Cientistas da Northwestern University desenvolveram uma terapia experimental intravenosa (IV) capaz de proteger e ajudar a reparar o cérebro após o tipo mais comum de AVC, o acidente vascular cerebral isquêmico.
Nesse tipo de AVC, um coágulo bloqueia o fluxo de sangue para uma região do cérebro. Atualmente, médicos conseguem muitas vezes reabrir o vaso obstruído, mas o retorno súbito do sangue pode desencadear uma onda intensa de inflamação e morte celular, agravando os danos cerebrais.
O novo tratamento utiliza minúsculas moléculas dinâmicas, descritas pelos pesquisadores como “moléculas dançantes”, chamadas peptídeos terapêuticos supramoleculares (STPs). Administradas por via intravenosa logo após a restauração do fluxo sanguíneo, essas estruturas conseguiram, em testes com camundongos, atravessar a barreira hematoencefálica, se concentrar no local da lesão e reduzir o dano ao tecido cerebral, a inflamação e a atividade imune prejudicial, sem efeitos colaterais detectáveis.
Essa abordagem se baseia em pesquisas anteriores do mesmo grupo, nas quais nanomateriais semelhantes reverteram paralisia e repararam tecidos da medula espinhal em camundongos com apenas uma injeção. Para o AVC, os cientistas ajustaram a concentração do tratamento para que pequenos aglomerados de peptídeos pudessem circular com segurança pelo sangue, atravessar a barreira hematoencefálica temporariamente mais permeável e, já dentro do cérebro, se reorganizar em nanofibras maiores, aparentemente promovendo regeneração e reduzindo a inflamação.
Embora os resultados atuais ainda sejam de curto prazo e restritos a estudos em animais, a equipe espera que a tecnologia possa futuramente ser usada junto aos tratamentos padrão do AVC, ajudando a limitar incapacidades permanentes. Os pesquisadores também avaliam a possibilidade de adaptar a terapia para lesões cerebrais traumáticas e doenças neurodegenerativas. Estudos mais longos serão necessários para confirmar se há melhora duradoura da função cerebral e da recuperação.
Gao, Z. et al. (2026). Toward development of a dynamic supramolecular peptide therapy for acute ischemic stroke. Neurotherapeutics.
