sábado, junho 6, 2026
InícioBRASILPlanalto vê espaço para negociar tarifa de 25% com EUA, e não...

Planalto vê espaço para negociar tarifa de 25% com EUA, e não a de 12,5%

O governo Lula trabalha com cenários distintos para as duas sobretaxas anunciadas pelos Estados Unidos nesta semana. Enquanto vê margem para negociar a tarifa de 25% direcionada exclusivamente ao Brasil, o Planalto considera remota a reversão da taxa de 12,5% aplicada a 59 países e à União Europeia.

As duas propostas de sobretaxa aos produtos brasileiros foram anunciadas nesta semana como resultado de investigações realizadas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

O governo sabe que o cenário também é difícil no caso dos 25%, mas avalia ter mais margem de negociação justamente porque essa tarifa é exclusiva ao Brasil — o que abre espaço para uma tratativa bilateral. Já a sobretaxa de 12,5% atinge 59 países e a União Europeia ao mesmo tempo, o que torna mais complexa uma reversão isolada em favor do Brasil.

Entre os auxiliares do presidente Lula, a aposta é que as negociações cheguem a um bom termo para Brasil e Estados Unidos e, com isso, seja possível evitar — ou ao menos postergar — a aplicação da sobretaxa de 25% até que se alcance uma solução definitiva.

O governo brasileiro deve concentrar a negociação nas questões tarifárias. Há a possibilidade de avançar com algumas propostas ao longo das conversas, mas há também um limite claro: o PIX, como o próprio presidente Lula já defendeu publicamente, está fora de cogitação.

A expectativa é de que a próxima semana traga um passo concreto. Os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, têm prevista para a próxima semana uma videoconferência com Jamieson Greer, chefe do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), para tratar da proposta de tarifas sobre produtos brasileiros. A data ainda não está confirmada.

O prazo de um mês do grupo de trabalho criado para discutir as tarifas após a reunião entre Lula e Donald Trump na Casa Branca, em maio, termina neste domingo (7). Diante da nova proposta de tarifaço, porém, as equipes dos dois países seguirão em contato até 15 de julho, data prevista para o início da aplicação das tarifas caso não haja acordo.

Na segunda-feira (1º), o USTR anunciou a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o Brasil adota práticas consideradas “irrazoáveis” ao comércio americano. Entre os pontos citados após a investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA estão tarifas vistas como desleais, o PIX, falhas no combate à corrupção, o desmatamento e o acesso ao mercado de etanol.

No dia seguinte, terça-feira (2), o órgão apresentou a proposta de tarifa de 12,5% para 59 países e a União Europeia, entre eles o Brasil, por concluir que há falhas na proibição e na fiscalização da comercialização de mercadorias provenientes de trabalho forçado.

Apesar das medidas, auxiliares do Planalto avaliam que a relação entre Lula e Trump permanece preservada, mesmo após as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos e a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Casa Branca, em 26 de maio.

O governo ainda calcula a conveniência de um encontro entre os dois presidentes durante a cúpula do G7, marcada para os dias 15 a 17 de junho, na França. Os dois já confirmaram presença, mas, até o momento, não há pedido formal de reunião por parte de nenhum dos governos. A avaliação é que uma conversa só faria sentido se houver avanço nas negociações em nível técnico.

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas