Você sabia que a dipirona, um dos medicamentos mais comercializados no Brasil, é proibido há décadas nos Estados Unidos e em parte da União Europeia?
A dipirona é amplamente utilizada no Brasil para aliviar febre e dor, com cerca de 200 milhões de doses vendidas por ano, de acordo com a Anvisa.
A proibição no exterior se dá por conta de um possível efeito colateral grave chamado agranulocitose, que é uma condição de sangue potencialmente fatal caracterizada pela redução de certos tipos de células de defesa.
Porém, não há comprovação de que a dipirona seja perigosa para a população em geral quando usada corretamente. Alguns países preferem proibir por precaução. Outros quando não veem necessidade.
No Brasil, a dipirona é conhecida principalmente pelo nome comercial Novalgina. Outros medicamentos populares que contêm dipirona são o Dorflex e a Neosaldina.
Embora seja aconselhável consultar um farmacêutico para determinar a melhor opção para cada caso, todos esses produtos estão disponíveis sem necessidade de receita médica.
Para alguns especialistas, a forma como a dipirona age para reduzir a febre e aliviar a dor ainda não é completamente compreendida, apesar de existirem hipóteses.
A principal delas é que ela inibe uma molécula inflamatória conhecida como COX, incluindo um tipo exclusivo dessa molécula encontrado no sistema nervoso central.
Apesar de ter sido amplamente utilizada em todo o mundo até os anos 1960 e 1970, um trabalho publicado em 1964 calculou que uma alteração sanguínea grave acontecia em uma pessoa para cada 127 que consumiam a aminopirina — substância com estrutura similar à da dipirona.
União Européia
Depois da retirada de circulação no mercado norte-americano, em 1977, outros países adotaram a mesma solução, como Japão, Austrália, Reino Unido e parte da União Europeia.
Médico Cientista
No Brasil, estudos mais recentes encontraram taxas de agranulocitose relativamente baixas, e a Anvisa concluiu que os benefícios da dipirona superam os riscos.
Estudos posteriores feitos a partir dos anos 1980 na Itália, Israel, Alemanha, Hungria, Espanha, Bulgária e Suécia foram mais favoráveis ao medicamento: 1,1 caso de agranulocitose para cada 1 milhão de indivíduos que usaram a dipirona.
