Em depoimento à Polícia Federal (PF), o diretor do Banco Central Ailton Aquino afirmou que o Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa antes de o BC decretar a liquidação extrajudicial da instituição.
“Apesar de o Master ser um típico, nós chamamos S3, uma instituição de médio porte, dada a crise de liquidez do Master e com R$ 80 bilhões de ativos totais, o acompanhamento por parte da supervisão era fundamental para entender a liquidez”, introduziu o diretor.
“Para pontuar isso claramente: um banco de R$ 80 bi tem liquidez de R$ 3 bi, R$ 4 bi em títulos livres. O Master, antes da liquidação, só tinha R$ 4 milhões no caixa”, prosseguiu.
Os vídeos do depoimento, prestado em 30 de dezembro, foram tornados públicos nesta quinta-feira (29) pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
O Banco Master foi liquidado em novembro pelo Banco Central após identificação do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.
- 🔎 A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, fecha as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até extinguir a instituição. Nessa fase, as operações são finalizadas e o banco deixa de integrar o sistema financeiro nacional.
Um especialista ouvido pelo g1 explicou que, como o Master não era uma instituição de maior tradição, deveria manter um volume de recursos em caixa maior do que uma empresa classificada dentro desse segmento, isto é, de maior tradição.
“[Deveria ter] um caixa maior que uma instituição financeira de maior tradição com a mesma estrutura de passivos”, esclareceu o economista Carlos Eduardo De Freitas, que foi diretor de Área Externa do Banco Central.
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