terça-feira, junho 23, 2026
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Prédio abandonado há mais de 10 anos no Centro deve virar moradia popular para mais de 50 famílias, em Goiânia

O Residencial Altino Alves Teixeira, localizado no cruzamento da Avenida Goiás com a Rua 2, no Centro de Goiânia, será transformado em moradia para 52 famílias. O prédio, que estava sem uso há mais de dez anos, será revitalizado por meio da modalidade Entidades do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que financia a construção ou reforma de moradias para famílias de baixa renda, organizadas de forma coletiva por entidades privadas sem fins lucrativos.

No caso do edifício no Centro, as famílias beneficiadas já foram selecionadas, possuem renda mensal de até dois salários mínimos e não podem ser proprietárias de outro imóvel.

De acordo com reportagem do jornal O Popular, o imóvel pertencia à União e foi cedido ao Movimento pela Reforma Urbana do Estado de Goiás (MRU-GO), que venceu uma seleção nacional para a execução do projeto. O investimento total para a requalificação do prédio é de R$ 10,9 milhões, com financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF).

Cada unidade habitacional recebeu o aporte de R$ 210 mil. As obras de revitalização devem começar nas próximas semanas, com prazo de conclusão estipulado em 18 meses.

A estrutura do edifício, anteriormente denominado Edifício Senador João Vila Boas, possui 11 andares e contará com apartamentos de um e dois quartos. O projeto de retrofit prevê a manutenção dos traços art déco originais da fachada, além da instalação de itens de acessibilidade para pessoas com deficiência em todas as unidades.

O prédio também terá áreas de uso comum, como salão de festas, brinquedoteca e biblioteca. A previsão é de que ele tenha “fachada ativa”, com duas salas no térreo que deverão ser alugadas para custear despesas do condomínio, como manutenção de elevadores, hall de entrada e zeladoria.

Quem poderá morar no residencial

A execução das obras conta com a parceria da Integra Construtora e o acompanhamento da Secretaria do Patrimônio da União (SPU). De acordo com a presidente do MRU-GO, Simone Inocêncio Teixeira, todas as famílias já assinaram o termo de adesão.

“Estamos com o contrato com a Caixa no processo de registro do cartório. Falta resolver isso para colocar a placa para o início das obras”, explicou.

Segundo a presidente, o objetivo do projeto é a ocupação da região central da capital e a inclusão social das famílias. O imóvel é o primeiro edifício em Goiás a participar de um programa de habitação que utiliza prédios abandonados para abrigar pessoas da Faixa 1 do MCMV, voltada à menor renda.

“Precisamos de parcerias. Por isso, estamos articulando com o poder público municipal para que se tenha a isenção de impostos para os moradores. A União fez a parte dela, agora os demais entes também precisam. E vamos ter também o aluguel das salas para custear o condomínio. Não vamos soltar a mão dessas famílias”, disse a presidente ao ao repórter Vandré Abreu.

Histórico de degradação

O imóvel abrigou uma agência da Caixa Econômica Federal até os anos 2000. Em 2010, o Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito para apurar as condições de conservação do local, e um relatório de 2014 apontou a degradação da infraestrutura. O processo para a liberação das obras e da documentação necessária teve início em 2023.

A proposta integra uma política de reaproveitamento de imóveis em áreas centrais para fins de habitação social. A presidente do MRU em Goiás afirmou ainda que trabalha junto a órgãos públicos, como a Câmara de Goiânia, para a captação de outros imóveis na região para novas políticas habitacionais.

“Da União, esse era o único, mas há outros, até mesmo particulares, que podemos trabalhar com os órgãos públicos para adquiri-los”, afirmou.

Preparação das famílias para a mudança

À reportagem, a superintendente da SPU em Goiás, Rosana Carvalho, informou que a Caixa tem realizado um trabalho de assistência social e psicologia com as famílias escolhidas.

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