quarta-feira, maio 27, 2026
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Polícia estima que grupo movimentou R$ 700 mil com venda ilegal de canetas emagrecedoras

Uma megaoperação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), deflagrada nesta terça-feira (26/05), apreendeu mais de 325 canetas emagrecedoras — entre frascos, ampolas e caixas — em posse de um grupo previamente articulado para a comercialização ilegal. Cinco pessoas foram presas pelos investigadores da 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural) pouco antes de despachar a mercadoria na Rodoviária Interestadual de Brasília.

A carga tinha como destino o estado de Minas Gerais, onde seria revendida. Os envolvidos são um homem de 39 anos, dono do Hotel 1001 Noites, de Taguatinga; a recepcionista do local, de 21 anos; dois motoristas de transporte por aplicativo, de 43 e 48 anos; e uma autônoma, de 46 anos.

O quinteto mantinha funções específicas na engrenagem criminosa, afirmou o delegado da 8ª DP Abraão Ferreira. Segundo ele, as investigações partiram de uma denúncia anônima. O informante alegou que uma carga com os medicamentos sairia de Brasília rumo a Minas Gerais. No terminal, os investigadores interceptaram uma encomenda suspeita e identificaram elementos que levaram ao paradeiro de uma das pessoas envolvidas.

Lucro

Uma das mulheres foi detida próximo ao shopping CasaPark, em posse de outros produtos semelhantes. A outra suspeita foi presa na Rodoviária Interestadual, também com medicamentos.

Segundo a polícia, o dono do hotel/motel usava o estabelecimento para armazenar os fármacos, afirmou o delegado. As canetas emagrecedoras e as seringas eram acondicionadas em caixas de isopor em refrigeradores — e até mesmo fora — no estabelecimento. “Todos esses produtos seriam vendidos de forma ilegal. Estimamos um lucro para o grupo de R$ 700 mil, mas as investigações continuam”, frisou.

A polícia acredita que os investigados atuavam, pelo menos, desde 2025. Outros possíveis envolvidos estão na mira da polícia.

Riscos à saúde

O desejo de um método de tratamento imediato por um preço reduzido pode parecer uma boa solução, mas é uma escolha que carrega uma série de riscos à saúde. Ana Paula Rocha, 32, endocrinologista especializada em obesidade no Hospital Anchieta, afirma que o uso não supervisionado de um produto pode trazer duras consequências à saúde. “Quando se compra algo que não passou pela devida verificação de segurança, você perde a garantia de que aquele produto é seguro para aplicação”, explica. “No caso das canetas de Mounjaro irregulares, existe a chance de desenvolver insuficiência renal, pancreatite ou até entrar em coma”, conta a médica.

Para além de problemas de saúde, a aquisição desses medicamentos por meios não oficiais também vem com um elevado risco de fraude. “Nunca se sabe o que a pessoa que falsifica Mounjaro coloca dentro da seringa. Já ouvi relatos de canetas com insulina, soro fisiológico, já vi casos em que a pessoa paga R$ 500 em um produto que só tinha água”, conta a nutricionista especialista em emagrecimento Marina Gusmão.

“A mercadoria oficial costuma alcançar a faixa de R$ 2 mil aqui no Brasil, enquanto a versão ilegítima é vendida por cerca de R$ 500. Quando a diferença entre os custos se torna tão grande assim, as pessoas começam a se importar mais com o preço do que com a própria saúde”, comenta a profissional.

As especialistas reiteram a necessidade de cuidado máximo ao lidar com o Mounjaro. A aquisição do medicamento só deve ser feita sob prescrição médica, e seu uso deve ser acompanhado por supervisão profissional. “Trata-se de um produto forte e potente. As pessoas enxergam ele como um remédio milagroso, porém a perda de peso é um processo bem mais complexo”, disse Gusmão. “Hoje em dia, as pessoas querem ‘ser emagrecidas’ em vez de emagrecer, e isso é muito perigoso.”

A melhor forma de evitar as consequências da aplicação de um produto adulterado é comprar de fornecedores oficiais. “É bom lembrar que a única empresa que possui a permissão para vender as seringas é a Eli Lilly. Além disso, a aquisição por meio de redes farmacêuticas confiáveis é uma ótima forma de se prevenir contra produtos falsificados” disse Ana Paula Rocha.

Correio Braziliense

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