provenientes dos projetos desenvolvidos nos primeiros anos de existência da Discoteca. Dentre os conjuntos preservados, encontram-se: a coleção da Missão de Pesquisas Folclóricas, de 1938; o conjunto documental produzido pela Sociedade de Etnografia e Folclore, criada em 1936; a documentação histórico-administrativa da Discoteca Pública Municipal de 1935 a 1983; os filmes produzidos pelo casal Dina e Claude Lévi-Strauss; os registros de Camargo Guarnieri sobre o II Congresso Afro-brasileiro, realizado em Salvador, Bahia, em 1937; as monografias que participaram dos Concursos de Monografia sobre Folclore, promovido pelo Departamento de Cultura; as gravações para o Arquivo da Palavra e os documentos do Congresso Nacional da Língua Cantada de 1937, cuja proposta foi subsidiar estudos no campo da fonética.

Exposição

Discoteca 80: um projeto modernista

Focada nas figuras de Mário de Andrade e de Oneyda Alvarenga, primeira diretora da Discoteca Pública Municipal, a exposição retrata os ideais modernistas no período entre guerras que nortearam boa parte das ações dos intelectuais envolvidos no projeto por meio de documentos, objetos e equipamentos.Serão expostos os discos gravados pela Discoteca como os registros sonoros da Missão de Pesquisas Folclóricas e peças eruditas de compositores brasileiros, além de recebidos da Biblioteca do Congresso dos EUA quando as instituições trocaram fizeram intercâmbio. Haverá também expostas as primeiras partituras do acervo e os livros nos quais Oneyda Alvarenga fez suas pesquisas para estruturar a instituição.Poderão ser ouvidos fonogramas da época por meio de estações digitais, além de uma rádio que será transmitida em FM com alcance da área da exposição produzida pela Rádio do CCSP com roteiros e textos da época.

 Livro – Oneyda Alvarenga: da poesia ao mosaico das audições

O livro Oneyda Alvarenga: da poesia ao mosaico das audições analisa, interpreta e destaca o desempenho da musicóloga Oneyda Alvarenga, como diretora da Discoteca Pública Municipal de São Paulo (atual Discoteca Oneyda Alvarenga). Traz a lume seu perfil de poeta, musicóloga e etnóloga, e de Mario de Andrade, como diretor do Departamento de Cultura da cidade e criador da seção que comportava o funcionamento da Discoteca Municipal. O livro aborda, também,  seu papel como mentor de Oneyda Alvarenga; os esforços do intelectual modernista, crítico de arte e musicólogo, com objetivo de promover a busca de uma expressão genuinamente nacional da música brasileira. Enfoca a própria Discoteca Pública Municipal, seus objetivos, o momento histórico e cultural, antes e durante o governo de Getúlio Vargas.

Aborda o valor e o sentido da organização da documentação musical brasileira e latino-americana na época do Departamento de Cultura, sob diretoria de Mario de Andrade, segundo os propósitos do americanismo musical defendido por Curt Lange. Ainda,  sob o ponto de vista do americanismo musical, estabelece relações entre os objetivos de difusão cultural mediante o trabalho de recuperação da música folclórica pela Missão de Pesquisas Folclóricas, a criação da Discoteca Pública Municipal e o contexto latino-americano com sua atmosfera intelectual, que favorecia a criação de órgãos que pusessem à disposição documentos a serem pesquisados, refletindo sobre esse empreendimento no momento sóciocultural brasileiro das décadas de 1930 e 1940.

Goma Laca: Roda de Escuta de música caipira com Ivan Vilela

Goma-Laca recebe o pesquisador e violeiro Ivan Vilela para escutar, tocar e conversar sobre discos preciosos de música caipira encontrados no acervo da Discoteca Oneyda Alvarenga. Um dos mais ricos acervos de música caipira do país, a discoteca tem raridades como por exemplo “Jorginho do Sertão”, primeira moda de viola gravada, de 1929. Goma-Laca é um centro de descobertas de música brasileira em discos de 78 rotações, criado por BiancamariaBinazzi e Ronaldo Evangelista. www.goma-laca.com

Quem foi Oneyda Alvarenga

OneydaPaoliello de Alvarenga nasceu em Varginha (MG), em 1911. Foi aluna de Mário de Andrade no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e fundadora da Sociedade de Etnografia e Folclore de São Paulo. Em 1938, lançou seu primeiro livro de poemas, A menina boba, e recebeu o Prêmio Fábio Prado por sua obra Música Popular Brasileira. Em 1958, por sua produção referente ao folclore brasileiro, recebeu a Medalha Sílvio Romero. Foi responsável pela edição crítica de diversas obras de Mário de Andrade, lançadas postumamente, e publicou artigos sobre diversos aspectos do folclore brasileiro. Morreu em São Paulo, em 1984.

Digitalização e restauração do acervo

Com o objetivo de preservar mais de um século da produção musical popular e erudita do país, suas coleções de discos 78 rpm e partituras brasileiras foram digitalizadas e catalogadas em um banco de dados informatizado. No total, envolve mais de 30 mil fonogramas, cerca de 15 mil discos, e 10 mil partituras. O projeto, selecionado em concurso público nacional e contemplado pela Lei de incentivo à cultura do Ministério da Cultura, recebeu patrocínio de R$ 500 mil da Petrobrás.

O espaço dispõe de equipamentos de som e três cabines acústicas para audição e pesquisa de registros sonoros, uma delas adaptada para portadores de deficiência física.

A consulta às obras ficou mais fácil: com a informatização, o frequentador, que antes era obrigado a recorrer às antigas fichas de papel, poderá efetiar sua pesquisa nos computadores instalados na própria Discoteca. Em breve, será possível consultar a relação completa dos discos e partituras do acervo pela Internet, acessando o site do CCSP (www.centrocultural.sp.gov.br).

Com as partituras e fonogramas armazenados em computadores (e com cópias em CD’s) a perda ou o dano de um exemplar original não acarretará dano ou desaparecimento de uma obra. As consultas são feitas nos suportes digitalizados e não mais diretamente nas matrizes, que ficarão preservadas. Os discos de 78 rpm, prensados em baquelite, um suporte extremamente frágil, quebram com facilidade. O desgaste acontece também pela audição do disco, que vai sendo riscado pelo contato da agulha com a sua superfície. Com as partituras o problema é bastante semelhante, já que seu manuseio constante faz com que o papel se deteriore.

Os discos de 78 rpm foram utilizados pela indústria fonográfica nacional entre 1902 e 1964. Hoje, devido à dificuldade de se obter equipamentos necessários para a audição desse suporte – como agulhas, cápsulas e toca-discos -, obras de grandes nomes da música popular brasileira ficaram esquecidas, acessíveis a poucos especialistas e pesquisadores.

Na Discoteca, os fonogramas digitalizados, agora livres de chiados e interferências, poderão ser ouvidos em CD’s, nas cabines, e também no formato MP3, em computadores equipados com placas de som.

Online

 Lançamento do portal da Discoteca Oneyda Alvarenga

8/8

Músicas, programas de rádio, dicas do acervo, histórias: uma extensão da Discoteca no site do CCSP

www.centrocultural.sp.gov.br/discoteca

Série Crônicas de Toca-Discos

Com intuito de divulgar a Discoteca Oneyda Alvarenga, a série Crônicas de Toca-Discos convida artistas para conhecer e (re)descobrir o precioso acervo do local, formado por discos de                     78rpm, 33rpm, CDs, partituras, periódicos e livros de música. Compartilhamos aqui, a cada mês, um novo encontro, uma nova visita à Discoteca. Yvette Matos, Fabiana Cozza, Marcos  osta, Theo Werneck, Galldino (Teatro Mágico), Emicida, entre outros, registraram suas impressões no

http://www.ccsplab.org/maisccsp/category/cronica-de-toca-discos/

 Programa Alta Fidelidade

O programa Alta Fidelidade é voltado à música instrumental, o artista divulga seu trabalho e faz a doação do CD ou vinil para compor o acervo da Discoteca Oneyda Alvarenga.

http://www.ccsplab.org/maisccsp/category/alta-fidelidade/

Confira a programação

exposição

 Discoteca 80: um projeto modernista

de 8/8 a 4/10

Referência para a música brasileira

Focada nas figuras de Mário de Andrade e Oneyda Alvarenga, primeira diretora da Discoteca Pública Municipal, a exposição retrata os ideais modernistas no período entre guerras que nortearam boa parte das ações dos intelectuais envolvidos no projeto por meio de documentos, objetos de época, como gravadores, discos, microfones, e equipamentos.

Terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h – Discoteca Oneyda Alvarenga

sem necessidade de retirada de ingressos

Palestra e Lançamento de livro

Oneyda Alvarenga: da poesia ao mosaico das audições

dia 8/8

ValquiriaCarrozze interpreta e destaca o desempenho da musicóloga Oneyda Alvarenga como diretora da Discoteca Pública Municipal de São Paulo (atual Discoteca Oneyda Alvarenga), trazendo a lume seu perfil de poeta e etnóloga, e de Mário de Andrade como diretor do Departamento de Cultura da cidade e criador da seção que comportava o funcionamento da Discoteca Municipal.

com: ValquiriaMarotiCarozze (mestra em Filosofia pela USP, pelo Programa de Pós-graduação Multidisciplinar em Culturas e Identidades Brasileiras, dentro da linha de pesquisa Brasil: a Realidade da Criação, a Criação da Realidade, do Instituto de Estudos Brasileiros da USP.)

Sábado, às 15h – 90min – Discoteca

Oneyda Alvarenga

sem necessidade de retirada de ingressos

obs. lançamento do livro Oneyda Alvarenga: da poesia ao mosaico das audições

Encontro

Goma-Laca: Roda de escuta de música caipira com Ivan Vilela

dia 8/8

Goma-Laca recebe o pesquisador e violeiro Ivan Vilela para escutar, tocar e conversar sobre discos preciosos de música caipira encontrados no acervo da Discoteca Oneyda Alvarenga. Um dos mais ricos acervos de música caipira do País, a discoteca tem raridades como, por exemplo, Jorginho do Sertão, primeira moda de viola gravada, de 1929. Goma-Laca é um centro de descobertas de música brasileira em discos de 78 rotações, criado por BiancamariaBinazzi e Ronaldo Evangelista.

mediadora: BiancamariaBinazzi

Sábado, às 16h30 – livre – Discoteca

Oneyda Alvarenga

sem necessidade de retirada de ingressos + info www.goma-laca.com

Shows

Crônicas de Toca-Discos

Crônica de Toca-Discos é uma série radiofônica que convida artistas para conhecer e redescobrir o acervo da Discoteca Oneyda Alvarenga, sediado no CCSP e formado por discos de 78rpm, 33rpm, CD’s, partituras, periódicos e livros de música. Esta iniciativa transforma a experiência em uma apresentação musical, onde os artistas preparam um repertório que mescla músicas autorais e outras recolhidas no acervo da Discoteca.

Galldino + Sergio Soffiatti e Combo OBMJ

Dia 29/8

Neste show, Galldino apresenta músicas autorais, faz uma homenagem ao grupo Legião Urbana e uma releitura de composições que escolheu na Discoteca e que são referência em sua carreira. Sergio Soffiatti é um dos fundadores da Orquestra Brasileira de Música Jamaicana e, além de composições próprias, traz também algumas versões inusitadas para as músicas que fazem parte de sua discoteca básica.

Sábado, às 19h – 90min – livre – Sala Adoniran Barbosa

R$20,00 – a venda estará disponível na bilheteria, em seu horário de funcionamento (terça a sábado, das 13h às 21h30; e domingos, das 13h às 20h30), e no site www.ingressorapido.com.br a partir de 30 dias antes do evento

Vânia Bastos

Dia 30/8

Para este show a cantora Vânia Bastos apresenta um repertório de músicas e cantores que fizeram parte de sua vida, como Rita Pavone, Evinha, Wanderléa, Gal Costa e Elis Regina, incluindo também canções de sua carreira, como Paulista, Canta mais, Tocar na banda. O espetáculo contará com a participação especial de sua filha, Rita Bastos, e dos músicos Ronaldo Rayol (violão) e Moisés Alves (piano).

Domingo, às 18h – 90min – livre – Sala Adoniran Barbosa

R$20,00 – a venda estará disponível na bilheteria, em seu horário de funcionamento (terça a sábado, das 13h às 21h30; e domingos, das 13h às 20h30), e no site www.ingressorapido.com.br a partir de 30 dias antes do evento

 

Galeria de fotos:

https://picasaweb.google.com/ccspsite/80AnosDaDiscotecaOneydaAlvarenga?noredirect=1

 

Serviço

Discoteca Oneyda Alvarenga – Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso / 3397-4002)

Horário de funcionamento: de terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados (exceto Carnaval e Páscoa), das 10h às 18h.
Atenção: A consulta a audições só será permitida até 1 hora antes do término do expediente e a entrada de usuários, até 30 minutos antes do fechamento da Discoteca.
Informações: 3397-4071 ou pelo e-mail [email protected]

www.centrocultural.sp.gov.br/programacao_especial_discoteca.html

http://www.ccsplab.org/maisccsp/category/cronica-de-toca-discos/

http://www.ccsplab.org/maisccsp/category/alta-fidelidade/

 

 

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