Primeiro dia de reabertura do comércio gera aglomerações na capital

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Após a derrubada da liminar que impedia a abertura de shoppings, galerias comerciais e lojas de rua, as atividades retornam com a obrigação de seguir regras de funcionamento como aferição de temperatura, limitação de horário (das 9h às 17h) e de público, álcool em gel, uso de máscara e distanciamento mínimo entre clientes e funcionários. No primeiro dia de liberação do comércio de rua em Goiânia houve aumento do movimento e formação de filas na entrada dos principais camelódromos da cidade.

Comerciante há mais de 25 anos do Camelódromo de Campinas, Luiz Henrique de Castro, conhecido como Tico, confessa que ficou impressionado com a movimentação do estabelecimento. “Sinceramente, eu me surpreendi. Achei que as pessoas estivessem mais temerosas de saírem de casa”. O comerciante acredita que as pessoas só devam sair de casa quando for realmente necessário. “Penso que as pessoas ainda não entenderam a gravidade da situação”, alerta o comerciante, que pede consciência.

Na opinião de Tico, apenas com a morte de alguém próximo, a doença será efetiva na conscientização. “Infelizmente, as pessoas só começam a se prevenir se tiverem algum parente ou alguém próximo levado pela doença”, lamenta. Luiz perdeu um casal de amigos próximos na última semana. “Eu estou preocupado, mas venho trabalhar porque não tem outro jeito”, declara.

Apesar de o Camelódromo de Campinas estar funcionando com 30% de sua lotação máxima, o movimento na loja de produtos eletrônicos de Tico foi intenso. A entrevista foi feita intercalada com o atendimento de vários clientes que procuravam o comerciante. “Muitas pessoas vêm aqui porque realmente precisam. Para alguns profissionais, certos equipamentos eletrônicos são essenciais para o trabalho”. Tico cita o caso de profissionais de imprensa, videomakers e produtoras de vídeo.

90 dias fechado

A procura pelo veterano do camelódromo também aconteceu no período em que o espaço estava fechado. De acordo com Tico, esse fator o ajudou a aliviar o prejuízo. “Eu consegui continuar trabalhando em menor demanda, por entrega. As pessoas entravam em contato em busca de produtos e eu os levava até elas”, conta. Após três meses sem abrir a loja, Luiz revela alguns problemas que enfrentou no primeiro dia. “A alta do dólar, o fechamento da fronteira com o Paraguai e dos mercados em São Paulo dificultaram bastante para gente. Isso refletiu na alta de preço de alguns produtos, a maior parte importado”.

O gestor do Camelódromo de Campinas, Leonardo Guerreiro, alega que todas as medidas de segurança exigidas pelo decreto municipal estão sendo seguidas à risca. Apenas uma das entradas do local estava desbloqueada para que todas as pessoas pudessem passar por um sistema de segurança que envolve a medição de temperatura por meio de aparelho eletrônico, tapetes sanitizantes nas entradas, número limitado de pessoas, horário reduzido e marcações de distância mínima no piso. Além disso, o álcool em gel é oferecido para os clientes nas bancadas das lojas.  

MP anuncia mandado de segurança para novo fechamento

O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) deve entrar com recurso no Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) para que a decisão liminar que suspendeu decreto municipal para abertura do comércio na Capital volte a valer. Haverá, também, por parte do órgão, manifestação de agravo junto à turma de desembargadores para apreciação dos motivos do fechamento.

A decisão liminar que impedia o funcionamento de shoppings, galerias comerciais e Região da 44, concedida no último domingo (21) perdeu a validade na noite de segunda-feira (22), quando foi derrubada pelo desembargador Luiz Eduardo de Souza. O magistrado considerou inválido o argumento do juiz Claudiney Alves, autor da liminar, de que a prefeitura deveria ter colhido autorização do Comitê Operacional de Emergência (COE) da Saúde.

O magistrado acatou recurso do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis (Secovi) para derrubar a liminar. De acordo com Luiz Eduardo, a nota técnica da Secretaria Municipal de Saúde era insuficiente, pois o Comitê de Operações Emergenciais (COE) “possui caráter temporário”.

Segundo a promotora de Justiça responsável pela ação, Marlene Nunes Bueno, a finalidade do recurso é alcançar o retorno da decisão do juiz de 1º grau. Além disso, o agravo tem o objetivo de argumentar com os desembargadores sobre a gravidade das condições epidemiológicas na Capital. Ela explica que sua promotoria vai apresentar um agravo interno para que o desembargador submeta sua decisão à turma formada por três desembargadores. Além disso, o procurador-geral de Justiça, Ailton Vecchi, deve propor um mandado de segurança com efeito suspensivo da decisão do desembargador Luiz Eduardo de Souza.

Em entrevista coletiva, a promotora de Justiça Marlene Bueno, afirmou que a reabertura contraria as indicações feitas pelos médicos sanitaristas e membros do COE. “É uma questão de calibração. Com os números melhorando, podem ser retomadas as atividades. Não podemos desconhecer os critérios técnicos”, disse. De acordo com Marlene Bueno, a reabertura das atividades econômicas não pode ocorrer de forma desamparada nos estudos exigidos pela legislação.

A promotora ressalta que a reabertura do comércio exige que sejam avaliados indicadores técnicos, dentre eles o índice de ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva, a evolução da contaminação pela Covid-19 e o quantitativo de mortes. “Neste momento estamos com alta taxa de ocupação de leitos de UTI, chegando a 95% na Capital”, afirmou. A ocupação de leitos de UTI, explicou, é bastante elevada, em curva ascendente, assim como o número de pessoas infectadas.

Fonte: O HOJE

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