O governo brasileiro rejeitou duas declarações aprovadas pelo G7 por discordar das propostas feitas pelo grupo para fomentar o desenvolvimento em países mais pobres e para combater o surto de Ebola.
A primeira declaração, sobre “parcerias internacionais mutuamente benéficas”, propõe reformas para “tornar a arquitetura mais eficiente, incentivar a mobilização de recursos internos nos países parceiros e atrair mais capital privado, fortalecendo a autonomia econômica das nações mais pobres”.
A principal proposta aprovada pelo G7, com apoio do presidente Donald Trump, é usar os reduzidos recursos públicos oferecidos pelo próprio grupo de países ricos ao desenvolvimento para alavancar mais investimentos privados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, apresentou durante discurso justamente sobre esse tema uma proposta diferente, afirmando que muitos aspectos precisam ser envolvidos na discussão – entre eles o combate ao crime organizado e às mudanças climáticas, além de políticas mais ambiciosas de distribuição de riquezas e luta contra a desigualdade.
Umas das principais críticas do Brasil ao texto foi a falta de qualquer autocrítica dos países ricos sobre os problemas causados pelo protecionismo defendido por alguns de seus governos, em especial os Estados Unidos, e os impactos dos conflitos que os envolvem, como a guerra no Oriente Médio.
Combate ao Ebola
No caso do texto sobre o Ebola, o G7 fez um apelo por uma resposta internacional coordenada contra o novo surto na República Democrática do Congo e em Uganda.
O documento enfatiza a necessidade de conter rapidamente a disseminação do vírus por meio de medidas como rastreamento de contatos, controle de infecções, vigilância de fronteiras e mobilização de recursos médicos e humanitários, diante das dificuldades adicionais causadas por conflitos na região e pela limitação das vacinas e tratamentos disponíveis para essa variante.
No entanto, o longo texto não menciona nenhuma vez sequer o papel crucial da Organização Mundial da Saúde (OMS) na luta contra a doença.A OMS, como se sabe, é a entidade da ONU responsável pelas respostas globais contra as pandemias. No entanto, a organização é muito criticada pelo governo Trump.
A CNN apurou que o governo norte-americano ameaçou vetar o texto caso a OMS fosse incluída.
Uma fonte do governo Lula lembrou que o governo tem todo o interesse em apoiar o combate ao Ebola e acompanha o problema com atenção, mas afirmou que não haveria a menor possibilidade de o texto ser aprovado sem os devidos créditos à OMS.
Na quarta-feira (17), o G7 deve aprovar outras textos, mas alguns deles terão também a oposição do Brasil – em especial o que fala sobre minerais críticos.
Como o Brasil não faz parte do G7, não pode propor alterações nos textos. Mas poderia endossar as propostas, como fez nesta terça-feira (16) no caso de uma declaração de apoio ao combate global ao câncer.
CNN
