sábado, maio 9, 2026
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Aparecida celebra 104 anos com crescimento, identidade própria e orgulho da população

A história de Aparecida de Goiânia começou com uma promessa e um pé na poeira, lá em 1922. O que era só um ponto de descanso para quem viajava pelo interior, virou um lugar de gente que acredita no trabalho. Hoje, quem vê aquele movimento todo do Polo Empresarial e prédios subindo, nem imagina que o começo de tudo foi um cruzeiro de madeira fincado no chão por algumas famílias devotas. Mas para entender como a construção da cidade chegou ao que é hoje, é preciso olhar para trás com quem conhece essa história a fundo.

O historiador Tiago Oliveira explica que o crescimento da cidade não foi por acaso. Ao Jornal Opção, ele explicou que a cidade de Aparecida de Goiânia nasce após uma doação de terras de fazendeiros da região como forma de pagamento de promessa. Esse empurrãozinho foi o que transformou a antiga vila em uma cidade de verdade.

“Aparecida se emancipou de Goiânia em 14 de novembro de 1963. E hoje tem quase 560 mil habitantes, e se consolidou como uma cidade desenvolvida mais na administração do Maguito Vilela e com o Polo Industrial”, conta o historiador.

Por muito tempo, Aparecida também foi apenas uma cidade-dormitório, isso porque as pessoas buscavam mais oportunidades de emprego na capital. Mas o jogo virou quando o município abriu as portas para as indústrias. Para o economista Márcio Dourado, a cidade soube aproveitar o que ele chama de “janela de oportunidade”, unindo a localização privilegiada ao lado da BR-153 com incentivos para quem queria produzir no município.

“Aparecida dava uma faca e um queijo na mão: boa localização e incentivos fiscais. Em poucos anos, a cidade saiu de uma dependência quase exclusiva da capital para ter protocolos econômicos próprios”, destaca Márcio. Segundo ele, essa virada de chave ficou mais clara logo após o início dos anos 2000, quando o município passou a atrair grandes empresas de logística e distribuição.

Mas, apesar de tanto dinheiro girando, o que faz a renda por pessoa parecer alta nas estatísticas, o economista faz um alerta importante sobre a realidade das ruas. Ele explica que o indicador de renda per capita pode enganar, já que a riqueza ainda é muito concentrada. “Apesar de apresentar uma renda que pode parecer alta, na prática, nós ainda vamos ver muitos bolsões de pobreza e muita desigualdade social. É muita gente ganhando pouco e algumas pessoas ganhando muito”, pondera Dourado.

Cidade acolhedora

É esse o cenário que Aparecida vive hoje: o desafio de continuar crescendo como potência econômica, sem esquecer de quem está na ponta, ajudando a erguer a cidade no dia a dia. Mas, para além dos números, a alma de Aparecida está em quem vê a cidade mudar todo dia. Se antes o município era só um lugar de passagem, hoje é o destino de quem busca oportunidade.

Essa mudança é nítida para a corretora de imóveis Maria Eduarda, de 21 anos. Ela faz parte de uma nova geração que cresceu junto com os bairros e hoje trabalha com essa expansão. “Aparecida foi por muito tempo uma cidade-dormitório, mas hoje os negócios prosperam. Como corretora, vejo a valorização de cada setor e o comércio aumentando”, afirma. Para ela, a chegada de shoppings na região central e na divisa com a capital mudou o dia a dia. “Morar aqui é muito bom e a tendência é crescer cada vez mais”.

Corretora de imóveis, Maria Eduarda | Foto: Raunner Vinícius Soares/Jornal Opção

Quem também sente essa autonomia no cotidiano é a jovem Jennyfer, de 19 anos. Para ela, a maior mudança está na praticidade de não precisar mais cruzar a divisa para resolver a vida. “A cidade está crescendo demais, tanto no comércio quanto na população. Hoje em dia já não tem tanta necessidade de ir até Goiânia, porque aqui em Aparecida já tem tudo o que a gente precisa”, explica.

Jovem Jenyfer, de 19 anos | Foto: Raunner Vinícius Soares/Jornal Opção

A visão da melhora expressiva da cidade também vem do educador físico Marcos Paulo, de 22 anos. Para ele, a característica de cidade-dormitório foi deixada para trás e, agora, Aparecida tem se tornado atrativa até mesmo para quem vive em Goiânia. “Aumentou muito o número de empregos pela chegada de novas indústrias e empresas na cidade. A gente vê uma valorização ao redor, o que tem trazido pessoas de Goiânia pra cá pra trabalhar, e a gente tá só crescendo, e isso é muito legal. O próprio Centro valorizou também muito por causa do shopping, que trouxe uma verdadeira mudança”, pontua.

Marcos Paulo destaca que o shopping levou mudança significativa para Aparecida | Foto: Raunner Vinícius/Jornal Opção

Toda essa transformação ganha um significado especial neste dia 11 de maio, data em que Aparecida de Goiânia celebra seus 104 anos. O que nasceu de um sentimento de fé em torno de uma pequena capela da Padroeira do Arraial, hoje se agiganta como um dos motores de Goiás. Celebrar mais esse aniversário é olhar para o passado com respeito aos pioneiros e encarar o futuro com o entusiasmo de uma cidade que, mesmo centenária, mantém o fôlego de quem ainda tem muito para crescer.

Aparecida de Goiânia originou-se a partir da Capela da Padroeira do Arraial | Foto: Prefeitura de Aparecida de Goiânia
Jornal Opção
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