Escolas tentam recuperar perdas com a pandemia na capital

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Estudantes que concluíram a 2ª série do Ensino Médio em 2020, ano em que o ensino transitou do ensino presencial para o remoto por conta da pandemia de Covid-19, iniciaram a 3ª série com uma proficiência em Língua Portuguesa e Matemática entre 9 e 10 pontos abaixo do que alcançariam sem a necessidade desta transição. A estimativa é da pesquisa “Perda de Aprendizagem na Pandemia” que, realizada pelo Insper e pelo Instituto Unibanco foi divulgada no início deste mês e apontou ainda como as respectivas perdas poderiam ser amenizadas ao longo de 2021.

De acordo com o estudo, boa parte das perdas ainda está por ocorrer caso, ao longo do ano letivo de 2021, o ensino remoto seja mantido e não haja um aumento no grau de engajamento dos estudantes. Neste cenário, as perdas deverão alcançar níveis quase duas vezes mais elevados do que com relação a 2020: 16 pontos em Língua Portuguesa a 20 pontos em Matemática.

Cenários

O estudo revela ainda que ao menos parte das perdas na aprendizagem poderão ser evitadas, caso haja medidas como a promoção de maior engajamento dos estudantes com o ensino remoto, adoção do ensino híbrido no segundo semestre acompanhado por ações voltadas para a recuperação e aceleração do aprendizado e otimização do currículo. Neste cenário, entre 35% a 40% das perdas poderiam ser evitadas, aponta a pesquisa. Com isso, as perdas que poderiam chegar a 16 pontos em Língua Portuguesa e 20 pontos em Matemática, passariam a ser de 11 e 12 pontos, respectivamente.

Segundo os dados, caso somente o engajamento dos estudantes em 2021 passe a ser o dobro do alcançado em 2020, as perdas em proficiência poderiam ser reduzidas em 10 a 15%. Já caso ocorra, ainda, uma transição ao ensino híbrido no 2º semestre de 2021, as perdas poderiam ser adicionalmente reduzidas entre 10 a 20%. De acordo com o estudo, a menos que essas perdas sejam recuperadas, cada estudante que concluir o Ensono Médio em 2021 terá uma perda de renda ao longo da vida estimada entre R$ 20 mil e R$ 40 mil.

Goiânia

Em Goiânia, muitas escolas têm se atentado às questões relativas ao aprendizado destes alunos. Para o Coordenador Pedagógico do Colégio Integrado – Unidade Areião, Natan Marques, a preocupação com os estudantes do Ensino Médio é grande, já que eles possuem uma carga maior de disciplinas e estão mais próximos da avaliação do Enem ou dos vestibulares tradicionais. “Quando os professores indicam que o estudante não está participando das aulas ou fazendo as atividades, nós entramos em contato com ele e com a família para entender o que está acontecendo e como podemos ajudar. Ficamos de março a novembro apenas no formato remoto e depois, com a 3ª série do Ensino Médio, passamos para o formato híbrido”, afirma.

“Desenvolvemos o programa Avança Enem, que objetiva resgatar conteúdos que os alunos tiveram maior dificuldade, além de potencializar as melhores habilidades. Conseguimos mapear, através de estudo estatístico das avaliações específicas e dos simulados, os pontos de atenção em cada disciplina. Após, montamos planos de ação. Com essa organização, os alunos conseguem ter mais autonomia e foco nas habilidades a serem desenvolvidas”, conta.

No caso específico dos alunos de terceiro ano, o Coordenador Pedagógico do Colégio Integrado – Unidade Areião destaca que na respectiva série já é feita uma revisão de todos os conteúdos do Ensino Médio, mas de acordo com ele, a 2ª série possui alguns conteúdos novos e outros que são aprofundados. “Isso gerou uma perda significativa para os alunos que farão o Enem em 2021. Para sanar parte dessas lacunas, contratamos uma plataforma de videoaulas e outra com inteligência artificial e humana de correção de redações, para que os alunos otimizem o tempo e estudem de acordo com a necessidade de cada um”, explica.

Já a Coordenadora do Colégio Alfa, Itla José de Almeida, destaca que a Instituição sempre se preocupou com o ensino e aprendizagem dos alunos. “A 3ª série do Ensino Médio, por exemplo, tem orientação especifica de Enem e vestibulares de referência em nosso Pais”, pontua. De acordo com ela, para auxiliar estes alunos, o Colégio Alfa trouxe psicólogas para falar com os estudantes sobre essas habilidades e emoções neste momento de pandemia onde, em um momento de escuta, os alunos aprendem a falar e a expressar sentimentos e os profissionais fazem as intervenções necessárias para orientá-los.

“O sistema remoto para os adolescentes é muito complexo não apenas pela questão das aulas em si. Mas no próprio processo no qual o adolescente está vivendo, onde o emocional é extremamente abalado, o fato de eles estarem isolados. Adolescência é convivência. Eles precisam do contato com os outros, com os professores, com a escola”, finaliza. (Especial para O Hoje)

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