Amsterdã quer restringir acesso de turistas ao comércio legal de maconha

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A prefeita de Amsterdã, Femke Halsema, apresentou nesta 6ª feira (8.jan.2021) uma proposta para controle de turistas em estabelecimentos que comercializam maconha, droga produzida a partir da planta Cannabis sativa. A medida visa a combater o fluxo de drogas e o crime organizado vinculado ao comércio legal da maconha nos famosos coffeeshops da capital holandesa.

O plano é apoiado pela polícia e por procuradores locais. Eis a íntegra da carta enviada pela prefeita aos legisladores de Amsterdã (em holandês).

A proposta inclui a proibição total à presença de não residentes da Holanda nesses estabelecimentos. Também cria rótulos para cada loja, visando a melhorar o gerenciamento pelos agentes da prefeitura, e veta a concentração de muitos coffeeshops numa mesma região. Ainda não foram definidas penalidades para o caso de descumprimento.

A proposta foi apresentada aos legisladores de Amsterdã acompanhada de um estudo sobre o comércio local de maconha, com projeções para os próximos 5 anos. O documento (íntegra, em holandês) aponta que 89% dos consumidores de coffeeshops não são moradores locais, enquanto os 11% restantes são consumidores que cultivam a cannabis em casa.

Esses estabelecimentos comerciais chegaram a atrair mais de 1 milhão de turistas mensais antes da pandemia de covid-19.

A cidade tem cerca de 166 cafés que comercializam a maconha, o que representa 30% das cafeterias de toda a Holanda. Há 20 anos, esse número era de 283. Contudo, o consumo da população local que costuma comprar a droga nesses cafés não passa de 18%. A pesquisa também aponta que seriam necessárias só 68 cafeterias para atender o mercado local.

Segundo publicou a imprensa holandesa, a prefeita espera “reduzir o apelo de Amsterdã como um ponto de parada para o turismo de drogas leves”. Ao limitar o acesso à maconha, Halsema projeta diminuição na violência e no tráfico de outros entorpecentes que tentam “infiltrar na economia regular” do país.

A pauta entra em discussão no conselho municipal ainda neste mês. A medida já é adotada em outras cidades do país. Outros 2 documentos acompanham a proposta da prefeitura de Amsterdã. Leia aqui e aqui (ambos em holandês).

Esta reportagem foi produzida pela estagiária em jornalismo Águida Leal sob supervisão do editor Nicolas Iory

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