A Moody’s Local, agência de classificação de risco, rebaixou a nota de crédito do BRB (Banco de Brasília) de BBB- para CCC+, indicando alto risco de calote, com revisão de novo rebaixamento.
De acordo com a agência, o rebaixamento dos ratings do BRB reflete a provável necessidade de injeção de capital, intensificadas pela ausência de um plano de recomposição após perdas com ativos adquiridos do Banco Master.
A Moody’s Local ressaltou que a ausência de divulgação das demonstrações financeiras dentro do prazo regulamentar, até 31 de março de 2026, aumenta incertezas
relacionadas a saúde financeira e posição patrimonial da instituição financeira.
“Até o momento, não houve comunicação ao mercado sobre a extensão do impacto das operações supostamente fraudulentas, nem a apresentação de um plano definido para a recuperação do capital”, afirmou a agência, em relatório.
A Moody’s afirmou que o impacto das operações com o Banco Master está sob análise desde o início da “Operação Compliance Zero”, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025.
Desde então, o banco contratou uma auditoria juntamente com as investigações em andamento, visando esclarecer o montante exato de perdas que o BRB deverá reconhecer em decorrência dessas operações. Em razão do aumento do provisionamento e reconhecimento de perdas nos ativos, o BRB deve necessitar de aportes de capital adicionais para manter sua solvência, de acordo com a avalição da agência de crédito.
Na visão da Moody’s Local Brasil, o patamar atual de rating reflete que a qualidade de crédito do BRB é muito fraca em relação a outras entidades nacionais e provavelmente está perto de calote, sem a concretização de um aporte de capital.
A revisão da nota de crédito do banco se concentrará nos desenvolvimentos relacionados ao plano de aumento capital e nos possíveis impactos financeiros, após término das investigações em curso.
BRB adia balanço de 2025
O BRB convocou assembleia geral extraordinária para 22 de abril, segundo fato relevante publicado no início da noite de terça-feira (31). A ordem do dia inclui o aumento do capital social e homologação de Nelson Antônio de Souza e Joaquim Lima de Oliveira para o cargo de Conselheiro de Administração do banco.
Além disso, o BRB informou ainda o adiamento da publicação dos balanços financeiros referentes aos 3º e 4º trimestres de 2025.
Segundo apuração da CNN Brasil, o banco não irá divulgar os números após não ter conseguido levantar, até agora, nenhum montante dos R$ 6,6 bilhões que precisa para melhorar seus indicadores de saúde financeira.
Entretanto, no comunicado, o Banco alegou que a postergação ocorreu por conta da necessidade de “conclusão dos trabalhos da auditoria forense contratada para apuração dos eventos relacionados à operação “Compliance Zero”, bem como da adequada avaliação, pela Administração da Companhia e pelo Auditor Independente, de seus potenciais impactos”.
O BRB informa ainda que a apreciação do tema ocorrerá “tão logo concluídas as avaliações e providências em curso, mediante convocação específica para a continuidade da Assembleia Geral Ordinária”.
CNN
