Segurança diz que agiu em legítima defesa em tiroteio que matou homem

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O guarda civil metropolitano e segurança Bruno da Silva Menezes, de 29 anos, que trocou tiros com um policial militar no Supermercado Carrefour, em Goiânia, disse em depoimento nesta segunda-feira (6) que atirou em “legítima defesa”. De acordo com a Polícia Civil, o vigilante alegou que teve que intervir em uma “abordagem abusiva” do cabo da PM Bruno Carili Horbylon, de 36 anos, a um cliente que estava fazendo barulho na praça de alimentação.

Um funcionário do local morreu após ser baleado. O PM e um cliente também foram baleados. De acordo com a Polícia Militar, o cabo está internado no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) com estado de saúde estável e não corre risco de morrer. O cliente foi atingido por um tiro em raspão, socorrido e já recebeu alta.

De acordo com o delegado Ernani Cazer, o vigilante se apresentou espontaneamente. “O guarda civil disse que o policial militar estava na praça de alimentação do supermercado e se irritou ao ouvir um deficiente mental fazendo barulho. O vigilante então teria intervido, dizendo que ele estava fazendo uma abordagem abusiva ao deficiente. Segundo ele, o policial estava bastante alterado e eles começaram a discutir. O guarda afirmou que o PM o agrediu e ele atirou em legítima defesa, revidou. Agora vamos ouvir outras testemunhas para ver se esta história procede”, afirmou.

O caso aconteceu no domingo (5) na unidade do supermercado no Setor Vila Bela. Câmeras de segurança da área de alimentação do supermercado registraram o momento em que várias pessoas começam a correr. Em seguida, o segurança aparece na porta do estabelecimento efetuando disparos e também correndo para o lado de dentro

A Polícia Civil destacou que ambos trocaram tiros e foram encontradas cápsulas de armas correspondentes às que os dois portavam.

O subcomandante geral da PM, o coronel Carlos Antônio Borges, disse nesta segunda-feira que só após a conclusão do inquérito policial será possível determinar se o policial terá ou não alguma consequência na corporação.

“Enquanto não for determinada a responsabilidade de cada um neste crime, não podemos abrir qualquer processo na corregedoria ou em qualquer instância da corporação. Vale ressaltar que o policial estava de folga e será investigado como um cidadão comum que é responsável pelos seus atos”, disse.

O assessor de comunicação da PM, o tenente-coronel Ricardo Mendes, disse que a corporação lamenta o ocorrido. “Um fato bastante triste, principalmente pelo resultado morte do funcionário do Carrefour”, disse.

Em nota, o Carrefour informou que, após o fato, “imediatamente as autoridades foram acionadas para conduzir a situação”.  Disse ainda que “o hipermercado opera normalmente” e a “empresa segue à disposição das autoridades a fim de colaborar com as investigações, enquanto reforça seu compromisso com a segurança dos seus clientes, colaboradores e parceiros”.

A Guarda Civil de Aparecida de Goiânia lamentou o ocorrido e informou que vai apurar a conduta do servidor, que estava fazendo um serviço extra como segurança do Carrefour.

Morte
O registro de outra câmera, já do lado de fora, mostra quando o funcionário do supermercado, Ari José dos Reis, de 56 anos, é baleado. De calça escura e camisa branca, ele aparece caminhando no estacionamento quando é ferido. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Segundo as investigações, ele não tinha nenhuma relação com a discussão entre o policial e o segurança. Alguns clientes aparecem nas imagens correndo desnorteadas, tentando se proteger.

Testemunhas questionaram o fato do PM ter sido socorrido de helicóptero, enquanto o funcionário aguardava uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). De acordo com o subcomandante da corporação, o helicóptero não estava preparado para socorrer pacientes com lesões mais graves.

“Na circunstância, se o funcionário era o mais grave, não tinha como fazer o transporte pelo helicóptero, pela ausência de equipamentos. Por isso ele teve de aguardar a ambulância, que tem todo o aparato para fazer o socorro”, afirmou o coronel.

Investigação
Segundo o delegado Ernani Cazer, a partir da análise das câmeras de segurança não é possível afirmar quem começou a atirar. De acordo com ele, a polícia buscará novas testemunhas nesta segunda-feira para dar andamento aos depoimentos.

“A gente chegou ao supermercado já estava todo evacuado, portanto não pudemos pegar testemunhas. Vamos fazer este trabalho para tentar identificar pessoas que presenciaram a confusão e dar prosseguimento nas oitivas. A partir destes depoimentos teremos indícios para poder entender melhor a situação”, afirmou.

Segundo o delegado, o segurança disse que foi empurrado e levou um soco no rosto do cabo. Em seguida, o militar sacou a arma, momento em que o segurança fez o mesmo e efetuou o disparou.

“Não tenho elementos para prendê-lo. Se o PM sacou a arma primeiro, tudo leva a crer, a priori, que seria legítima defesa. Depois, no decorrer da investigação, se acharmos que há motivo para a detenção dele, isso ocorrerá”, destaca Cazer.

Tiroteio deixa um morto e dois feridos em supermercado de Goiânia GOiás (Foto: Rosane Mendes/TV Anhanguera)
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