Venda de veículos despenca e gera demissões e fechamento de concessionárias

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As projeções de um ano desastroso para o mercado de veículos é reforçada por novo balanço divulgado pela Fenabrave sobre os reflexos do baixo volume de vendas na atividade comercial. A crise enfrentada pelo setor levou ao fechamento de 250 das cerca de 8 mil concessionárias do país no primeiro quadrimestre. Mais de 12 mil trabalhadores entre 410 mil empregados diretos do setor foram dispensados.20141226204534680611e

“Se a economia continuar como está, poderemos ter uma retração ainda maior nas empresas até o final deste ano, com o fechamento de 10% do total de concessionárias, o que pode representar entre 35 mil a 40 mil empregos”, adverte Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, dizendo que a única reivindicação da entidade se resume no necessário ajuste fiscal a ser feito e na breve retomada da economia. “Sem atividade econômica, o setor não tem como acelerar”, reforçou.

Em abril, o setor de distribuição de veículos, que envolve automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários, tratores e máquinas agrícolas e outros, registrou queda de 8,91% na atividade comparado a março. Foram emplacadas 343.049 unidades em abril, contra 376.585 no mês anterior. Na comparação com abril do ano passado, a retração é de 21,08% e de 16,63% no acumulado do ano. Nos primeiros quatro meses deste ano, foram emplacadas 1.389.558 unidades, contra 1.666.811 no mesmo período de 2014.

O fraco desempenho da atividade econômica, alavancado pela inflação e a taxa Selic em alta (aumento de juros e spread, pelo risco), queda no PIB Nacional, aumento do desemprego, crédito mais restrito e, principalmente, a falta de confiança por parte do consumidor, afetam as vendas de veículos no País.

O segmento de veículos pesados registrou queda de 10,72% entre março e abril e de 46,71% em relação a abril do ano passado. A redução no volume de carga transportado reflete na baixa. “Com exceção do agronegócio, que está em alta, não há outro setor que sustente o segmento de caminhões. Sem PIB não há vendas neste segmento”, disse Assumpção.

Novas projeções
O cenário levou a Fenabrave a revisar as previsões para o ano, que estão ainda mais pessimistas. Os segmentos de automóveis e comerciais leves devem ter uma queda de 18% na comparação com 2014, totalizando 2.729.646 unidades.

A previsão anterior era de redução de 10% nas vendas. “No entanto, o cenário real foi muito pior do que o que havíamos pensado em encontrar, o que refletiu na revisão, para baixo, das previsões”, afirmou Assumpção.

A retração na economia deve abalar todos os segmentos automotivos. Os caminhões devem ter queda de 41% nos emplacamentos, com 80.864 unidades. Ônibus devem encerrar com decréscimo de 21%, totalizando 25.313 unidades. Para o segmento de duas rodas, que vem sofrendo desde a crise de 2008, as projeções indicam um cenário de retração de 9% ante 2014, com 1.301.204 motocicletas comercializadas.

Na soma de todos os segmentos automotivos, em 2015, o setor como um todo deverá retrair 16,05%, totalizando 4.137.027 unidades emplacadas.

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