A decretação da liquidação extrajudicial da Reag pelo BC (Banco Central) acontece um dia após a PF (Polícia Federal), no âmbito da operação Compliance Zero, cumprir mandados de busca contra o seu fundador, o empresário João Carlos Mansur.
Mais tarde, ainda na quarta-feira (14), o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, se encontrou com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, na sede da autoridade monetária. As autoridades não confirmaram os temas específicos da agenda.
O BC justificou a liquidação indicando “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN (Sistema Financeiro Nacional). Ainda indicou que continuará “tomando medidas cabíveis para apurar responsabilidades”.
“O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, indicou.
João Carlos Mansur

João Carlos Mansur fundou a Reag Investimentos em 2012 e comandou a gestora até 2025. Em setembro de 2025, vendeu o controle da empresa a executivos internos e deixou seu conselho de administração.
Antes da Reag, Mansur construiu carreira de mais de três décadas nas áreas de auditoria, controladoria e gestão financeira, com passagens por grandes empresas. No mercado, ficou conhecido como um articulador de operações complexas e por sua ampla rede de relacionamento na Faria Lima.
Reag e o Master
O BC relatou, em documento enviado ao TCU (Tribunal de Contas da União), que parte das fraudes atribuídas ao Banco Master envolve fundos administrados pela Reag. A administradora foi alvo de investigação por suspeitas de ligação com esquemas de lavagem de dinheiro.
Segundo o relatório encaminhado ao TCU, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Master e fundos administrados pela Reag estruturaram operações em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional, com falhas graves de gestão de risco, crédito e liquidez.
A Operação Carbono Oculto investigou a ligação entre fraudes no setor de combustíveis, supostamente tocadas pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), e o instituições financeiras, como fintechs e administradoras de fundos.
CNN
