Empresas de telecomunicações se unem para dar conta da explosão de uso

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Com o trabalho, educação e entretenimento concentrados dentro de casa, por conta da pandemia da Covid-19, as empresas de telecomunicações estão assistindo a uma explosão no uso de suas redes em todo o mundo. “Na Espanha, o uso aumentou 50%. Aqui ainda não chegou nisso, mas está caminhando nessa direção”, afirmou o presidente da Telefônica Brasil, Christian Gebara, em entrevista à Exame.

Apesar de as redes estarem operando lotadas, os líderes das empresas não parecem tão otimistas quando o tema é o aumento de receita. “Em boa parte dos casos, as pessoas estão usando mais da capacidade que já têm contratada e isso não muda a receita que geram”, ponderou Gebara, que já começa a questionar o efeito da crise sobre a inadimplência: “tudo depende de quanto tempo a situação vai durar”.

Embora cientes de que receita e lucro não vão acompanhar o uso – já vai ser bom se não caírem – esse não é o maior foco de atenção dos executivos neste instante. O grande tema é o melhor desempenho possível da operação. As companhias sabem que o funcionamento do mundo está, agora, em suas costas.

Vivemos um cenário sem precedentes

“Estamos, neste momento, deixando a competição de lado. O importante é preservarmos a estabilidade das redes”, afirmou Abreu, presidente da Oi. “Qualquer um de nós [operadores de telecomunicações] que tiver problema nas redes, será de todo setor. Teremos de nos ajudar. Há uma grande engrenagem funcionando e estamos fazendo um esforço de coordenação para manutenção. Vivemos um cenário sem precedentes.”

Ambas as companhias montaram comitês de crise que acompanham e debatem a situação mais de uma vez ao dia. “Os assuntos variam desde a própria rede, até a gestão dos recursos humanos e segurança patrimonial”, explicou o presidente da Telefônica.

Regulamentação

O setor de telecomunicações há anos aguarda a revisão de todo arcabouço regulatório para atualização das regras ao cenário competitivo que se desenvolveu no ambiente pós-privatização. Logo depois da cisão e venda do Sistema Telebrás, as operadoras tiveram metas agressivas de universalização de serviços e, desde então, não houve uma revisão completa dessas regras.

“A concessão, o famoso modelo de concessão, cumpriu o papel da universalização muito bem. Mas hoje se tornou uma obrigação que traz custos e obrigações que não agregam mais à população. O diálogo sobre isso já havia começado e nós esperamos que agora ganhe tração”, afirmou o executivo.

Depois de anos em debate no legislativo, a nova lei geral das teles foi sancionada em outubro do ano passado, mas ainda carece de regulamentação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). (Com informações da Exame)

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