“Goiás caminha para situação como a de Manaus”, diz presidente da Associação dos Hospitais

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TRAMANDAÍ, RS, BRASIL, 11.01.13: Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Tramandaí. Foto: Alina Souza/Especial Palácio Piratini

“Estamos caminhando para um momento de grande dificuldade. Nada indica que o futuro em Goiás seja diferente de Manaus ou Salvador, por exemplo”. É o que afirma o presidente da  Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg), Haikal Helou. Em entrevista exclusiva ao jornal A Redação, Helou afirmou que a situação dos hospitais na segunda onda de contaminação pela covid-19 é mais crítica do que na primeira, o que pode levar o sistema ao colapso.

Na manhã desta sexta-feira (19/2), segundo a Ahpaceg, não havia disponibilidade de leitos de UTI para pacientes com covid-19 nos hospitais associados. Todos os leitos já estão ocupados ou bloqueados para pacientes graves, já em atendimento nos hospitais. “No auge da primeira onda, chegamos a esperar de seis a oito horas para conseguir leitos de UTI covid. Atualmente a situação está muito mais complicada, chegamos a ficar com um paciente na espera por dois dias. Os hospitais estão cheios, alguns não têm mais leitos, estamos com muitas dificuldades”, relata.

O presidente da Ahpaceg explica que essa situação se deve ao fato de que, ao contrário da primeira onda, as pessoas não estão deixando de procurar os hospitais para tratamentos diversos da covid. “Naquele primeiro momento vimos estados de saúde se agravarem e pessoas morrerem de coisas que nem matam mais, como apendicite, porque havia o receio de ir ao hospital e se contaminar pelo novo coronavírus. Agora temos hospitais cheios de pacientes para esses tratamentos que ficaram parados. A população coloca a máscara e vai, perdeu o medo”, diz.

Dificuldade financeira

Haikal Helou destacou ainda o momento crítico financeiro vivido pelas unidades de saúde particulares. Ele explica que não há estabilidade e que desde o início da pandemia os hospitais oscilam entre períodos de melhora e piora, além da diminuição de cerca de 30% a 40% do faturamento.

“Tivemos um aumento exponencial da demanda e uma queda muito significativa do faturamento. Esperávamos que essa situação se resolvesse em um período de três a oito meses, o que infelizmente não aconteceu. Estamos financeiramente arrasados, o momento é muito ruim”, lamenta.

O presidente da Associação ressaltou ainda que a suspensão de cirurgias eletivas sugerida na nota técnica da Secretária de Estado da Saúde (SES), divulgada na última terça-feira (16/2), terá um impacto muito negativo para os hospitais particulares. “Uma sugestão da secretaria é uma ordem, mas dessa forma sofreremos implicações preocupantes, porque são os procedimentos eletivos que nos sustentam financeiramente, enquanto tratamos o que não nos mantém”, diz. A nota técnica sugere essa suspensão como uma alternativa para a criação de mais leitos para atender o crescente número de casos de covid-19 no Estado.


Presidente da Ahpaceg, Haikal Helou: “Vivemos um momento crítico em nossa história” (Foto: Divulgação)

Helou afirmou ainda que a perspectiva é a possibilidade de diminuição de leitos para que os hospitais consigam se manter. “Vivemos um cenário desalentador. Alguns hospitais estão considerando uma espécie de ‘hibernação’- dar férias coletivas aos funcionários, fechar, tentar pagar as dívidas e pensar na possibilidade de reabrir quando tudo passar, porque a conta não fecha. Vivemos, sem dúvida, o pior momento de nossa história”, pontua.

Em contrapartida, destaca o presidente da Ahpaceg, “as operadoras de planos de saúde comemoram lucros históricos”. Dados da Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) constatam que as operadoras tiveram um lucro líquido acumulado de R$ 15 bilhões nos três primeiros trimestres de 2020, resultado 66% maior que no mesmo período de 2019. “Como as pessoas ficaram mais em casa, deixaram de fazer consultas, exames e procedimentos. Isso gerou uma queda nos gastos e um aumento no lucro [dos planos]”, explica.

Os hospitais particulares também vivem a mesma dificuldade da rede pública na aquisição de insumos. “Uma caixa de luvas, que pagávamos cerca de R$ 17, por exemplo, hoje não encontramos por menos de R$ 70. Medicamentos, como alguns antibióticos, sumiram do mercado. Estamos com extrema dificuldade para manter os insumos”, destaca.

Haikal Helou ressalta ainda que todas essas dificuldades são enfrentadas em um momento em que a pandemia volta a ter números crescentes. “As pessoas não entendem a gravidade da situação que estamos enfrentando, o brasileiro não entende a relação entre causa e consequência, de como esse comportamento de viver normalmente, como se uma pandemia não estivesse acontecendo, traz os péssimos resultados que estamos vendo. É preciso que as autoridades sejam firmes, fiscalizem e tomem medidas para que esse vírus não se espalhe ainda mais, ou viveremos uma situação caótica”, encerra.

Fonte: A Redação

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