A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) anunciou a disponibilização do medicamento Monjaro (tirzepatida) através do Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento de obesidade e diabetes tipo 2. A medida, que faz parte de um programa piloto do Ministério da Saúde, visa combater o crescimento alarmante dessas condições no Brasil.
O Monjaro, aprovado pela ANVISA em 2022, utiliza a tirzepatida como princípio ativo e atua como um agonista duplo dos receptores GIP e GLP-1, hormônios que regulam o apetite e o metabolismo da glicose. Estudos clínicos demonstraram que o medicamento pode promover uma redução de até 22,5% do peso corporal em pacientes com obesidade, além de melhorar significativamente o controle glicêmico em diabéticos tipo 2.
Como funciona o programa
O programa de distribuição estabelecido pela ANVISA e pelo Ministério da Saúde prevê a disponibilização controlada do Monjaro para pacientes que se enquadram em critérios específicos. De acordo com a portaria publicada no Diário Oficial da União, têm prioridade pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30 kg/m² ou com IMC superior a 27 kg/m² associado a comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão arterial ou doenças cardiovasculares.
O acesso ao medicamento será feito através de cadastro em plataforma digital do Ministério da Saúde, onde os pacientes deverão preencher um questionário de saúde e anexar documentos comprobatórios de sua condição clínica. Após análise pela equipe médica do programa, os aprovados receberão orientação sobre como retirar o medicamento em farmácias credenciadas.
Benefícios e contraindicações
Especialistas destacam que o Monjaro representa um avanço significativo no tratamento da obesidade e diabetes, oferecendo uma alternativa eficaz aos métodos convencionais. Além da perda de peso, o medicamento tem demonstrado benefícios cardiovasculares, reduzindo o risco de eventos como infarto e AVC em pacientes de alto risco.
No entanto, a ANVISA alerta que o Monjaro possui contraindicações e não deve ser utilizado por gestantes, lactantes, menores de 18 anos ou pessoas com histórico de pancreatite, câncer medular de tireoide ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2. Os efeitos colaterais mais comuns incluem náuseas, vômitos, diarreia e constipação, especialmente no início do tratamento.
Impacto na saúde pública
De acordo com dados do Ministério da Saúde, mais de 60 milhões de brasileiros vivem com sobrepeso ou obesidade, e cerca de 16 milhões são diabéticos tipo 2. A disponibilização do Monjaro pelo SUS representa uma economia potencial de bilhões de reais em tratamentos de complicações dessas doenças, que incluem amputações, insuficiência renal, cegueira e doenças cardiovasculares.
Estima-se que o programa piloto atenda inicialmente 50 mil pacientes em todo o país, com possibilidade de ampliação conforme a disponibilidade de recursos e avaliação dos resultados. A expectativa é que, nos próximos meses, mais estados brasileiros integrem o programa de distribuição.
Procurada pela reportagem, a ANVISA reforçou o compromisso com a saúde da população brasileira e destacou que o programa conta com acompanhamento médico contínuo para garantir a segurança e eficácia do tratamento.
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