segunda-feira, agosto 10, 2026
InícioBRASILPF aponta 74 ligações entre Jaques Wagner e ex-sócio de Daniel Vorcaro

PF aponta 74 ligações entre Jaques Wagner e ex-sócio de Daniel Vorcaro

Um relatório da Polícia Federal (PF) revelou que o senador Jaques Wagner (PT-BA) manteve rotina de contatos telefônicos com o ex-sócio de Daniel Vorcaro, do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, investigado na Operação Compliance Zero.

Entre 17 de novembro de 2023 e 25 de maio de 2025, foram registradas ao menos 74 chamadas de voz concluídas entre os dois, que somaram mais de 5 horas e 30 minutos de conversas.

As informações constam em documento tornado público após o ministro André Mendonça, relator do inquérito do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), derrubar o sigilo da investigação que apura as possíveis ligações do senador com Vorcaro.

Os dados foram extraídos do celular de Augusto Ferreira Lima, apreendido durante a diligência policial. Segundo a PF, o período analisado compreende 555 dias, o que representa média de uma ligação a cada 7,5 dias.

A chamada mais longa identificada pela polícia teve duração de 19 minutos.

De acordo com o relatório, os investigadores identificaram “clara e reiterada preferência” de Wagner e Lima por conversas realizadas por meio de chamadas de voz em aplicativo de mensagens, evitando comunicações por texto. Para a PF, esse padrão reduz a rastreabilidade das interações e se enquadra nas estratégias de contrainteligência atribuídas ao grupo investigado.

A Polícia Federal afirma que a frequência das ligações reforça os indícios de proximidade entre o parlamentar e o empresário. O relatório também registra que o número de Jaques Wagner estava salvo no celular de Augusto Ferreira Lima desde janeiro de 2022.

As conversas ocorreram, segundo a investigação, paralelamente à suposta concessão de vantagens indevidas ao senador.

Entre os benefícios sob apuração, estão o uso de helicópteros, estadas na chamada “Ilha da Paixão”, compra de ingressos para shows da cantora Taylor Swift e aquisição de um apartamento de luxo em Salvador.

Outro ponto central da investigação é a suspeita de que Jaques Wagner teria atuado em favor dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional.

A PF apura, entre outras frentes, a participação do senador em articulações relacionadas a uma proposta de emenda à Constituição que alteraria regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), medida que poderia aliviar o balanço da instituição financeira.

Estratégias para evitar produção de provas

As informações sobre o padrão de comunicação aparecem nos documentos que embasaram as medidas autorizadas pelo ministro André Mendonça no âmbito da Operação Compliance Zero.

Ao levantar o sigilo do caso, Mendonça manifestou preocupação com o risco de vazamento das investigações. Na decisão, ele menciona episódio considerado “agudo”, ocorrido em 9 de junho de 2026, quando um dos investigados — apontado nos autos como o senador Jaques Wagner — solicitou audiência em seu gabinete no mesmo dia em que a Polícia Federal protocolou pedidos de quebra de sigilo e monitoramento.

O magistrado destacou que o pedido foi feito antes mesmo da distribuição oficial de parte das representações da PF.

Para o relator, o episódio reforçou a necessidade da adoção de medidas urgentes, diante de indícios de que os investigados teriam capacidade de monitorar ações de autoridades e antecipar diligências policiais.

Os documentos também descrevem supostas estratégias de contrainteligência utilizadas pelo grupo, como o uso recorrente de chamadas de voz, áudios e mensagens temporárias, além de linguagem cifrada.

Um dos exemplos citados pela PF é a expressão “A altura do vão é 2,45 m”, interpretada pelos investigadores como referência ao valor de R$ 2,45 milhões de um apartamento no edifício Poème Horto, em Salvador, que seria destinado ao senador.

Metrópoles

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas