terça-feira, fevereiro 24, 2026
InícioBRASILCaixa negocia compra de carteiras do BRB após crise do Banco Master

Caixa negocia compra de carteiras do BRB após crise do Banco Master

Caixa Econômica Federal negocia a compra de carteiras de crédito do Banco de Brasília (BRB). A cúpula do banco nacional não descarta debater outras soluções, mas a discussão sobre federalização do BRB é vista como “prematura”, segundo pessoas a par do tema ouvidas pela reportagem.

No momento, o que está efetivamente na mesa é a possibilidade de a Caixa adquirir carteiras originadas pelo próprio BRB, que tenta reforçar a sua liquidez, combalida pela necessidade de provisionar ao menos R$ 5 bilhões por causa de perdas esperadas com ativos do Banco Master.

Em outra ponta, a cúpula da Caixa não descarta que as discussões evoluam para outras frentes. Uma alternativa é a participação do banco federal em um consórcio que viabilizaria um empréstimo para que o governo do Distrito Federal aporte recursos no BRB – ponto que é visto como mais importante do que a liquidez de curto prazo neste momento.

As informações foram publicadas primeiro pelo jornal O Globo e confirmadas pelo Estadão/Broadcast.

Segundo pessoas que acompanham o tema de perto, as tratativas sobre esse empréstimo ainda são iniciais. Mas essa alternativa é vista como a melhor para socorrer o banco do DF, por ser menos extrema do ponto de vista do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Como mostrou o Estadão, o Banco Central pode aplicar uma série de medidas prudenciais preventivas no BRB caso o governo distrital não realize os aportes até 31 de março, a data-limite para a divulgação do balanço do banco público.

O aporte é necessário por causa da compra, pelo BRB, de R$ 12,2 bilhões em créditos falsos do Banco Master. O banco distrital conseguiu trocar esses créditos por outros ativos do Master. Mas, por causa da qualidade duvidosa dos papéis, pode ter uma perda de R$ 5 bilhões a R$ 9 bilhões.

O patrimônio líquido de referência do BRB era de R$ 4,289 bilhões em setembro de 2025, o último dado disponível. Isso significa, na prática, que o banco do DF ficou com as contas negativas ao ter de provisionar ao menos R$ 5 bilhões para lidar com as eventuais perdas.

A possibilidade de um empréstimo vem sendo negociada pelo governo distrital com uma série de bancos e com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Esse passo é necessário porque o governo do DF, que é o acionista controlador do BRB, não tem recursos em caixa para realizar o aporte, como mostrou o Estadão.

Na sexta-feira, 20, o governo do DF enviou à Câmara Legislativa (CLDF) um projeto de lei com medidas para capitalizar o BRB. O texto inclui entre as possibilidades o uso de 12 imóveis públicos como garantia para a operação.

Segundo interlocutores, esse projeto é fundamental para avançar nas tratativas, mas a sua aprovação é a parte mais simples do processo, já que o empréstimo precisa ser negociado com as instituições financeiras.

Os termos finais vão depender da precificação e de uma série de riscos jurídicos. Até o momento, nenhuma proposta concreta chegou ao FGC ou às instituições financeiras que podem viabilizar o aporte.

Estadão

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas