Taxas futuras de juros passam por forte ajuste de alta com reação negativa do mercado ao arcabouço

0
34

 O dia seguinte da apresentação do novo arcabouço fiscal do governo ao Congresso foi marcado por fortes ajustes de alta nas taxas dos contratos futuros de juros, em especial na ponta longa, onde atuam os estrangeiros, com participantes do mercado citando preocupações com o cumprimento das regras fiscais no Brasil, em meio a movimento global de fuga de ativos de risco.

A quarta-feira começou com dados do Reino Unido, que mostraram uma inflação anualizada de 10,1% em março, acima dos 9,8% projetados por economistas e dos 9,2% esperados pelo banco central do país.

A inflação no Reino Unido, juntamente com declarações de terça-feira do presidente do Federal Reserve de St. Louis, James Bullard, defendendo juros mais altos nos EUA, geraram uma aversão a ativos de risco em todo o mundo pela manhã.

Este foi o impulso inicial para as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) no Brasil. Os investidores, no entanto, também reagiam negativamente à apresentação, na terça-feira, do novo arcabouço fiscal ao Congresso.

De acordo com o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, o arcabouço não trouxe mecanismos robustos para assegurar o retorno das contas públicas para uma trajetória sustentável.

“O que mais incomoda é o fato de não haver responsabilização no caso de as metas fiscais não serem atingidas. É um grande incentivo para elevar a carga tributária. A estratégia está bem clara: não vai haver corte de despesas e o arcabouço dependerá das receitas”, avaliou Rostagno.

A lei do teto de gastos, juntamente com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), estabelecia punições para o não cumprimento dos parâmetros. Na proposta do arcabouço, a punição é branda, na avaliação de alguns especialistas.

O economista-chefe e sócio da Ryo Asset, Gabriel Barros, pontuou que, com o arcabouço, se o governo descumprir as metas de superávit primário, o limite de crescimento do gasto passa a ser de 50% da receita, e não mais de 70%.

“Ou seja, a despesa pode continuar subindo”, destacou Barros.

O economista defende ainda que o arcabouço, na forma que foi apresentado, não é matematicamente factível. Em seus cálculos, se não houver forte aumento de arrecadação em todos os anos, a conta não fecha.

“O mercado resolveu fazer contas nesta quarta-feira”, comentou Barros, em referência ao avanço firme dos juros futuros e do dólar no Brasil. “Fazendo as contas, entregar uma meta de primário seria muito difícil, teria que haver surpresa de arrecadação todo o ano. E a dinâmica de crescimento das despesas não se sustenta.”

Neste cenário, no fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2024 estava em 13,275%, ante 13,25% do ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 12,12%, ante 11,981%. Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2026 estava em 11,94%, ante 11,745% do ajuste anterior e a taxa para janeiro de 2027 estava em 12,085%, ante 11,826%.

Perto do fechamento, a curva a termo precificava apenas 4% de chances de o Banco Central reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual no encontro de política monetária de maio e 96% de probabilidade de ele manter a taxa em 13,75% ao ano.

No exterior, os retornos dos Treasuries seguiram em alta, refletindo a perspectiva de que o Federal Reserve pode manter sua política monetária apertada por mais tempo.

Às 16:38 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– subia 3,20 pontos-base, a 3,6042%.

Reuters

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui