PEC dos Precatórios passa na CCJ e vai a plenário na quinta

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Senadores discutiram a PEC dos Precatórios em uma sessão que mostrou a dificuldade de consenso sobre o tema

A CCJ (Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça) do Senado aprovou o relatório da PEC dos Precatórios no início da tarde desta terça-feira (30), depois de uma sessão longa. O relatório do líder do governo, senador Fernando Bezerra (MDB-PE), foi duramente atacado, inclusive, por colegas de partido. Uma das críticas principais é de que, se aprovada, a PEC 23/2021 poderá provocar uma bola de neve de dívidas do governo com o risco de chegar na casa dos trilhões.

O placar ficou em 16 a 10 a favor da PEC. O presidente da CCJ, Davi Alcolumbre (DEM-AP) fez votação simbólica mas, em seguida, o senador Alessandro Vieira pediu verificação. A expectativa é de que o texto vá ao plenário da Casa na quinta-feira (2).

Inicialmente, a ideia era que a PEC fosse a debate logo após a aprovação na CCJ. Mas, conforme o R7 apurou, os líderes do governo consideraram que o Senado está dividido e, nesta terça (30), o risco de a matéria não passar seria muito alto. O clima na CCJ foi um reflexo da dificuldade que a proposta enfrenta entre os parlamentares do Senado.

A sessão chegou a ser suspensa por mais de uma hora, para que os senadores debatessem o relatório de Bezerra e um substitutivo. O líder do governo pediu pressa na aprovação, e argumentou que, na região Nordeste, o número de dependentes de programas sociais do governo é maior do que o de pessoas trabalhando. Bezerra também mencionou o caso de pacientes desmaiando de fome na fila dos postos de Saúde em São Paulo.

“Temos pessoas passando fome na fila em São Paulo, que é o estado mais rico do Brasil. E a realidade no Norte, Nordeste e Centro Oeste é muito mais aguda”, argumentou Bezerra. Parte dos demais senadores, porém, argumentou que o pagamento do auxílio é importante e não está em questão, e sim, o formato como esse pagamento será feito e como abrir espaço fiscal para o governo.

O governo atrela a aprovação da PEC dos Precatórios ao pagamento do programa Auxílio Brasil, um Bolsa Família repaginado e, até agora, com data para acabar, dezembro de 2022. Segundo o ministro da Economia, com a aprovação da matéria, será possível incrementar o socorro aos mais pobres e pagar R$ 400 a 17 milhões de famílias.

Mudanças no relatório

Na segunda parte da sessão da CCJ, Bezerra apresentou as alterações propostas pelos parlamentares. Para uma das alterações, será preciso convencer o governo a garantir, no texto, que a utilização do espaço fiscal seja exclusiva para o pagamento do auxílio emergencial “que é unanimidade para todos os senadores”, destacou o relator.

Outra alteração importante foi garantir um escalonamento no pagamento dos precatórios de natureza alimentícia, pago para pessoas físicas. A prioridade será os de pequeno valor, chamados de RPV (Requisição de Pequeno Valor), de até R$ 66 mil, seguido  pelos precatórios de valores maiores pagos aos beneficiários ou herdeiros que tenham mais de 60 anos ou portadores de deficiência física e, na sequência, os valores maiores mais que, por lei, ainda são considerados “de natureza alimentícia”.

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