O cubano Mandy Pruna se lembra da onda de turistas americanos que visitou Cuba após o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter restabelecido as relações diplomáticas com a ilha em 2015.
O Chevrolet dele foi um dos três carros americanos antigos que diplomatas dos EUA escolheram para compor o cenário da cerimônia de hasteamento da bandeira na Embaixada dos EUA em Havana, que marcou a restauração oficial das relações entre os dois países após décadas de amarga animosidade.
“Todos os setores da sociedade se beneficiaram disso”, afirmou Pruna, referindo-se à breve melhoria nas relações. “Você via pessoas pintando suas casas, abrindo novos negócios. Para mim foi fantástico. Foi a melhor época para o turismo em Cuba.”
Agora o país pode estar vivenciando o momento mais profundo de incerteza econômica que os residentes da ilha já enfrentaram em décadas, se não em toda a sua vida.
Cuba aparentemente não tem mais aliados dispostos a fornecer as centenas de milhões de dólares em combustível necessárias para impulsionar a economia.
O pouco petróleo que resta na ilha está se esgotando.
O impacto na população
A dupla perda de combustível e de turistas para pessoas como Pruna tem sido catastrófica. “Preciso de gasolina para poder trabalhar, preciso de turistas para poder trabalhar”, disse ele.
As aulas foram suspensas em muitas escolas e trabalhadores foram dispensados para economizar energia. Hotéis quase vazios foram fechados e voos da Rússia e do Canadá cancelados, pois não há combustível suficiente na ilha para voos internacionais mais longos.
O Reino Unido e o Canadá alertaram seus cidadãos para evitar viagens não essenciais a Cuba.
Na semana passada, os organizadores cancelaram o festival anual de charutos Habanos, que gera milhões de dólares em receita.
Muitos hospitais administrados pelo governo reduziram serviços e a falta de combustível e caminhões de lixo em funcionamento causou o acúmulo de lixo em bairros inteiros.
Em praticamente todas as esquinas, as conversas se concentram em quando os cortes de energia estão acontecendo e por quanto tempo. À noite em Havana, as estrelas são frequentemente visíveis já que a maior parte da cidade está envolta em quase total escuridão.
O governo Trump afirma que o regime cubano precisa finalmente abrir a economia centralizada da ilha antes que ela entre em colapso.
Rubio, que é cubano-americano e um antigo opositor do regime do país, disse anteriormente que a única coisa que pretende discutir com a liderança comunista da ilha é quando eles renunciariam ao poder.
“Este é um regime que sobreviveu quase inteiramente de subsídios — primeiro da União Soviética, depois do (ex-presidente venezuelano) Hugo Chavez”, declarou Rubio na semana passada durante a Conferência de Segurança de Munique. “Pela primeira vez, não há subsídios vindos de ninguém, e o modelo foi exposto.”

Depois de tantos anos vivendo à beira do colapso econômico, uma crise humanitária pode estar chegando em Cuba.
Atualmente, a maior parte dos alimentos que os cubanos consomem é importada após décadas de políticas agrícolas desastrosas de seu governo. No entanto, essa tênue linha de vida está em risco, já que políticos cubano-americanos anti-Castro pediram um corte total da assistência americana.
“Este é o momento de parar tudo: sem mais turismo, sem mais remessas, sem mais mecanismos que continuem a financiar e sustentar a ditadura”, disse a congressista republicana da Flórida Maria Elvira Salazar, ex-jornalista da CNN en Español.
Ela afirmou que “é devastador pensar sobre a fome de uma mãe, sobre uma criança que precisa de ajuda imediata. Ninguém é indiferente a essa dor”.
Algumas das empresas do setor privado que importam alimentos dos EUA já suspenderam suas operações, alegando que não conseguem mais refrigerar seus produtos durante os apagões diários.
Diante do agravamento da escassez, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel pediu à população para “resistir criativamente” e adotar uma mentalidade de tempos de guerra.
“Vamos comer o que pudermos produzir em cada lugar. Agora, se houver menos combustível, então os alimentos não poderão sair de alguns municípios para outros”, disse Díaz-Canel durante uma aparição televisionada em janeiro.
“Estamos pagando duas, três vezes mais para reabastecer e manter as pessoas satisfeitas”, informou Anayasi, uma vendedora de alimentos que não quis dar seu sobrenome por falar criticamente da situação econômica que piora. “Não há comida. O impacto será terrível. Não teremos nada.”
O motorista de carro clássico, Mandy Pruna, disse que está considerando tentar imigrar para a Espanha com sua família. Depois de 20 anos ganhando bem transportando turistas em seu Chevy, ele não vê mais futuro em sua terra natal.
“Tudo é incerto no momento. Não há combustível. Não sabemos se haverá algum e como vamos pagar por ele”, disse ele. “Se eu tiver que pagar gasolina em dólares, como vou recuperar isso se não há turismo?”
