Matheus, estudante agredido por PM em protesto transferido para UTI humanizada

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O estudante Mateus Ferreira da Silva, de 33 anos, agredido por um policial militar durante um protesto, foi transferido no final da manhã desta quarta-feira (3) para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) humanizada. O leito também fica no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), onde ele está internado desde que foi ferido. A diferença é que, neste espaço, ele pode ficar mais tempo acompanhado da família. O quadro dele ainda é grave, mas estável.

De acordo com o Hugo, a UTI humanizada possui 20 leitos e o paciente pode ser acompanhado por duas pessoas um período de 12h por dia – entre 8h e 20h. Na UTI normal, onde estava anteriormente, o número de acompanhantes é o mesmo, mas o tempo de visita é de apenas 1h diária. O médido Alexandre Amaral entende que a proximidade da família pode ajudar na recuperação dos pacientes.

“Nesse momento ao qual ele está principalmente despertando, os níveis de sedativos estão sendo reduzidos, ele vai passar a receber o convívio familiar. Isso faz com que esses pacientes, que ainda estão com ventilação mecânica, aquele tubinho para poder respirar, possam se sentir um pouco mais seguros”, explica.

Em boletim divulgado às 9h desta terça-feira, a unidade informou Mateus tem quadro grave, mas estável, evolui com melhora clínica, estável na parte respiratória e com pressão normal. Ele está com sedação mínima e corre baixo risco de morrer. Não há programação para nova sessão de hemodiálise e os exames de sangue estão normais. Também não há previsão de novos procedimentos cirúrgicos.

No boletim divulgado na tarde de terça-feira, o hospital informou que o paciente não corria risco de morrer.

Mateus tem quadro de saúde grave, porém estável (Foto: Reprodução/Facebook)

Mateus tem quadro de saúde grave, porém estável (Foto: Reprodução/Facebook)

Vigília e visita de senadores

Na noite de terça-feira (2), amigos do universitário, que cursa ciências sociais na Universidade Federal de Goiás (UFG), fizeram uma vigília no pátio do hospital. O intuito era fazer uma corrente pela recuperação do rapaz.

Já nesta manhã, o rapaz recebeu a visita de uma comitiva de senadores que integram a Comissão de Direitos Humanos do Senado. A parlamentar Regina Souza (PT), presidente da comissão, conversou com a família e também quer verificar como estão as investigações do caso.

“Nós vamos fazer uma visita ao secretário de segurança para ver como está o andamento do inquérito, como está a perspectiva de punição porque foi um crime cometido pelo policial e a gente não pode permitir porque senão isso banaliza”, disse.

A agressão de Mateus motivou um bate-boca entre os senadores José Medeiros (PSD-MT) e Lindbergh Farias (PT-RJ), durante sessão na terça-feira (3). José Medeiros discursava sobre a paralisação da última sexta-feira, e chegou a chamar o estudante de “baderneiro”. A afirmação provocou irritação de Lindbergh Farias, que cobrou respeito à vítima da agressão, que está hospitalizada, e a seus familiares.

Agressão

O estudante foi agredido durante protesto em Goiânia contra as reformas trabalhista e da previdência, no último dia 28 de abril. Na ocasião, mascarados entraram em confronto com policiais militares, momento em que o estudante foi atingido e ficou caído no chão. O capitão saiu correndo. Já o rapaz recebeu os primeiros socorros de outros manifestantes.

Um vídeo mostra em detalhes o momento em que Mateus levou o golpe no rosto (veja abaixo). Fotos também registraram a agressão. O impacto foi tão grande que o cassetete quebrou com a pancada.

Novo vídeo mostra detalhes de agressão cometida por PM contra estudante, em Goiânia

Novo vídeo mostra detalhes de agressão cometida por PM contra estudante, em Goiânia

Sequência de fotos mostra que cassetete de PM quebrou durante agressão a estudante, em Goiás (Foto: Arquivo pessoal/Luiz da Luz)

Sequência de fotos mostra que cassetete de PM quebrou durante agressão a estudante, em Goiás (Foto: Arquivo pessoal/Luiz da Luz)

Apuração

O secretário de segurança pública de Goiás, Ricardo Balestreri, disse em entrevista coletiva na terça-feira (2) que acompanhará de perto a Investigação Policial Militar (IPM) que apura a conduta do policial que praticou a agressão. Ele destacou ainda que as ações são isoladas da conduta geral da PM, mas que os responsáveis devem responder pelos atos.

“Vamos usar todo rigor na apuração, obviamente com o direito à defesa […]. Sem leniência, sem passar a mão por cima, sem fazer de conta que não aconteceu. Obviamente, estamos diante de um caso muito grave, que tem que ser gravemente apurado e, comprovadas as culpas, gravemente punido”, afirmou.

No intuito de proporcionar mudanças na corporação, o secretário anunciou seis medidas que devem ser tomadas pela Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP). Entre elas, estão: aquisição de mais armas não letais com mais tecnologia, como bombas de gás e armas de choque, além de capacitação das equipes para uso adequado da força. Balestreri destacou ainda a criação de um código de ética da PM de Goiás, que já está em elaboração.

Capitão Augusto Sampaio foi afastado do patrulhamento das ruas (Foto: TV Globo)

Capitão Augusto Sampaio foi afastado do patrulhamento das ruas (Foto: TV Globo)

PM afastado

O comandante geral da PM-GO, coronel Divino Alves de Oliveira, explicou que o capitão foi afastado do patrulhamento das ruas e ficará exercendo apenas atividades administrativas enquanto o Inquérito Policial Militar que investiga a conduta dele não é concluído.

Em nota, a corporação explicou que instaurou o procedimento na última sexta-feira “diante das imagens que circulam em redes sociais, quando da intervenção policial militar, que mostram a clara agressão sofrida” pelo estudante.

O inquérito tem um prazo de 30 dias para ficar pronto. De acordo com a nota divulgada pela PM, na ocasião, a investigação tem o “objetivo de individualizar condutas e apurar responsabilidades”.

“Houve excesso, não há como fugir a esta situação, houve o excesso na ação praticada por esse policial militar e, em decorrência disso, o comando da instituição instaurou o inquérito policial militar que irá apurar as responsabilidade”, disse o coronel à TV Anhanguera.

Sampaio está na corporação há 12 anos e acumula, na ficha funcional, 34 elogios. Ainda segundo as notações no documento, ele nunca recebeu uma punição, mas já se envolveu em outras ocorrências de agressão, inclusive contra menores em situação de rua. Os casos ocorreram entre 2008 e 2010.

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