O *Washington Post* publicou nesta segunda-feira (10) uma reportagem exclusiva revelando que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou a Turquia de forma secreta após a cúpula da OTAN realizada em Ancara, no dia 8 de julho. Diante de uma ameaça de assassinato atribuída ao Irã, Trump embarcou publicamente no Air Force One e, minutos depois, foi transferido por um caminhão de catering do aeroporto para um avião militar menor, enquanto a aeronave presidencial com jornalistas e parte da equipe da Casa Branca funcionou como isca.

COMO FUNCIONOU A OPERAÇÃO DE DESVIO

De acordo com o *Washington Post*, Trump subiu a escada do antigo Air Force One (um Boeing 747 modificado) à vista das câmeras de televisão. Em seguida, ele e alguns assessores saíram pelo lado oposto da aeronave e entraram no contêiner elevado de um caminhão normalmente usado para abastecer o avião com refeições. O veículo desceu e levou o presidente até um C-32A da Força Aérea, um Boeing 757 modificado. A aeronave decolou sob um indicativo de chamada discreto e com sistemas de rastreamento desligados, seguindo para a base de Mildenhall, no Reino Unido. O Air Force One com a imprensa chegou minutos depois.

CONTEXTO DA AMEAÇA IRANIANA

A operação ocorreu na noite seguinte à retomada de ataques americanos contra o Irã, ordenados por Trump após o colapso de negociações. Fontes oficiais americanas ouvidas pelo jornal afirmaram que a inteligência detectou uma ameaça credível de disparo de míssil contra a aeronave do presidente. Trump havia chegado à Turquia no novo Air Force One doado pelo Catar e reformado pelo governo americano. Publicamente, a Casa Branca anunciou que a volta seria no antigo avião “por nostalgia”. A reportagem aponta que a troca real foi motivada por razões de segurança.

JORNALISTAS E ASSESSORES COMO ISCA INCONSCIENTE

Repórteres que acompanhavam a viagem e alguns funcionários da Casa Branca acreditaram estar no mesmo avião do presidente. Segundo o *Washington Post*, foram orientados a manter as cortinas das janelas fechadas. A operação só foi conhecida semanas depois, com base em material revisado pelo jornal, um oficial americano familiarizado com a missão e outra pessoa com conhecimento dos deslocamentos presidenciais. O *New York Times* e outras agências confirmaram o relato em linhas gerais.

PRECEDENTES E REAÇÃO

Operações semelhantes de distração já foram usadas no passado, como em 2000, quando Bill Clinton entrou no Paquistão em um jato sem identificação enquanto o Air Force One oficial servia de isca. A Casa Branca não comentou diretamente os detalhes da transferência secreta. Oficiais da administração expressaram frustração com o vazamento de procedimentos classificados, que poderiam comprometer futuras operações de proteção.