O resultado do INPC em 2025 fechou uma conta desfavorável para quem recebe aposentadoria ou pensão do INSS acima do salário mínimo. O índice, que serve de base para o reajuste desses benefícios, acumulou alta de 3,9% no ano, abaixo da inflação oficial do país. No mesmo período, o IPCA terminou 2025 com avanço de 4,26%.
Na prática, isso significa que aposentados e pensionistas fora do piso nacional — que recebem mais de um salário mínimo de benefício — terão aumento menor do que a variação média dos preços, o que aponta para perda de poder de compra ao longo do ano.
Com esse reajuste, o teto do INSS deve subir de R$ 8.157,41 para cerca de R$ 8.474,55 em 2026, valor que ainda precisa ser confirmado por portaria do governo federal no Diário Oficial da União.
A regra é diferente para quem recebe um salário mínimo. Esses benefícios são corrigidos automaticamente conforme o valor do piso nacional, que passou a ser de R$ 1.621 no início de janeiro. Nesse caso, o reajuste não depende do INPC.
Os dados divulgados pelo IBGE mostram que o INPC teve alta de 0,21% em dezembro, acelerando em relação a novembro. No acumulado de 2025, o índice ficou abaixo do registrado no ano anterior, quando havia chegado a 4,77%.
No último mês do ano, os alimentos voltaram a subir, enquanto os preços de produtos não alimentícios também tiveram leve avanço.
As variações regionais chamaram atenção. Porto Alegre teve a maior alta em dezembro, puxada principalmente pelo aumento da conta de luz e das carnes. Já Curitiba registrou queda no índice, influenciada pela redução nos preços da energia elétrica e das frutas.
No acumulado do ano, Vitória apresentou a inflação mais alta entre as regiões pesquisadas, pressionada por energia elétrica e aluguel.
Ao longo de 2025, os preços dos alimentos subiram menos do que no ano anterior, enquanto os itens não alimentícios tiveram aumento mais forte. Essa mudança no comportamento dos preços ajudou a conter o INPC, mas não foi suficiente para acompanhar o IPCA.
