Após falhas, Segurança apresenta cronograma para entregar 3 mil armas das polícias Civil e Militar

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Depois que uma auditoria do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) detectou defeitos em 2,5 mil pistolas da Polícia Militar em Goiás, a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP) apresentou o cronograma de entrega e substiuição, e estendeu a troca a 500 armas da Polícia Civil. O modelo, PT 24/7 PRO D, da marca Taurus, teve o uso proibido após investigação apontar falhas que provocaram mais de 20 acidentes em policiais.

De acordo com a Superintendência Ministério do Trabalho e Emprego em Goiás, as armas estão distribuídas em 246 municípios goianos. A SSPAP entregou o demonstrativo de localização de todas as pistolas para os auditores e definiu a data de início do recolhimento. De acordo com a auditora Jacqueline Carrijo, a substituição deve começar na próxima terça-feira (14) e deve ser concluída em até três meses.

“Nós temos uma programação para alcançar todos os municípios do estado de Goiás, para recolhimento destas armas inseguras. Vamos começar pelos municípios do interior, depois a capital e as cidades mais próximas. A Secretaria de Segurança Pública estendeu os efeitos do termo de interdição às pistolas do mesmo modelo usadas pela Polícia Civil, uma excelente iniciativa, já que os problemas de insegurança são idênticos”, explicou a auditora.

A pistola PT 24/7 PRO D, da marca Taurus, teve o uso proibido no último dia 31 de outubro. Segundo o MTE, são 2,5 mil armas em uso pela Polícia Militar de Goiás, que deverão ser recolhidas e substituídas. Segundo auditoria do órgão, os exemplares são perigosos e, em quatro anos, já causaram 23 acidentes com integrantes da corporação.

Um vídeo mostra um destes acidentes, ocorrido em julho de 2016. As imagens mostram o carro do Batalhão de Choque chegando a um comércio em Goiânia. Quando um dos policiais desce do veículo, a arma, que estava na cintura dele, dispara sozinha. Foram dois tiros que atingiram a perna do policial (veja abaixo).

“As armas são inseguras, perigosas para o uso policial e, para garantir a vida e a integridade física desses policiais e seus familiares, da sociedade goiana, decidimos proibir o uso das armas e o recolhimento das 2,5 mil pistolas”, disse a auditora Jacqueline Carrijo.A Taurus informou, em nota enviada no último dia 1º, que não foi notificada formalmente sobre a decisão do Ministério do Trabalho. Ainda segundo a fabricante, “simplesmente não existem as supostas evidências de que o armamento seria inseguro ou defeituoso” (veja a nota na íntegra ao fim do texto).

G1 entrou em contato com a Taurus, às 6h50 desta sexta-feira (10), por telefone e email, e aguarda um posicionamento sobre o recolhimento das armas.

Vídeo mostra momento em que pistola dispara sozinha e atinge perna de PM

Vídeo mostra momento em que pistola dispara sozinha e atinge perna de PM

Para fazer o recolhimento, segundo a Auditoria do Trabalho, vários procedimentos de segurança devem ser tomados. De acordo com os auditores, todas as providências necessárias estão sendo tomadas para agilizar o cumprimento da interdição.

As armas foram compradas pelo Governo de Goiás em 2013 e custaram quase R$ 5 milhões. O comandante geral da PM, o coronel Divino Alves, disse que a corporação ainda não definiu quando vai começar a substituição, mas garantiu que o trabalho deve ser feito o quanto antes.

Pistola PT 24/7 PRO D da fabricante Taurus, em Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução)

Pistola PT 24/7 PRO D da fabricante Taurus, em Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução)

Investigação

O estudo das armas foi feito entre agosto e outubro deste ano. Os principais problemas constatados pelo levantamento são:

  1. Disparos em rajadas em regime automático [ deve ser em modo semiautomático];
  2. Falha do retém do ferrolho [a pistola não fica aberta, não indicando que a munição acabou];
  3. Carregador [ de munição] danificado com rachadura;
  4. Arma que não para na ação simples [ a pistola não fica na posição que gera maior precisão do tiro];
  5. Travamento do gatilho;
  6. Arma dispara no coldre [equipamento que os policiais transportam a arma junto ao corpo quando fardados];
  7. Disparo involuntário.

“É um absurdo que as armas apresentem estes defeitos, defeitos de construção, dos dispositivos de segurança, disparam sozinhas. Quantos PMs tiveram carreiras frustradas, aposentaria precoce ou que foram punidos por excesso de uma arma que disparou sem o acionamento do gatilho ou porque o gatilho travou? Há muitos defeitos que têm comprometido a segurança pública”, opina Jacqueline.

Veja o que a Taurus diz:

“A Taurus reitera mais uma vez que sempre que há alegação de disparo acidental e falha no mecanismo de disparo de uma arma é necessário realizar perícias para verificar a verdadeira causa do incidente.

Sobre o vídeo utilizado na reportagem, assim que a companhia tomou conhecimento do fato, em meados de 2016, solicitou à PMGO acesso à perícia da arma e desde então nunca foi notificada, indicando que não teve responsabilidade no ocorrido.

A Taurus é alvo de uma campanha difamatória, movida por interesses comerciais e financeiros, que lança mão de informações incorretas para atingir sua reputação.

Todas as perícias realizadas até hoje dentro das normas aplicáveis comprovam que não há defeito ou falha no projeto ou nos mecanismos de segurança e funcionamento dos produtos da companhia.

O Exército Brasileiro fez avaliação completa do processo produtivo da Taurus e suas armas e não encontrou falhas de projeto ou fabricação que sejam responsáveis por acidentes com armas de fogo.

Por fim, a Taurus tomou diversas iniciativas que têm se reveladas bem-sucedidas junto a instituições de segurança pública e usuários de seus produtos, no sentido de evitar acidentes por disparos involuntários.”

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