A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga uma sequência de mortes ocorridas dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, instituição particular em Taguatinga. Segundo as apurações, as mortes foram provocadas, de forma deliberada, por técnicos de enfermagem.
Um dos casos mais chocantes envolve a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva (foto em destaque), de 75 anos, que chegou a sobreviver a seis paradas cardíacas antes de morrer.
Mesmo após sucessivas paradas cardíacas, ela chegou a ser reanimada diversas vezes pela equipe médica.
Segundo a apuração, após a vítima sobreviver, o técnico passou a aplicar desinfetante, por mais de 10 vezes, na veia da paciente, o que agravou o quadro clínico da paciente de forma irreversível.
O padrão de piora súbita, sem evolução clínica gradual, foi um dos elementos que levantaram suspeitas e motivaram a abertura de uma investigação interna no hospital.
Prisão
Três ex-técnicos de enfermagem foram presos sob suspeita de envolvimento nos crimes, registrados entre novembro e dezembro de 2025. São eles: Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva.
As investigações apontam que os pacientes eram atendidos em leitos próximos e passaram por procedimentos semelhantes pouco antes das paradas cardiorrespiratórias.
De acordo com a polícia, o principal investigado se aproveitava do acesso ao ambiente hospitalar e de brechas nos protocolos internos para agir sem levantar suspeitas imediatas.
Uso de sistema médico e atuação em grupo
As investigações indicam que o técnico utilizava indevidamente o sistema eletrônico da unidade, acessando contas médicas para emitir prescrições falsas.
Assim, conseguia retirar os medicamentos na farmácia do hospital sem autorização formal da equipe responsável pelos pacientes.
A Polícia Civil afirma que ele não agia sozinho. As outras duas técnicas de enfermagem teriam auxiliado na logística, seja buscando os insumos, seja permanecendo no setor durante as aplicações.
Imagens do circuito interno de segurança da UTI foram decisivas para reconstruir a dinâmica dos crimes.
Inicialmente, os suspeitos negaram qualquer envolvimento. No entanto, ao serem confrontados com os registros das câmeras, dois deles confessaram participação nos episódios investigados.
Investigação aberta e possibilidade de novos casos
Os três suspeitos foram presos no começo deste mês durante a Operação Anúbis. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em endereços no Distrito Federal e no Entorno.
Em uma segunda fase da operação, dispositivos eletrônicos foram recolhidos para análise de mensagens, pesquisas e registros que possam indicar a motivação dos crimes ou a existência de outras vítimas.
A polícia já descartou a hipótese de que as mortes tenham ocorrido a pedido das famílias ou por qualquer decisão médica relacionada a cuidados paliativos.
As investigações agora tentam esclarecer o que levou os profissionais a agir dessa forma e se há outros casos semelhantes em hospitais onde eles trabalharam anteriormente.
Hospital colaborou com autoridades
Em nota, o hospital informou que, ao identificar situações fora do padrão na UTI, instaurou um comitê interno e conduziu uma apuração própria. As conclusões foram encaminhadas à Polícia Civil, o que resultou na abertura do inquérito. Os três profissionais foram demitidos.
A instituição afirmou ainda que comunicou o ocorrido às famílias das vítimas e prestou esclarecimentos, destacando que o caso tramita sob segredo de Justiça.
Fonte; Metrópoles/CBN

