Os pré-candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) defenderam, nesta segunda-feira (22/6), propostas voltadas ao fortalecimento da economia brasileira durante o evento “Construindo o Brasil 2050”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também foi convidado para o debate, mas não confirmou presença.
Apontados como opositores do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os três presidenciáveis convergiram em temas como segurança pública e reformas. Eles defenderam o combate à criminalidade como condição para melhorar o ambiente econômico e atrair investimentos ao País, em meio ao avanço das facções criminosas, tema que tem dominado o debate nacional e é considerado o principal calcanhar de Aquiles do atual presidente.
Flávio Bolsonaro dedicou a maior parte de seu discurso à segurança pública. Segundo ele, o foco é endurecer as penas ao classificar as facções criminosas como “terroristas”, com o objetivo de promover mudanças no Código Penal. Em outro momento, defendeu uma política de proteção às mulheres vítimas de violência. “Essa eleição não é sobre Bolsonaro e Lula, é sobre o que deve ser feito no Brasil”, afirmou o senador, ao fazer referência ao pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.
Romeu Zema, por sua vez, afirmou que o país precisa de um “choque contra a criminalidade”, associando o tema à dificuldade de o Brasil conquistar novos investimentos. Ele também fez menções aos casos de corrupção e ao caso Master, envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. “Para o Brasil mudar, é necessário alguém eleito do setor privado, porque essa pessoa conhece as dores das contas no final do mês. O crime organizado é um desafio ao cenário econômico brasileiro”, disse o ex-governador de Minas Gerais.
Já Caiado, que tem a segurança pública como uma das principais bandeiras na pré-campanha, manteve o posicionamento de que o combate à criminalidade é essencial para o desenvolvimento do país. O ex-governador de Goiás também defende classificar as facções criminosas como “terroristas” e afirmou que um pacote de medidas está sendo desenvolvido sobre o tema. “Este cenário de ineficiência no combate ao crime organizado é o que tem desafiado o Brasil, invadindo a economia formal. Se não nos atentarmos, amanhã esse problema será ainda maior”, afirmou.
Economia
Tanto Zema quanto Flávio Bolsonaro defendem uma nova reforma tributária e são totalmente contrários à aprovada em 2023, que está em fase inicial de testes. A transição completa será realizada de forma faseada até 2033. Já Caiado afirmou que não é totalmente contrário à reforma tributária, mas que é necessário analisar os setores que sentiram maior impacto. Segundo ele, existem segmentos que foram “duramente penalizados” e isso, nas palavras do goiano, precisa ser ajustado.
A nova reforma tributária passa por um período de testes e transição a partir deste ano. A alteração completa do sistema tributário nacional só ocorrerá em 2033, quando serão definitivamente extintos o ICMS e o ISS. Ao longo desse período, serão testados e entrarão em vigor os novos tributos criados pela reforma: o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), partilhado entre estados, Distrito Federal e municípios; além do Imposto Seletivo, que incidirá sobre produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
Além disso, os três presidenciáveis concordaram com a necessidade de uma nova reforma previdenciária, trabalhista e administrativa. Todos também citaram uma reforma ministerial, direcionada a critérios específicos, especialmente em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Meio ambiente
Outro tema presente nos discursos dos três presidenciáveis foi a política ambiental. Para eles, o país tem potencial para crescer com base em seus recursos naturais.
Flávio Bolsonaro defendeu uma “menor burocratização” dos licenciamentos ambientais. Segundo ele, é possível construir empreendimentos e, ainda assim, preservar o meio ambiente. Minimizando as questões climáticas, o senador também afirmou que essa política deverá seguir os “moldes do governo de Jair Bolsonaro”.
Caiado, por sua vez, comentou sobre o potencial energético do Brasil e defendeu que é necessário analisar as particularidades de cada região. O ex-governador de Goiás também defendeu políticas ambientais. No entanto, afirmou que não se deve construir um governo com base na política do “não”, atribuindo essa postura à possibilidade de corrupção.
Educação
Ainda durante o evento da CNI, Zema afirmou que é necessário investir em capacitação e criticou os atuais auxílios do governo. Segundo ele, o mercado tem enfrentado dificuldades para contratar mão de obra. Nesse sentido, disse que pretende lançar um pacote de medidas voltado a beneficiar aqueles que trabalharem e se qualificarem.
“Será para homens, porque as mulheres têm outras atribuições. Será um benefício que irá tirá-los do auxílio do governo e incentivar o trabalho. O valor será de R$ 6 mil, a ser pago em parcelas àquele que decidir trabalhar formalmente”, pontuou o ex-governador de Minas Gerais.
Flávio Bolsonaro limitou-se a afirmar que pretende atuar de forma intensa nas áreas de educação, saúde e inovação. No entanto, não detalhou propostas e voltou a concentrar o discurso na segurança pública.
Por fim, Caiado destacou a educação e o conhecimento como soluções eficazes para o desenvolvimento do território brasileiro.
“Só há uma solução para a competitividade no Brasil, e ela está atribuída à educação. Eu confio plenamente no conhecimento e que este é o maior caminho de transformação social. Oferecer às pessoas oportunidades para que elas possam se capacitar e ter renda. Além disso, é preciso aprofundar a Inteligência Artificial e as novas tecnologias”, destacou o ex-governador de Goiás.
Fonte: A Redação
