Chance de tirar pasta da Segurança Pública de Moro ‘no momento é zero’, diz Bolsonaro

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O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira (24) que a chance de criar um novo ministério tirando a área de Segurança Pública da alçada de Sergio Moro “no momento é zero”.

“Não falei com ele, não preciso falar com ele, nos entendemos muito bem”, afirmou Bolsonaro ao chegar a seu hotel em Nova Délhi, capital da Índia, onde faz viagem oficial até o dia 28.

Questionado sobre a possibilidade de desmembramento do ministério chefiado por Moro, o presidente disse que “a chance no momento é zero” e sugeriu a tese pode ter partido de secretários com o objetivo de “enfraquecer o governo”.

“Não sei amanhã. Na política, tudo muda, mas não há intenção de dividir.”

Bolsonaro havia dito na manhã desta quinta-feira (23) que estuda desmembrar o Ministério da Justiça e Segurança Pública, mantendo Moro apenas como ministro da Justiça.

A possível volta de uma pasta exclusiva para a Segurança Pública, que existiu no governo de Michel Temer, foi discutida ontem em uma reunião entre o presidente e secretários estaduais.

O Planalto afirma que a eventual mudança administrativa se trata de uma demanda dos Estados, reportagem do jornal Folha de S.Paulo diz que os governadores estão divididos e que Bolsonaro articulou a ideia.

Nos bastidores políticos, há uma leitura de que a mudança teria o propósito de enfraquecer Moro, diante das especulações de que ele quer disputar contra Bolsonaro a eleição presidencial de 2022, apesar das negativas do próprio ministro.

Diversos apoiadores do governo Bolsonaro comentaram em contas oficiais do presidente nas redes sociais cobrando que o ex-juiz da Lava Jato continue comandando as duas áreas.

Diante da reação negativa, o governo informou por redes sociais, enquanto o presidente voava para a Índia, que a ideia não teria partido da presidência, mas de secretários de segurança estaduais.

Segundo os jornais O Globo e Folha de S.Paulo, Moro afirmou a aliados que deve deixar o governo caso perca o comando da pasta.

Bolsonaro e Moro sentados em evento, olhando para sentidos opostosDireito de imagemREUTERS/ADRIANO MACHADO
Image captionHá quem veja na diovergência sobre pasta neste início de 2020 um sinal de uma disputa que pode se configurar em 2022 entre Bolsonaro e Moro: as eleições presidenciais

Mas por que o ministério sob Moro seria desmembrado?

Estatísticas indicam que a queda da criminalidade, iniciada em 2018, ganhou mais força no país no ano seguinte — números preliminares apontam para uma redução de cerca de 20% nos homicídios.

Com isso, a política de segurança pública se tornou a principal vitrine de Moro, ao mesmo tempo em que a percepção sobre o combate à corrupção tem piorado na sociedade.

Regina Duarte na Cultura

O presidente voltou a comentar o convite à atriz Regina Duarte para assumir a Secretaria da Cultura.

Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que o governo iniciou um “noivado” com a atriz, depois de se encontrarem nesta segunda-feira (20). “Tivemos uma excelente conversa sobre o futuro da cultura no Brasil. Iniciamos um ‘noivado’ que possivelmente trará frutos ao país.”

Agora já substituiu o termo noivado por casamento.

Jair Bolsonaro e Regina Duarte posando para fotoDireito de imagemREPRODUÇÃO
Image captionEleitora e defensora de Bolsonaro nas redes sociais, Regina Duarte é agora parte do governo — à frente do cargo mais importante para a política cultural do país (Foto: outubro de 2018)

“Acredito que na quarta ou na quinta a gente vai no cartório e faz o casamento”, afirmou.

A atriz, atualmente em “período de testes” em Brasília, pode assumir o posto mais alto da política cultural no Brasil no lugar do diretor teatral Roberto Alvim. Este, que comandava a área havia apenas dois meses, deixou o cargo após divulgar um vídeo com um discurso em que repetia frases de Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda na Alemanha nazista.

Presidente indiano é uma ameaça à democracia?

Bolsonaro também foi indagado sobre a capa da revista britânica The Economist, que traz o primeiro ministro indiano Narendra Modi como uma ameaça à democracia indiana.

O presidente voltou a criticar a imprensa.

“Dizem que também sou uma ameaça à democracia. Disseram durante a campanha e dizem agora. A própria Associação Nacional de Jornais diz que eu sou a pessoa que mais ataca a mídia no Brasil. 58% das agressões vieram da minha parte”, afirmou.

“Eu quero uma imprensa que fale a verdade para evitar a eterna discussão que existe quando sai uma notícia como essa.”

Modi é criticado por causa de mudanças em políticas migratórias consideradas discriminatórias aos 200 milhões de muçulmanos no país. O país tem hoje 1,353 bilhão de habitantes.

O mandatário, do Partido Nacionalista Hindu Bharatiya Janata (BJP), disse que a nova lei é “para aqueles que enfrentam anos de perseguição lá fora e não têm para onde ir, exceto a Índia”.

Mas opositores de Modi dizem que a lei é excludente, faz parte de uma agenda para marginalizar muçulmanos e viola os princípios seculares consagrados na Constituição. Para eles, a fé não pode ser transformada em critério para cidadania.

As mudanças geraram protestos violentos no país em dezembro passado.

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