quinta-feira, julho 23, 2026
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Cidade que aportou milhões no Master também liberou consignado no Digimais

Um ano após aportar R$ 98 milhões da previdência municipal no Banco Master, o município de São Roque, no interior de São Paulo, autorizou os servidores, inclusive os aposentados, a fazer empréstimos consignados com o Banco Digimais, alvo de operação da Polícia Federal (PF) nessa terça-feira (23/6).

Policiais cumpriram nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao banco do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. O líder evangélico não foi alvo porque não mora no Brasil, mas teve a quebra de seu sigilo bancário e o bloqueio de seus bens decretados pela Justiça.

A suspeita é a de que o Digimais manipulou balanços, fraudou registros regulatórios e inflou artificialmente valores de ativos para ocultar a real situação financeira da instituição, o que seria crime contra o sistema financeiro.

Em outubro de 2025, quando São Roque autorizou os empréstimos consignados dos funcionários públicos do município, os problemas financeiros do banco de Edir Macedo já eram públicos. O contrato tem validade de um ano.

Como o valor da prestação é descontado direto na folha de pagamento, o crédito consignado costuma ter juros menores do que os de mercado e ajuda a garantir mais liquidez aos bancos em momentos de crise.

Meses antes, o Banco Central havia rejeitado a venda do Digimais para o BlueBank, banco de Maurício Quadrado, ex-sócio do Master e investigado pela PF pelos crimes que teriam sido cometidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro e seus parceiros.

O deputado estadual Paulo Fiorilo (PT-SP), que levantou uma série de municípios que autorizaram empréstimos consignados do Digimais em municípios paulistas, acredita que os casos estão conectados.

“Esses movimentos demonstram que as operações de crédito e as aplicações de recursos públicos não são eventos desconexos. Trata-se de um ecossistema complexo onde o endividamento do servidor e a alocação de milhões do erário municipal convergem sob a gestão de instituições financeiras interligadas”, afirma o deputado.

O parlamentar também apontou contratos feitos em 2025 para consignados do Digimais em São José do Rio Preto e Tambaú, no interior paulista, e São Sebastião, no litoral norte de São Paulo.

Consignado a policiais paulistas

A Polícia Militar (PM) de São Paulo também foi liberada para operar consignados do Banco Digimais, um mês antes de São Roque autorizar o mesmo tipo de empréstimo.

O crédito consignado aos PMs paulistas abriu uma clientela considerável já que a corporação conta com mais de 80 mil policiais militares.

A crise do Digimais ficou evidente desde a pandemia de Covid-19, quando o banco passou por problemas de inadimplência.

Relatórios técnicos de 2024 e 2025 mostram que o patrimônio da instituição foi corroído e precisou de aportes recorrentes do próprio bispo Edir Macedo para não quebrar.

Metrópoles

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