O que se sabe sobre os fortes terremotos que mataram mais de 11,2 mil na Turquia e Síria

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Equipes de resgate seguem na busca por sobreviventes no sul da Turquia e no norte da Síria após dois grandes terremotos na segunda-feira (6/2).

Até agora foram confirmadas 11,2 mil mortes e acredita-se que esse número ainda vai aumentar.

O número de pessoas mortas na Turquia subiu para 8.574, de acordo dados da agência de desastres do país divulgados nesta quarta-feira (8/2).

É difícil verificar o número na Síria, mas a imprensa estatal e um grupo de resgate dizem que cerca de 2.662 pessoas morreram.

Os esforços de busca continuaram por uma segunda noite, em meio ao frio intenso. As equipes dizem que está ficando cada vez mais difícil encontrar sobreviventes entre os escombros, na medida em que o tempo passa.

Uma família de seis pessoas foi retirada com vida dos escombros na cidade síria de Idlib.

A Síria está tendo dificuldades de receber ajuda humanitária internacional por conta do acesso limitado nas estradas, que foram danificadas no terremoto

O primeiro terremoto, originado perto da cidade de Gaziantep, teve 7,8 de magnitude e ocorreu às 4h17 de segunda no horário local (22h17 de domingo, no horário de Brasília), enquanto muitas pessoas dormiam.

Um segundo terremoto, de 7,5 de magnitude, foi registrado perto da cidade de Kahramanmaras às 13h30 de segunda em horário local (7h30 da manhã de segunda-feira, no horário de Brasília). As autoridades disseram “não ser um tremor secundário”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até 23 milhões de pessoas na Turquia e na Síria “estão expostas” aos efeitos do terremoto.

Isso inclui cerca de um milhão de crianças, disse a diretora de Emergências da OMS, Adelheid Marschang.

Outra representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o número de mortes pode chegar a oito vezes o contabilizado atualmente.

“Infelizmente, sempre vemos a mesma coisa com os terremotos: os relatos iniciais do número de pessoas feridas ou mortas aumentará significativamente na semana seguinte”, disse a oficial sênior de emergência da OMS para a Europa, Catherine Smallwood, à agência de notícias AFP.Mapa da BBC mostrando epicentro dos dois tremores na Turquia e Síria

Mapa da BBC mostrando epicentro do terremoto

Esforço internacional de resgate

A Agência de Desastres e Emergências da Turquia (AFAD) disse que 2.660 funcionários de 65 países foram enviados para ajudar na operação de busca e resgate.

Juntamente com as equipes de resgate da Turquia, mais de 13 mil pessoas já foram designadas para trabalhar na área do desastre.

Muitas pessoas cujas casas foram destruídas pelos terremotos estão dormindo nas ruas em temperaturas muito baixas.

Há situações desesperadoras em que pessoas soterradas são ouvidas pedindo socorro, mas as equipes de resgate nem sempre têm os equipamentos adequados para resgatá-las.

As equipes de resgate estão correndo contra o tempo, disse à BBC o especialista em cuidados intensivos Richard Edward Moon, da Duke University.

A falta de água e oxigênio são os desafios mais imediatos. Cada adulto perde até 1,2 litros de água diariamente.

“Isso acontece entre urina, exalação, vapor d’água e transpiração, se houver. Quando oito ou mais litros são perdidos, a pessoa fica gravemente doente.”

Além disso, Turquia e Síria estão no inverno.

Um adulto médio pode tolerar temperaturas abaixo de 21°C sem que o corpo perca sua capacidade de manter o calor. Mas quando fica mais frio, o corpo precisa trabalhar mais.

Mulher chora em meio aos escombros

ANADOLU – Milhares de mortos foram confirmados na Turquia

Os sobreviventes desalojados passaram frio na noite de terça-feira (7/2). Em Gaziantep, epicentro do primeiro terremoto na Turquia, a temperatura chegou a -1°C.

Nas regiões montanhosas, a mímima foi de -5°C.

A previsão de tempo para os próximos dias no sul da Turquia e no norte da Síria é de mais frio.

“Nesse ponto, a temperatura do corpo se iguala à temperatura do ambiente. O ritmo em que isso ocorre depende do isolamento que a pessoa tem ou de ela conseguir um abrigo subterrâneo. Mas, em última análise, muitas pessoas podem acabar sucumbindo à hipotermia”, disse Moon.

Na Turquia, o presidente Recep Tayyip Erdogan declarou estado de emergência por três meses nas dez províncias mais afetadas pelos tremores.

Além de sofrer com os efeitos de ambos os terremotos, a Síria está com problemas para receber ajuda humanitária da ONU devido a danos nas estradas que ligam a Turquia ao país.

“Esta é uma crise maior do que as várias crises na região”, disse Adelheid Marschang, diretora da OMS, sobre a Síria.

Ela diz que as necessidades do país são altas após “quase 12 anos de crise prolongada e complexa, enquanto o financiamento humanitário continua diminuindo”.

Imagem aérea de prédio desabado

GETTY IMAGES- O segundo terremoto atingiu Kahramanmaras cerca de nove horas após o primeiro

Natalie Roberts, diretora dos Médicos Sem Fronteiras no Reino Unido, tem uma equipe na Síria.

“É uma catástrofe em cima de uma catástrofe. Em algumas partes da Turquia, como Gaziantep, há milhões de refugiados sírios morando frequentemente em moradias não muito robustas. É uma receita para o desastre”, disse a médica, acrescentando que um colega morreu soterrado nos escombros.

Roberts explica que as pessoas que permanecem muito tempo sob os escombros sofrem lesões por “esmagamento” que podem levar à insuficiência renal.

“Prevemos quadros assim nas próximas semanas”, diz.

“Precisamos pensar rapidamente em como fornecer condições de vida mais robustas para que as pessoas não sucumbam, por exemplo, a outro surto de cólera ou a outras doenças que possam advir desta situação”.

O norte da Síria vai sofrer com as consequências dos terremotos por “meses e meses”, lamentou Roberts.

O tremor também foi sentido no Líbano e em Chipre.

Rushdi Abualouf, repórter da BBC na Faixa de Gaza, disse que houve cerca de 45 segundos de tremores na casa em que ele estava hospedado.

A Turquia fica em uma das zonas de terremotos mais ativas do mundo.

Em 1999, mais de 17 mil pessoas morreram depois que um forte terremoto atingiu o noroeste do país.

Mas os terremotos deste fevereiro de 2023 são o maior desastre do país desde 1939, segundo o presidente da Turquia, Recep Erdogan.

BBC

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